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Notas Rápidas

Dilma vaiada

A coisa está ficando perigosa para o PT. Depois de anunciar que a presidente não iria fazer discurso na Copa, o partido teve que engolir Dilma sendo vaiada em um desses eventos populistas para manter a imagem de governo popular. Parece que está cada vez mais difícil controlar o público nesses eventos e pode ser que cheguemos ao ponto em que ela ficará impedida de falar em público. Para quem muitos imaginam estar com a eleicão ganha, é melhor recolher o pessimismo. Dá para ganhar!

Revolta do PMDB

Foi sem dúvida a melhor coisa da semana. Conseguiu pelo menos colocar um monte de ministros para dar explicações no Congresso, o que sempre fortalesce… o Congresso! Já disse várias vezes, nenhum poder é mais importante em uma democracia do que o legislativo; é lá que se concentra a representação popular. Infelizmente o avanço dos meios de comunicação contribuiu para que se concentrasse tudo na figura do presidente, dando um poder que nem uma monarquia absolutista possuia. Pena que o governo não colocou em votação o marco civil; ia perder na certa.

Sheherazade no The Noite

Quem perdeu, procure no Youtube. A apresentadora esbanjou simpatia e nos fez uma revelação bombástica: tem 40 anos! Fã de Iron Maiden, ainda cantou Nós Vamos Invadir sua Praia com o Roger e banda. Não sei o que a tigrada odeia mais nela, suas opiniões ou sua beleza. Provavelmente a combinacão de ambas.

Oposição

Sei que é difícil vencer a edição dos veículos de comunicação. Ao contrário do que se pensa, sempre tem alguém da oposição para fazer a crítica necessária ao governo, mas não encontra canal de comunicação porque estão mais preocupados em cobrir as platitudes de uma presidente do que ecoar os críticos (regime de concessão dá nisso!). Mas a oposição tem que encontrar meios de se comunicar. A internet está aberta, usem!

STF

A grande vergonha já se deu semana passada. Esta semana foi apenas um epílogo triste, com a absolvição daquela vergonha que é o Sr João Paulo Cunha do crime de lavagem de dinheiro. A coisa está tão feia, que Big Barro e cia nem se preocupam mais em disfarçar. Estão com o PT, doa a quem doer.
Mas não se preocupem, vai piorar.
Repito novamente o pensamento do Santo Agostinho: ” perdida a justiça, um reino nada mais é que um grande roubo”.

Uma das grandes ilusões da modernidade é acreditar que podemos evitar o sofrimento. A idéia em si nem é nova, Boécius a expressou com singela beleza no melhor livro de introdução à filosofia já escrito: A Consolação da Filosofia. O senador romano tentava entender como um homem probo como ele poderia estar condenado à morte por um crime que não cometeu. Causava-lhe espanto que coisas ruins pudessem acontecer com pessoas boas.

Santo Agostinho também tratou do tema em Cidade de Deus. Segundo ele, era essencial que coisas ruins pudessem acontecer com homens independente de seus méritos. Se não fosse assim, o homem bom seria levado à soberba e o homem ruim ao fatalismo. Como Chesterton explicou depois, a recompensa do homem justo não poderia estar na vida terrena pois levaria a humanidade à terrível conclusão que todo homem de sucesso era um bom homem, o que sabemos estar longe da verdade. Jó era o melhor dos homens, e justamente por isso sofreu como poucos.

A verdade é que todos experimentamos o sofrimento. No entanto, nem todos entram em desespero quando é acometido por um grande mal. Qual o segredo? O que leva alguns a suportar o sofrimento muito melhor que outros?

VIctor Frankl nos deu uma resposta. O desespero é o resultado da diferença entre sofrimento e o sentido. Se entendermos o motivo do mal, o seu sentido, não há desespero pois tudo se encaixa em um plano. Se, ao contrário, formos incapazes de enxergar o sentido, todo o sofrimento transforma-se em desespero.

Clube de Compras Dallas exemplifica a tese de Frankl. Ron Woodroof, um eletricista bronco, que passa a vida no jogo, drogas e mulheres, descobre em pleno ano de 1985 que está com AIDS. Em uma época que ser portador do vírus HIV significava uma rápida sentença de morte, ele era um homem condenado. Seria natural entregar-se ao desespero, ainda mais sabendo que o fim seria doloroso.

No entanto Ron descobriu que poderia ajudar a si mesmo ajugando outros doentes. Usando uma capacidade empreendedora que não julgava possuir, passou a traficar uma série de drogas não aprovadas pelas autoridades americanas. A história de Ron passa a ser de um luta de um homem para manter a própria sanidade, e assim ele tinha encontrado um sentido para sua doença e sua vida.

Ainda segundo Frankl, o sentido está ligado àquela coisa que só você pode fazer. Não significa que terá prazer com ela, muitas vezes será um fardo, mas que você entende ser o único capaz de fazê-la; caso se recuse, ninguém o fará. Ron abraça sua cruz e sem a menor alegria passa a tocar o novo negócio, cujo único lucro pessoal é financiar o próprio tratamento, que no máximo prolongará sua vida alguns poucos anos. É o suficiente. Não se trata de uma redenção como alguns enxergaram, mas de um homem com muitos defeitos que encontra um sentido para sua vida, pelo menos o suficiente para suportar o sofrimento que terá pela frente.

A lição que fica é que coisas ruins acontecem. Ao invés de lamentar a injustiça, como Boécius na prisão, devemos procurar o sentido, evitando assim o desespero. Frankl descobriu isso no Campo de Concentração em que esteve preso na II Guerra Mundial. Percebeu que nenhum judeu cometia suicídio ou entrava em desepero, por maior que fosse o sofrimento. Eles sabiam que iriam morrer, mas sabiam que estavam lá por algum propósito divino. O mesmo pode-se dizer dos primeiros cristãos nos martírios. Sofrer não significa desespero, a não ser que não acreditemos no sentido, embora muitas vezes não o encontremos.

Quando a modernidade fecha a porta para a transcendência, ela condena o homem ao desespero, pois certas respostas não podem ser encontradas no plano material. Viver sem Deus pode funcionar na alegria, mas pode ser deseperador no sofrimento. E, acreditem, ele virá.

Novo Maracanã

Ontem voltei ao Maracanã depois de quatro anos de ausência. Gostei do que vi. O estádio está realmente no nível que me acostumei nos Estados Unidos, inclusive a parte de recepção, com funcionários de 10 em 10 metros oferecendo ajuda e orientação. As condições de jogo também são excelentes, com um gramado impecável.

Algumas algumas melhorias como uma melhor utilização das televisões. A maior parte do período antes da partida ela fica mostrando apenas o emblema da partida que será disputada. Poderia estar passando vídeos, aquecendo os torcedores para a partida com músicas e hinos. Durante o jogo tinha que assumir o papel de animadora da torcida, como acontece nos esportes americanos. O preço da alimentação está no que se cobra aí fora em estádios e ginásios. Não vi nada demais.

Por fim, acho que o principal problema do estádio hoje são os assessos. O estacionamento é ridículo e acaba quase tudo convergindo para o metrô, que não aguenta a demanda. Você acaba se sujeitando a vir esmagado como uma lata de sardinha em vagões super lotados.

Enfim, o estádio está bonito e funcional. Uma pena que tenhamos esperado até ter uma Copa do Mundo para fazer o investimento. Considerando que o dinheiro foi, de uma maneira ou de outra, público, dava para ter feito uma única e decente reforma no estádio ao invés de três. O pagador de impostos teria agradecido.

Tenho notado um apoio crescente da população à polícia militar e isso tem deixado muita gente à beira de um ataque de nervos. A população em geral quer ordem para poder tocar sua vida e não aguenta mais ter que viver refugiada em suas próprias casas, com medo de andar nas ruas.

Os mais pobres são os que mais sofrem com a violência e a desordem pública. Quando manifestantes impendem o transporte público de funcionar, são os mais pobres que deixam de chegar em casa ou no trabalho. Quando queimam onibus, são eles que ficam mais tempo nos pontos esperando transporte.

A coisa chegou ao ponto que as pessoas pobres estão sendo assaltadas por gente que tem mais dinheiro do que eles.
Por isso tudo começa a surgir um ressentimento muito perigoso contra os agentes da desordem, especialmente os chamados ativistas políticos. O episódio que a tal sininho foi impedida de entrar em um ônibus por populares evidencia muito bem isso.

Prestem atenção nas conversas de rua, dentro do metrô. A população está a favor da polícia e isso para os regressistas, também conhecidos como progressistas, é um sacrilégio, pior até do que derrubar uma estátua do Lenin. São tempos interessantes, sem dúvida.

Interessante como as mesmas pessoas que escreveram textos furiosíssimos contra Raquel Shererazade por conta do comentário dela sobre um grupo que prendeu um bandido no poste agora estão quietas sobre o que está acontecendo na Venezuela.
As mesmas que falam da PM truculenta contra os manifestantes brasileiros, silenciam sobre a polícia do Maduro.

Nos últimos dias vi essas pessoas escrevendo sobre tudo que platitude, coisas insignificantes mesmo, mas sobre a venezuela, nem um pio. Mas claro, essa coisa de socialismo não existe mais, é coisa do passado.

Um boa coisa de ser um conservador é que não estou preso a pessoas e sim a princípios fundantes, como o respeito à vida humana, especialmente se indefesa. Também não tenho medo, nem vergonha, de admitir todas as inúmeras vezes que estive errado. Muitas vezes, completamente errado. Não preciso morrer abraçado a erros, nem abraçar crápulas em nome de uma ideologia.

Uma vez me disseram que todos possuem uma ideologia. Uma ova! Tenho ideais, coisa completamente diferente. Um ideal não aprisiona a mente, não pretende ser uma explicação sobre o mundo. Isso é ideologia. Um ideal é, bem diferente, uma chave que nos ajuda a buscar compreender certas verdades. Quando tenho como ideal que a vida humana é inviolável, especialmente enquanto indefesa, me ajuda a entender homens como Cháves, Maduro, Fidel, Chê. Uma idéia defendida por um homem que não exita em matar indefesos não deve ser boa coisa. E ideologias, um conjunto de idéias que explica o mundo, acaba sempre em morticínio, até porque as ideologias negam a verdade.

Os ideólogos não podem admitir que estes homens foram criminosos em grande escala. O problema de um ideologia é que ela não admite fissura; aceitar um ponto errado é deixar entrar a luz e acabar com a escuridão. É entender, da maneira mais vexaminosa, o tamanho da própria estupidez. Muitos ideólogos possuem sua inteligência em tão alta conta que não conseguem admitir que foram enganados de maneira tão tacanha. Por isso abraçam criminosos e fecham os olhos para a realidade. Se a teoria não se ajusta ao real, pior para o real. A teoria não pode estar errada.

E terminam todos cúmplices desses crimes.

Ontem finalmente houve a primeira morte vítima dos protestos. Já era uma desgraça anunciada, a dúvida é se seria um PM ou um manifestante. Não acredito nesta balela de manifestações espontâneas; a rapidez que surgem advogados e ONGs para defender os delinquentes _ aqui neste blog não cabe a palavra ativista _ mostra que a coisa é orquestrada. Com que propósito? Não sei. Mas o fato dos black blocs nas ruas afastar a população das mesmas parece ser uma pista.

A coisa toda é lastimável, mas quero chamar atenção para um ponto específico: o papel pusilanime de grande parte imprensa. O editorial do Jornal Nacional de ontem merece ser estudado, tamanho o grau de absurdo. Para começar, não há uma única citação dos black blocs em todo o texto lido por William Bonner, que se tivesse vergonha na cara teria se recusado a lê-lo.”Grupos minoritários acrescentaram a elas o ingrediente desastroso da violência“. Foi o máximo que conseguiram ir. Mesmo assim usaram toda uma linguagem politicamente correta, fazendo uma metáfora sem sentido com comida, como se a violência fosse apenas um ingrediente. Pior ainda, a palavra “desastroso” indica que o problema não está na violência em si, mas da falta de eficácia pois acaba maculando a “causa”, sela ela qual for. Não Sr Bonner, não se trada de grupos minoritários, mas de um grupo específico, que está presente em várias manifestações provocadas por sindicatos e grupos estudantis. Lembram da estória do good cop and bad cop? Os sindicatos descobriram que podem usar esses marginais como forma de pressão para poder negociar melhor. Tá vendo como eles são violentos? Melhor a gente chegar em um acordo rápido para que eu possa controlá-los. Se não me atender, eu não vou ter como segurar. Tudo, enfatizo, sobre aplausos de boa parte dos jornalistas, que densonram a profissão como talvez nunca tenha sido visto.

E quem matou o cinegrafista? Na voz de Bonner “Mas a violência o feriu de morte aos 49 anos, no auge da experiência, cumprindo o dever profissional“. A violência feriu de morte? Por que não “um black bloc matou um cinegrafista”? De que tem medo a Globo? Ser mais odiada por essa gente do que já é? Semana passada, um jornalista trouxe um furo ao vivo, identificando corretamente o que aconteceu no episódio, na condição de anonimato. Perceberam o absurdo? Um jornalista consegue um furo de reportagem mas não quer aparecer no vídeo! Esse é o Brasil que está sendo construído pelo petismo, e vocês votam nessa turma!

Interessante que na hora de apontar um black bloc ficam cheio de dedos, mas o mesmo cuidado não possuem com a polícia. Novamente na voz de Bonner: “Também a polícia errou – e muitas vezes. Em algumas, se excedeu de uma forma inaceitável contra os manifestantes; em outras, simplesmente decidiu se omitir. E, em todos esses casos, a imprensa denunciou. Ou o excesso ou a omissão“. É a tara ideológica. A polícia está sempre errada. Se reprimir, foi violenta; se deixar, foi omissa. Um parágrafo para entrar para a história.

Na conclusão o ediorial pede que se investigue, aponte os culpados e etc. Muito pouco. O que era preciso nesse momento era uma condenação cabal aos grupos black blocs e um apoio irrestrito às forças de segurança pública para coibir a ação desses delinquentes, além de um repúdio completo ao uso de máscaras. De cara limpa, a coragem some rapidinho como vimos em um vídeo ontem em que um deles teve que correr para debaixo da saia da delinquente Sininho depois de ser levar uma câmera de tv na cabeça de um cinegrafista. Por que? Porque o anjo soltou um singelo “espero que você seja o próximo” para um cinegrafista que acabara de perder um companheiro de profissão.

Leiam o editorial da Globo. Uma vergonha com começo, meio e fim.

Uma coisas que escritores como Orwell, Mann e Eliot perceberam é que a ideologia não tem como ganhar o espaço sem a destruição da linguagem. Para que sua visão de mundo possa triunfar é absolutamente necessário que as palavras percam sentido, que adjetivos se tornem substantivos, que coletivos abstratos se tornem indivíduos concretos. Um bom exemplo esta semana foi os ataques à âncora do SBT, Raquel Shererazade.

Em uma de suas intervenções do jornal do SBT ela disse, sobre o episódio de um grupo que prendeu um marginal em uma árvore, que achava compreensível tal atitude devido a completa falta de segurança pública no Rio de Janeiro. Pronto, abriram as portas do pinel. A matilha saiu ensandecida acusando-a de defender justiceiros a fazer justiça com as próprias mãos. Confesso que se ela tivesse mesmo dito o que a esquerda bucéfala leu, teria que concordar mas o ponto é que ela não disse. Há um diferença absurda entre dizer que compreende porque os ” justiceiros” fizeram o que fizeram e dizer que as pessoas devem fazer justiça com as próprias mãos. Ela não defendeu o direito dos justiceiros, ela criticou duramente a ausência de segurança pública no Rio de Janeiro, o que é outra completamente diferente.

O fato é que já nos acostumamos que existem horários e locais que não se pode circular, que mesmo nos outros temos que estar atentos o tempo todo, que mesmo aqui na Praia Vermelha estão roubando bicicletas e celulares a mão armada. Uma população desarmada, sem proteção nenhuma, se tornou pato a ser abatido por marginais. Raquel Shererazade não pediu por ação de justiceiros, mas por ação do estado, o que é coisa bem diferente. E transversalmente tocou na questão do desarmamento, mas não vou entrar nesse assunto agora.

O interessante que a esquerda acusa-a, como quase sempre, do que faz. Os mesmos que querem a cabeça da apresentadora defendem as ações terroristas do MST, das FARC, “compreendem” as ações dos traficantes, se apaixonam pelos protestos dos black blocs. Tem uma apresentadora do Globo News que falta babar de admiração a cada bomba desse último grupo. Não vi ninguém pedindo a cabeça dela. Acham super natural ter uma ex-terrorista como presidente (alguns idiotas usam presidenta) da república, mas acham um absurdo uma apresentadora de tv dizer que compreende certa reação de algumas pessoas. Ao mesmo tempo, gente como Sakamoto praticamente diz que um assaltante tem o direito de roubar um relógio porque a vítima estaria ostentando riqueza, como no caso do Luciano Hulk.

Há tempos que os comentários de Raquel incomodam. Viram na fala dela uma oportunidade, mas para conseguir o que tentam era preciso mudar o sentido do que ela disse, ignorar o conteúdo objetivo da fala. Fácil. Acuse-a do que ela não disse, dê a suas palavras o significado que quiser. Em outras palavras, corrompa a linguagem.

Para esses, lembro apenas uma frase cérebre que minha saudosa vó dizia o tempo todo: deixa de ser idiota!

Mas é pedir muito, não?

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