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Olá pessoal!
Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

Um livro que estou lendo –

A Ilha do Tesouro. Eu sei. Tinha que ter lido este livro na adolescência. Na época estava mais interessado nos best sellers e ignorava bastante os clássicos. I made a huge mistake.

Um filme que assisti no cinema _

Bohemian Rhapsody. Gostei muito a cine biografia do Freddie Mercury. Os vinte muitos finais, reproduzindo o show do Live Aid foi incrível.

Um podcast que descobri –

Os Náufragos. Francisco Escorsin e Jota B apresentam uma conversa sempre interessante sobre o mundo da cultura, nos mostrando como podemos extrair aprendizado para nossas vidas a partir de filmes, músicas e livros. Muito bom mesmo. Viciei.

Uma discografia que estou revendo –

Whitesnake. Aproveitando a leitura da biografia sobre a banda escrita pelo prolífico Martin Poppof, constato mais uma vez como era bom a primeira fase da banda.

Um pensamento –

El racionalismo es una forma de beataria intelectual que al pensar sobre una realidad procura tenter a ésta lo menos possible en cuenta.

Ortega y Gasset

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Gosto de registrar as primeiras impressões dos filmes que assisto, como apoio aos reviews que farei oportunamente, quando passo alguns dias refletindo sobre a experiência.

Ontem assisti a cine biografia do Freddie Mercury. O que achei? Eis as minhas primeiras impressões.

  1. O filme é muito legal.
  2. Freddie Mercury vive uma tensão permanente entre uma extrema auto-confiança musical com uma fragilidade incrível em sua personalidade.
  3. Um tanto dessa fragilidade vem de sua homossexualidade, mas não é só isso. A forma como ele se entrega às drogas e sexo sem limites mostra uma fuga constante no confronto com seus próprios demônios, que pode ser resumido a grosso modo em um enorme complexo de inferioridade.
  4. Freedie tem na música seu principal escape, o que não tem como funcionar por muito tempo. No palco ele é outra pessoa, senhor absoluto da audiência. Mas na vida pessoal, sua caminhada é cada vez mais para o abismo. Afasta-se de todos que ama e termina nos braços de um aproveitador e amante, Tom.
  5. Essas duas personalidades não tem como durar para sempre e uma hora ele tem que reconhecer que seu caminho é para auto-destruição. O que ele precisa fazer? Assumir sua própria personalidade e afirmar seu ego, para usar a linguagem da psicanálise.
  6. É a decisão que ele toma na cena que Mary o confronta.
  7. Freddy termina assumindo o centro de sua existência e unificando suas personalidades, tornando-se finalmente responsável por suas decisões.
  8. Há furos gigantescos na cronologia da banda, mas isso é secundário. Dá para entender as decisões de roteiro para enfatizar os momentos chaves do filme, como a exibição de love of my life no rock in rio ser colocado em 1979 para pontuar o fim do casamento de Freddie.
  9. A cena final, o mini show do Live Aid é sensacional. Coreografia detalhada, reproduzindo a apresentação do Queen no festival.
  10. Por fim, a narração cristão por excelência: paraíso perdido, pecado, queda, inferno, arrependimento, conversão, morte. Gosto de pensar que Freddy Mercury está no céu. Seria a prova que qualquer um de nós pode conseguir.

Whitesnake: Come and Get It

A banda Whitesnake sempre foi uma das minhas favoritas, mas curiosamente não a sua versão mais famosa.

Estou lendo a biografia do Martin Poppoff, Sail Away. O eixo condutor é como Coverdale mudou sua banda da Inglaterra para os Estados Unidos para estourar com o disco de 1987.

Pelo caminho ficaram Mick Moody, Bernie Marsden, John Lord, Ian Paice, Neil Murray, entre outros.

Veio a fase hair metal. Antes, uma transição com Cozy Powell e Mel Galley.

Não é muito minha praia.

O Whitesnake que eu amo é o do Live in the Heart of the City.

Meu disco favorito? Come and Get It.

Slide it In foi o último disco deles que realmente me tocou.

Depois disso, pouca coisa me interessou. Confesso que tentei, muito. Mas escutar os acordes de Bernie Marsden em Don´t Break my Heart Again e Lonely Days ainda me comove até hoje.

A vaidade e o jornalismo

O jornalismo tradicional está sendo destruído pela própria vaidade. E é preciso que isso aconteça para que se restabeleça seu verdadeiro papel.

Talvez o marco zero da auto-destruição do jornalismo seja Watergate. Foi um episódio que fez de dois jornalistas, celebridades. A partir daí, todo mundo queria ser o novo Woodward e Bernstein. Todo mundo sonha em derrubar um governo.

Ao mesmo tempo, temos um jornalismo em grande parte ideológico, em que falar de viés de esquerda é um enorme eufemismo.

Para piorar, um caso mais típico no Brasil, temos a imbecilização provocada pelo completo domínio cultural da esquerda a partir dos anos 60, que acabou com o debate público e criou uma geração que nunca experimentou o contraditório.

Em resumo, temos jornalistas despreparados, ideológicos e, acima de tudo, vaidosos. Receita para o desastre.

Três exemplos recentes mostram bem o quadro.

Entrevista do Jair Bolsonaro no Roda Viva. Em vez de fazerem entrevista, os jornalistas queriam destruir a candidatura do Capitão. O resultado foi vergonhoso, pois ao tentar fazer política contra um profissional, coisa que Bolsonaro efetivamente é, tomaram uma surra. O Roda Viva nada mais é que uma plataforma para que jornalistas sejam a estrela do espetáculo a custa de um entrevistado, seja ele quem for.

Jim Acosta. Vejam o vídeo completo. Ele não faz uma, mas duas perguntas ao Trump. O presidente responde as duas. Acosta tinha perguntado porque Trump tinha chamado a marcha dos hondurenhos que atravessavam o México de invasores. Trump explicou sua posição e o uso do termo. Acosta diz que não concorda e resolve dar uma aula do que seja invasor para Trump. Quando é interrompido pois tratava-se de uma coletiva e tinha mais gente para perguntar, resolve fazer uma terceira pergunta, agora sobre a Russia. O interesse público na coletiva é Trump e não acosta. Para comentar a resposta, o espaço é outro.

Por fim uma entrevista de Jordan Peterson à britânica Helen Lewis. Peterson tem um best seller na praça, fruto de seu trabalho como psicanalista e acadêmico. Ao invés de fazer jornalismo, ou seja, entrevistar o cara, ele resolve debater com ele. Esse é o maior exemplo de vaidade. Ela quer discutir como se fosse uma acadêmica, no mesmo nível de Peterson. Logicamente toma uma surra.

São três quadros que mostram o mesmo fenômeno, uma vaidade que faz com que o jornalista se coloque como centro da atenção, tentando usurpar do entrevistado a audiência que ele está recebendo.

O jornalismo está em desgraça não por causa de ideologia, mas da vaidade de jornalistas que não possuem o conhecimento que julgam possuir. Sofrem do efeito Dunning-Krueger (possuem conhecimentos superficiais e, por isso mesmo, acreditam saber muito mais do que realmente sabem).

Eles estão cavando as próprias covas.

allthepres

Jornalistas no espelho

 

libertyemi

Olá pessoal!
Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

Um livro que estou terminei

A Coisa Não-Deus, do Alexandre Soares Silva. Como seria o paraíso baseado na cultura brasileira? Alexandre nos dá uma visão. Um local de anjos ateus que tem o prazer como valor e a frivolidade como consequência.

Discografia que estou revisitando

Whitesnake. Principalmente os discos do fim dos anos 70, os meus favoritos. Sempre achei bem melódico e interessante o som feito pelos guitarristas Bernie Marsden e Mickey Moody. Acho-os bem subestimados.

Um filme que revi

Breakfast Club (1985). Nunca canso de ver este filme; sempre encontro uma nuance nova que não tinha percebido.

Uma entrevista

A entrevista do Paulo Cruz no Imprensa Livre do Alexandre Borges (disponível no youtube) está imperdível. Trata principalmente do problema do racismo e de como o sequestro de uma agenda necessária pela esquerda fez mais mal ao movimento anti-racista do que trouxe qualquer benefício real.

Um pensamento

Um homem medíocre não acredita no que vê, mas no que aprende a dizer.

Olavo de Carvalho

Pedagogia da Autonomia

Saberes necessários à prática educativa
Paulo Freire, 1996
Editora Paz e Terra
Paulo Freire foi um dos mais influentes educadores brasileiros e publicou este pequeno livro um ano antes de sua morte. Pernambucano, dedicou sua vida ao estudo dos problemas da educação sob a ótica da pobreza e da indignação com as injustiças sociais.
Pedagogia da Autonomia é sua palavra final sobre o processo educativo de maneira geral, tanto para crianças quanto para jovens e adultos. É sua tentativa de dar um fecho ao seu pensamento, tentando colocar quais seriam os pontos para a prática educativa, que envolve tanto discentes quanto docentes. Sua mensagem é dirigida particularmente para os “professores progressistas”, justamente aqueles que estariam empenhados na busca de um novo mundo através da revolta constante contra as injustiças sociais e o domínio das elites. Seu alvo é o chamado “professor reacionário” que estaria preocupado em transmitir conhecimentos estéreis como forma de manter a população na ignorância para não alterar o status quo.
Para Freire, não há docência sem discência. Professor e aluno são igualmente sujeitos no processo ensino aprendizado e o grande papel do professor não seria transmitir conhecimento, mas ensinar o aluno a pensar certo. Para tanto, deveria estimular no aluno e em si mesmo a curiosidade que levaria de uma ingenuidade inicial para um estado de dúvida metódica ao dedicar-se com rigor à busca dos saberes de cada objeto. Outro ponto importante é que os saberes do educando deveriam ser respeitados e que seria fundamental o reconhecimento e a assunção da identidade cultural tanto do professor quando do aluno. O aluno teria que tomar consciência de que era explorado por um cultura capitalista e que tinha um papel ativo para não só se revoltar contra o sistema injusto, como para provocar uma revolução contra as elites dominantes.
Desta forma, ensinar não é simplesmente transmitir conhecimento, mas entender que o educando é sujeito de uma história em movimento, composta de processos dialéticos, condicionado por um sistema cujas principais ferramentas era o domínio midiático e o papel exercido pelos professores reacionários que transmitiam aos alunos a idéia de fatalismo deterministas, que se expressaria na constatação que a pobreza sempre existiria no mundo. A educação progressista era o instrumento para a mudança necessária à sociedade pois transmitia que a mudança era não só possível como uma questão de justiça.
Por fim, defende a especificidade humana da educação que exige segurança, competência profissional e segurança por parte do professor. Mais do que isso, exigia que o professor estivesse comprometido com o processo de transformação do mundo e que entendesse que a educação é essencialmente ideológica.
Lendo as páginas de Pedagogia da Autonomia senti uma grande tristeza pelo enorme desperdício de capacidade que a ideologia provoca em um intelectual. Freire consegue ver os grandes problemas que marcavam a prática pedagógica no Brasil. Realmente o processo ensino-aprendizado baseado inteiramente no professor e com alunos apáticos recebendo conteúdos era uma constatação de muitos casos. O grande problema de Freire, e de todos os que se deixaram levar pelos sonhos ideológicos, é que tudo que vê é filtrado pelas lentes da ideologia e o mundo que descreve começa a ficar longe da realidade.
Se lembrarmos de nossa escola, vamos perceber nitidamente que haviam professores autoritários como descritos por Freire, mas havia também uma série de bons professores e alguns deles de pefil autoritário. Longe de defender um modelo de ensino que teve sua época, e foi capaz de gerar toda a ciência moderna, a velocidade de informações do mundo moderno exige a gradual transformação da forma de ensinar, ainda mais quando se vai desvendando os processos mentais envolvidos na aprendizado, embora estejamos longe de entender realmente como conhecemos as coisas.
Ao dividir o mundo em classe exploradora e classe explorada, seguindo a utopia socialista, Freire se torna incapaz de ver o mundo e o resultado são as distorções que apresenta em Pedagogia da Autonomia. É capaz de condenar a influência da ideologia na educação, mas para ele a ideologia é o neoliberalismo; o socialismo seria apenas um grito de socorro dos oprimidos. A autonomia que defende é uma prisão mental, onde o indivíduo deixaria uma possível apatia fatalista pelas lentes ideológicas do processo revolucionário. Refletindo seriamente, qual a pior prisão?
As idéias de Freire estão na raiz da transformação que as escolas brasileiras foram submetidas nas últimas décadas a partir dos cursos de pedagogia e licenciatura: o professor autoritário e conservador que Freire enxergava foi sendo substituído pelo professor progressista cheio de boas intenções que considera ensinar português e matemática um coisa menor, o mais importante era educar para a cidadania, entendida aqui sob o ponto de vista revolucionário de inspiração marxista. Fica fácil entender como o Brasil chegou às questões do ENEM que cobra cada vez mais a visão progressista do mundo do que o conhecimento necessário para que a pessoa possa pensar por si mesma.
Freire parece ignorar que uma criança encontra-se em uma posição altamente influenciável por seu professor ao defender que este aproveite a prática pedagógica para mostrar sua visão de mundo e confiar que um “debate” entre professor e aluno levará ao conhecimento através do processo “dialético” que caracteriza o processo ensino-aprendizado. O que propõe é simplesmente o estupro ideológico, com todas as consequências que vemos hoje nas escolas do país, tanto públicas quanto privadas.
Fala-se muito sobre a transformação educacional no Brasil, talvez o primeiro passo seja extirpar dela os componentes ideológicos que foram instituídos a partir de idéias como as de Paulo Freire. Existem uma série de idéias aproveitáveis de seu trabalho, o que se faz necessários é limpá-las da ideologia e colocá-las a serviço da verdadeira educação, a que não está preocupada que o aluno aprenda a “pensar certo” sobre determinada ótica, mas que consiga pensar sobre a verdadeira natureza das coisas. O que sempre será impossível para uma mente formatada pela ideologia, pelo menos enquanto não se libertar das amarras que foram impostas pela “pedagogia da autonomia”.

1. Sobre o aumento do STF, o problema não é bem o salário dos ministros, mas o efeito em cascata. Na verdade, o senado não aprovou o aumento do salário deles, mas o aumento do teto dos servidores.

2. É o mesmo problema do salário mínimo. O problema não é o salário em si, mas a vinculação da previdência a ele. São vinculações que distorcem todo o sistema.

3. Particularmente, acho o salário de 40 mil INDECENTE para qualquer servidor público, juiz ou não. Isso é salário que só deveria existir na iniciativa privada.

4. O Brasil é uma imensa teia de privilégios (alguns até justificados), mas que estão conectados uns com os outros. Difícil gerir e controlar essa monstruosidade.

5. A única certeza mesmo é quem vai pagar a conta.