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Brasil: para onde vamos?

5e4259cddbd709fe02b3f1aee92b63c7O Barba está preso. Não sabemos por quanto tempo, mas está. O STF pode soltá-lo a qualquer momento, mas mesmo os ministros desesperados par tirá-lo de lá sabem que haverá consequências. A convulsão social não ocorreu; pelo contrário, houve comemorações. O grupo que se reuniu no sindicado em São Bernardo foi composto pela linha C dos aliados. Os grandes nomes se mantiveram à distância. Manoela e Boulous querem um naco de votos e nada mais. Sabem que não tem chances reais e estão na disputa apenas para ter um tempo de mídia. Os que tem chances, como Marina e Ciro, ficaram distantes e soltam declarações ambíguas.

O fato é que mais uma vez chegamos em um ponto que nos permite pensar em algo diferente. Mais uma chance é nos dada para começar a sair do poço sem fundo que nos metemos, mas aproveitaremos? Infelizmente, não temos homens públicos com capacidade para liderar o país em um êxodo do Egito, apenas algumas opções pragmáticas que podem fazer menos danos do que outras. Cada vez mais me convenço que, para variar, o Olavo tem razão. Sem uma nova elite cultural, nada feito.

Pelo menos temos este alento de ver nomes surgindo para formar esta nova elite. Se vão conseguir, é outra estória. Há muitos obstáculos. Há a tentação de ser aceito pelos mandarins de nossa cultura, erro fatal do último movimento a desafiar o status quo, o rock dos anos 80. Infelizmente, um a um, de Cazuza ao Paulo Ricardo, foram se ajoelhar e trocar tudo por uns afagos dos totalitaristas culturais que dominam o Brasil.

Isso tem que mudar. Sem a destruição da imerecida fama dessa turma, não temos para onde ir.

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O jornalismo brasileiro está mostrando hoje toda sua pusilanimidade com os acontecimentos relativos à ordem de prisão do barba.

Um ex-presidente, duplamente condenado por corrupção, líder popular, tem sua prisão decretada mostrando que ninguém está acima das leis. O jornalismo, que vive dizendo que sua missão é vigiar o poder, deveria estar eufórico. Pelo menos é assim na visão utópica do Spielberg em The Post. O que temos? Um clima de velório. Jornalistas de caras fechadas, mal conseguindo esconder a tristeza que estão sofrendo.

Para piorar, um líder sindical foi filmado empurrando um manifestante anti-Lula contra um caminhão em movimento. Qual a notícia? Que o manifestante sofreu um acidente. Imaginem se fosse um militante do PSOL! É uma vergonha.

Não chegamos ao fundo do poço por acaso. O jornalismo brasileiro é um dos grandes responsáveis pela corrupção que assola o país. Sem o salvo conduto dado por eles, a quadrilha ideológica-corrupta jamais chegaria tão longe.

Para passar o Brasil realmente a limpo, teria que chegar no jornalismo e no judiciário.

Talvez por isso o Olimpo esteja tão desesperado.

 

STF na berlinda

Independente da decisão que o STF vai tomar, uma coisa já ficou clara: o nosso supremo entrou para a mesma paçoca do nosso Congresso e Governo Federal. Sim, pois até pouco tempo, o STF pairava acima dos outros poderes como se fosse uma reserva moral, esquecendo que os ministros são produtos da relação espúria entre governos e senados.

Senadores tem pânico de se indispor com os futuros ministros, sabe-se bem porque, e na prática aprovam qualquer coisa que vier da presidência. O verdadeiro teste foi o Tófolli, um sujeitinho sem notório saber nenhuma que só foi indicado por ser advogado do criminoso mor da república. A partir da indicação dele, o governo viu que a porta estava escancarada e passou a ocupar os espaços com gente de confiança.

O atual time que forma o STF é a prova que as instituições não estão funcionando, porque se estivessem um presidente nem se atreveria a indicar certos nomes.

Pois agora o supremo caiu na boca do povo e parece que não vai sair tão cedo. Bem vindos à lama e se acostumem a conviver com o repúdios dos brasileiros! Vocês fizeram por merecer.

 

STF, o vigilante sem vigia

Eu sempre me pergunto, diante de uma cena como a de obtém no STF, o quanto é realidade e o quanto é teatro. Fiquei lembrando da cena de Tom Cruise provocando Jack Nicholson até que este explodisse de raiva, confessando um crime.

Gilmar Mendes é seguramente o mais impopular dos ministros do supremo. Parte de sua fama é merecida, mas não toda. Difícil negar sua ligação com o tucanato, mas o jornalismo o coloca como exceção e não como regra, ignorando o papel de outros ministros, como Dias Tóffoli ou o próprio Barroso. Os ministros do supremo chegam lá por uma disputa intensa pela indicação partidária do governo do turno, estabelecendo relações de dívida que são difíceis de precisar.

Do destempero de ontem, chamou-me atenção:

1. Barroso perdeu o controle depois de Gilmar Mendes chamar atenção para a manobra do colega de usar um forum reduzido, uma turma do STF, para avançar a causa do aborto.

2. Barroso reproduziu boa parte do pensamento do brasileiro médio, muito formatado pela mídia, sobre o colega. Tirando as ofensas, ele clamou por idéias. Como assim? Sempre pensei que o juiz tinha o papel de interpretar leis e aplicá-las aos casos concretos. Fórum de idéias para debater é do outro lado da praça, no congresso.

3. O jornalismo deveria se interessar pelo escritório do sobrinho do Barroso, mas não vai. Barroso é praticamente o Freixo de toga. Avança todas as teses caras de nossos jornalistas, como o aborto.

4. A cada dia que passa o STF vai rasgando suas vestes e ficando explícito que é uma doença para o país. Isso não vai acabar bem.

5. Parece que as edições dos jornais da TV deixaram fora o motivo da explosão do Barroso. Deveria ser item obrigatório para qualquer matéria. Toda briga tem que começar por um estopim.

No fim de tudo, um poder que não presta contas a ninguém. O equilíbrio, pela teoria dos três poderes, se daria por sua incapacidade de legislar. Só que pelo ativismo judicial ganhou este poder, o que desequilibrou a balança para seu lado. Caminho aberto para tirania.

Achei bem interessante as discussões acaloradas na internet sobre o melhor filme de 2017 (segundo Hollywood). Resolvi coletar as diversas opiniões para refletir sobre a questão que o filme levanta sobre qualidade artística.

  1. O filme é um desfile de minorias, todas vistas como pessoas boas no nível santidade.
  2. O vilão é uma caricatura que representa a visão da esquerda sobre o homem branco cristão. É machista, preconceituoso, com distúrbios sexuais e violento.
  3. Os que não gostam do filme é porque não aceitam que haja representatividade, que se dê voz às minorias.
  4. O filme é uma alegoria ao problema da aceitação do diferente. Rejeitar o diferente por ser diferente é tornar-se um monstro.
  5. O filme é um conto de fadas moderno que nos ensina o valor da tolerância.
  6. O filme apresenta a tese que qualquer relação sexual entre duas pessoas (?) tem que ser aceita sem restrições. Qualquer um que tenha reservas é porque tem algum problema moral.
  7. O filme é muito bonito, bem feito e interessante de assistir.
  8. O filme é bonito, mas vazio de conteúdo.
  9. O filme exige sensibilidade e capacidade imaginativa para ser apreciado.
  10. O filme abre caminho para a aceitação da zoofilia como natural.

 

Oscar 2018: Impressões

Minhas impressões sobre os filmes que vi até agora:

1. Dunkirk

A idéia é geniosa, usar três períodos temporais diferentes no mesmo espaço de tempo. O filme retrata muito bem o esforço do homem comum para salvar seus soldados e manter a esperança de uma vitória final. Só fiquei com a impressão que faltou um pouco de alma no filme do Nolan, algo que nos desse mais empatia com os personagens.

2. The Shape of Water

O filme é bonito e se você tiver na cabeça que ele é uma fábula sobre amar o feio para que se torne belo, uma estória eterna dos contos de fadas, é possível apreciá-lo. No entanto, se olhar pela chave do progressismo e perceber que o vilão é a caricatura que um liberal de Hollywood vê o cristão e que o sexo, desde que consensual entre as partes, tem que ser admirado como sagrado, vira uma bomba. Aliás, na primeira chave, o sexo estraga a estória. Del Toro pesou demais a mão no progressismo. Uma pena.

3. Darkest Hour

Em abril de 1940, muitas pessoas razoáveis consideravam seriamente a hipótese de fazer um acordo com Hitler e evitar a possível invasão à Inglaterra. O próprio Churchill flertou com a possibilidade e demonstra suas dúvidas no filme. O grande tema do filme é justamente este: devemos fazer um acordo com o mal para nos preservar? Quando Churchill consegue enxergar com clareza e centrar seu propósito vem a coragem para fazer o certo. Não importa o que as pessoas racionais digam, o mal tem que ser vencido. Custe o que custar.

4. The Post

Spielberg sabe contar uma estória e nos convencer do que estamos vendo, mas na parte final pesou demais ao retratar todos os jornalistas como pessoas com altos ideais que só querem vigiar o poder para proteger o povo americano. Uma passada de pano desnecessária para a imprensa quando poderia ter se concentrado mais discutir o dilema moral que realmente existiu. A divulgação dos documentos secretos do pentágono prejudicaria os Estados Unidos em uma época que estavam em guerra e soldados morrendo? Ao invés de responder com um sonoro não baseado na pureza da imprensa, poderia ter deixado a questão mais aberta. Seria, aí sim, um filme gigante.

5. Lady Bird

Pouca gente percebeu um detalhe importante do filme: Lady Bird não era católica. Você só percebe isso quando ela cruza os braços na hora da comunhão. A diretora Greta Gerwin poderia ter feito um filme fácil, criticando o colégio católico pelos problemas da heroína, mas fez justamente o contrário. O catolicismo do colégio foi um apoio em um momento difícil de amadurecimento e no fundo, a questão de Lady Bird é uma das principais do ser humano: aceitar-se. O fato de ter sonhos não significa abandonar tudo que você é para realizá-los. No fim, Catherine vence Lady Bird.

6. Three Billboard outside Ebbing Missouri

O filme se inspira claramente nos contos de Flannery O’Connor, que retrata o efeito da maldade na sociedade e a oferta da graça, geralmente recusada. Há uma expressão em inglês intraduzível chamda “single minded”, algo como mente fixada em um único pensamento. Ela quer vingança pela morte de sua filha, custe o que custar, sem se importar com ninguém no seu caminho, mesmo o filho e um homem bom morrendo de câncer. A desproporção de seus atos fica evidente em seu ato de terrorismo. Difícil ter empatia com ela, que no início parece até racional e simpática. Dixon, por outro lado, começa como o pior dos seres, mas aos poucos vamos criando empatia por ele ao perceber algo que apenas o xerife tinha percebido, há algo de bom nele querendo ir à tona. A graça aparece para ele na carta de Bill e acho que apareceu para Mildred na forma do anão. Infelizmente só um abriu as portas para ela.