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Estamos sempre achando que a grama do vizinho é mais verde. Tendemos a pensar que nosso trabalho é o mais difícil, que nosso salário é o pior, que as coisas não dão muito certo para nós.

Entretanto, quando temos abertura, ficamos sabendo que o vizinho pode estar com problemas muito maiores do que os nossos. Que o que considerávamos grave, é coisa da vida, dificuldade que temos que superar.

Estou com um amigo numa UTI combatendo um câncer; uma outra amiga lidando com problema de depressão pesado dos filhos; outra vivendo 24 horas em função da mãe que se recupera de uma AVC e sofreu maus tratos da cuidadora.

Temos que dar graças a Deus, mesmo.

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Em O Trabalho Intelectual, Guitton defende que nossa inteligência vive mudando do fato puro para a idéia pura; e que nenhuma das duas existe. Um fato sempre representa alguma idéia e a idéia surge de uma multidão de fatos.

O trabalho intelectual é justamente de relacionar as duas coisas. Como a idéia se materializa nos fatos e como os fatos nos conduzem a uma idéia.

Pelo menos, foi o que entendi.

Irmã Wendy e as pinturas

Interessante como um bom livro puxa muitas coisas. Lendo Magnitezed By God, do Padre Lauder, fiquei conhecendo a Irmã Wendy, que apresentou uma série na BBC sobre a história da pintura.

Tem no youtube. Infelizmente, tem que entender inglês.

Finalmente assisti Green Book, o último vencedor do Oscar. Minhas notas:

1. Belíssimo filme. O Oscar acertou dessa vez. Melhor que todos os que assisti da lista deste ano (ainda não vi A Favorita e o filme da KKK).

2. Uma pessoa vítima de preconceitos pode ser também preconceituosa.

3. A saída não é a violência e nem o vitimismo. É manter sempre o senso de dignidade humana, mostrando o absurdo da situação.

4. A verdadeira amizade é aquela que melhora constantemente os amigos. E existe o momento que eles precisam ser duros um com o outro.

5. Fui escutar um disco do Don Shirley. Absurdo de bom.

6. Deu vontade de comer KFC.

7. A américa foi construída também por imigrantes, mas imigrantes que assumiram a cultura americana como suas.

Fazia tempo, mas aqui estamos novamente. Cinco notas fresquinhas!

1. Uma peça que terminei: Hedda Gabler (Ibsen). Vou confessar uma coisa. Ibsen é o autor que amaria odiar. Não consegui. Foi um gênio absoluto. Hedda é uma das personagens mais fascinantes de toda história do teatro. Mesmo.

2. Um disco que ando escutando: Master of Reality (Black Sabbath). Animado pela leitura da biografia do Mick Wall sobre o Sabbath, escutei várias vezes este disco. O primeiro gravado sem sobras da época de clubes, com composições feitas especificamente para o disco. Pesado.

3. Um livro que estou lendo: Magnetized By God (Padre Robert Lauder). Eu conheci o trabalho do Padre no youtube, onde ele comenta livros que tratam de temas católicos, ou como gosta de dizer, do mistério católico. O livro é curto, mas sensacional. Trata das artes e como elas podem refletir um convite de Deus para que nos juntemos a Ele. Coisa fina.

4. Um local para Happy Hour. Desde que voltei à Brasília tenho experimentado restaurantes e bares que não conhecia. Um deles está se transformando rapidamente em nossa casa. O Beer Club, na 402 sul. Cervejas especiais, um ótimo ambiente, bom atendimento e boa música. Excelente combinação.

5. Um pensamento

If we “listen” to art we may hear God’s voice

Padre Robert E Lauder

 

Blanchet como Hedda

Outro dia um colega comentou com orgulho em um grupo zap que estava oito da noite despachando processos.

Se tem uma coisa que nunca senti orgulho na minha vida foi de trabalhar depois do expediente, especialmente se o assunto é rotina.

Em situações emergenciais tudo bem, mas fazer de sua rotina ficar horas depois e ainda se orgulhar disso?

Estou fora.

Se precisássemos escolher um único problema para caracterizar a nossa educação qual seria?

Esta semana assisti uma palestra na ENAP do Ricardo Paes de Barros sobre políticas públicas baseadas em evidências. Um dos inúmeros gráficos apresentados me chamou particularmente atenção: a relação entre escolaridade e produtividade.

Em todos os países observados, o aumento de escolaridade corresponde ao aumento de produtividade. Pode ser uma subida suave, como no Chile. Uma mais agressiva, como em Singapura; ou um extremo, como a Coréia. Porém todas relações são ascendentes. Exceto uma.

O Brasil conseguiu subir bastante em grau de escolaridade sem aumentar sua produtividade. Caso único no mundo.

Brasil, o tipo zero

Contou o palestrante, que ao mostrar este resultado em um congresso internacional, um burocrata estrangeiro se aproximou e disse que gostaria de estudar o modelo brasileiro. Paes de Barros pensou que se tratava de alguém querendo aprender com nossos erros. Mais a afirmação seguinte foi surpreendente.

__ Quero copiar para o meu país.

__ Mas, por que?

__ O Brasil foi o único país no mundo que conseguiu fazer educação sem servir ao capitalismo.

Taí, nessa frase nossa miséria. Não conseguimos converter educação em produtividade, valor, riqueza. Somos o país que educar é um verbo intransitivo, sem objeto direto.

Paulo Freire teria orgulho de nós.