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Quando se gosta de cinema, e de filmes chamados “de arte”, há sempre uma tentação de se olhar com superioridade, como se fosse o intelectual cinéfilo que enxerga o que os simples mortais são incapazes de ver.

Bobagem.

Cinema é entretenimento. Pode ser algo mais? Pode, mas na sua essência é arte visual para as massas. Uma coisa não exclui a outra.

Este fim de semana queria distrair um pouco a cabeça dos problemas do dia a dia. Escolhi, pena enésima vez, ver Um Lugar Chamado Notting Hill. Comédia romântica? Pessoalmente acho este rótulo uma bobagem. O que importa é que é sim um grande filme. E continuo achando que Julia Roberts jamais esteve tão bela.

O que dizer daquela cena de havaianas dizendo que no fundo é uma garota pedindo a um garoto que a ame?

Quer saber? No fundo é isso mesmo.

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Coração destroçado

Sabe quando você é rejeitado por alguém que você ama e depois de um tempo, sem ainda ter curado suas feridas, você tem que encontrar esta pessoa e tenta mostrar superioridade?

O resultado é um retumbante fracasso. Você planeja o que vai fazer e toma decisões erradas com uma rapidez extraordinária, terminando por fazer um papel patético e deixando claro que a pessoa tomou a decisão certa de te deixar. Com alguma sorte pode pelo menos aprender uma grande lição: que se você precisa se fazer de superior é porque não é. E que a melhor coisa a fazer é ser prudente e evitar contato enquanto está emocionalmente arrasado.

O filme Nunca Convide seu Ex está no netflix e mostra bem isso. Se você nunca passou por esta situação, provavelmente não vai gostar do filme e vai achar as situações muito forçadas. Mas se você já passou… meu irmão… é daquele jeito mesmo. É vergonha em cima de vergonha.

Eu tenho na minha memória afetiva o papelão que fiz em Campinas, vinte anos atrás. O filme me fez voltar no tempo e remoer as tristes lembranças que tenho daquele período em minha vida. Eu não tinha a menor condições de confrontar minha ex e insisti. Que papelão!

Você tenta provar que ela estava errada em te trocar e termina dando a ela a certeza que tomou a melhor decisão. Patético é pouco.

O caos brasileiro

A corrupção da inteligência foi tão profunda no Brasil que terminou gerando uma geração de estúpidos, entendido aqui no sentido dado por Eric Voegelin de pessoas incapazes de lidar com a realidade, inclusive nos seus aspectos mais básicos.

Os chamados especialistas, figuras constantes nas bancadas jornalísticas, desferem números e opiniões absurdas sem a menor contestação, sem qualquer crítica de jornalistas que aplaudem qualquer posição que seja a favor de certa visão de mundo e descartam o que contraria esta visão, ainda dominante.

O resultado é uma cobertura jornalística caótica, que enterra-se, com muita justiça, a cada reportagem e programa. O que Gramsci não viu em seu programa cultural é que os próprios corruptores se tornariam tão alienados quanto os corrompidos. Ao propor transformar uma geração em zumbis do partido, as melhores mentes do próprio partido se tornaram também zumbis. A contaminação é quase total. A esquerda está perdida porque é conduzida por estúpidos que ela própria formou.

No entanto, aqueles que souberam resistir, muitas vezes se colocando a margem de todo esse processo, estão encontrando caminho livre, em um ambiente de terra arrasada, para espalhar suas idéias, o que se constitui em um enorme risco.

O problema é que eles não encontram adversários capazes de discutir, e acabam falando sozinhos para uma massa que não os compreendem. Além disso, como já se mostrou na história, conhecimento nem sempre vem acompanhado de moralidade. Há muita gente com idéias corretas mas sem ética suficiente para ocupar o espaço público, tratando a política como se fosse uma missão divina particular. Acabam por desacreditar as próprias idéias por causa de forma como as praticam.

Não se enganem. Vivemos o caos. Nossa esperança é que deste caos saia alguma ordem verdadeira. Caso contrário, ficaremos entre religiões políticas com visões diferentes de paraíso, mas capazes de causar males imensos às pessoas comuns, que tem apenas o bom senso a guiá-las. Vivemos uma encruzilhada cultural no Brasil que quase ninguém percebe, mas que terá profundo impacto para as próximas décadas. Infelizmente, o que mais está faltando nesta hora é algo que os ingleses chamaram de senso comum. Vivemos uma época história em que todo mundo se julga senhor da razão e quer impor suas opiniões a todos os outros. Esta é a rebelião das massas que Ortega y Gasset alertou e que ninguém entendeu direito, pois interpretaram massa no sentido econômico e quantitativo, sem refletir na definição que ele deu de homem-massa. Para Ortega, homem-massa era justamente aquele incapaz de refletir e ponderar, que achava-se no direito a ter a opinião que quisesse e mais ainda, de impô-la a todo mundo.

Não precisamos mais do que cinco minutos nas redes sociais para entender o que Ortega estava nos dizendo. O Brasil virou uma gigantesca discussão em que todo mundo está convencido que a sua opinião está correta e que todos os outros estão errados. O resultado?

O caos.

Trapeze

Ontem estava escutando o vinyl do disco Meduza, do Trapeze.

A banda é conhecida por revelar músicos que depois integraram grandes bandas de rock. Glenn Hughes entrou em 74 no Deep Purple e depois construiu sólida carreira solo. Mel Galley tocou no Whitesnake na transição de uma banda de blues-rock para o hair metal. Dave Holland foi o homem das baquetas no Judas Priest dos anos 80.

Falar dos dois primeiros é chover no molhado, mas gostaria de destacar o que o Dave Holland fazia no Trapeze. Uma bateria cheia de swing e viradas, bem diferente do estilo marcial da época do Priest. Tocava uma barbaridade.

E o disco? Um dos grandes do rock setentão. Para ouvir e ouvir muitas vezes.

Nasce uma Estrela

Enfim, depois de quase um mês lutando para ter a net instalada em novo endereço, vi Nasce uma Estrela.

O filme é muito bom. Dos cinco que vi para esta temporada do Oscar, achei o melhor _ faltam o da KKK, o que ganhou e os das mulheres. Muito bem feito, honesto e com uma boa meditação sobre o sucesso e a música como expressão dos sentimentos.

Na essência, Jack tem um problema muito sério de comunicação, e talvez por isso mesmo o principal critério que usa para julgar a música é a letra. O arranjo é uma forma de trazer o que o artista quer expressar para o grande público.

Observem a cena que ele confronta Ally na banheira. Ele tenta dizer isso para ela, mas não consegue. Termina chamando-a de feia, o que evidentemente ele não acha. Curiosamente é o único insulto que a ofendeu. No meio da verborragia, ele tentava mostrar que o talento dela como letrista e compositora estava sendo esmagado por uma fórmula pasteurizada de sucesso. Ela estava abrindo mão de si mesma para ser popular.

Essa é a grande lição do filme. Ser verdadeiro, não importa o que digam. Ela está disposta a abrir mão de turnê, sua imagem, relação com empresário por algo que para ela tem mais valor: cuidar da pessoa que ama.

Trata-se da essência de uma história de amor e é disso que se trata o filme. O quanto estamos dispostos a abrir mão pelo que realmente amamos. E também do quanto podemos nos destruir por não saber comunicar este amor.

A polêmica do twitt de Bolsonaro se deve, em grande parte, à incapacidade da mídia entender que ele está realmente empenhado em uma luta cultural. Em uma situação normal, onde a cultura de um país está mais ou menos intacta, cabe ao governante apenas agir politicamente, pois os caminhos que deve seguir estão mais ou menos dados na própria cultura.

Não é o que acontece no Brasil. A cultura está tão deformada por anos de dominação esquerdista que há praticamente pouco espaço para um governo conservador poder atuar. Isso acontece porque a cultura estabelece os limites da atuação política. Quando se aceita, por exemplo, que o criminoso é um coitado que não teve uma boa chance, que é uma vítima da sociedade, não é possível pensar em soluções como penas severas para criminosos, legítima defesa, construção de mais presídios, todas pautas conservadoras. Para que esta solução seja aceita, é preciso antes quebrar esta narrativa e chamar atenção para a responsabilidade individual do criminoso.

Isso é trabalho para os agentes culturais, para aqueles que produzem realmente uma cultura autêntica, capazes de se relacionar com a realidade.

O problema de Bolsonaro é que esta gente praticamente não existia no Brasil até pouco tempo atrás. Graças ao esforço de gente como Olavo de Carvalho, há uma leva de pensadores surgindo no país, mas leva um tempo para que estas idéias se tornem dominantes e possam regir a política de uma forma mais natural. Só que ele não tem esse tempo. O Brasil não pode esperar uma geração para que medidas urgentes possam ser tomadas.

A mídia não entende nada disso porque vive em outra realidade, onde a cultura e as instituições estão funcionando. Sabem por que Bolsonaro chamou atenção para a cena deplorável do golden shower?

Porque a mídia não o faz! Cenas como esta não são novas, mas a mídia se nega a mostrá-las porque coloca o politicamente correto em mal lençóis. As autoridades também não fazem nada porque não querem ficar mal com esta gente. É preciso um Presidente da República fazê-lo por causa do silêncio dos formadores de opinião.

É a resposta que eu daria, por exemplo, à Vera Magalhães. Ela acusa Bolsonaro de faltar com o decoro. Pois, em parte, ela tem razão. Só que em um país razoavelmente funcional seria ELA quem teria se manifestado com uma cena destas. Mas ela não o faz. Nem com esta e nem com outras semelhantes. Se omite porque no fundo quer ser respeitada pelos outros jornalistas e não “pega bem” expor comportamentos como daqueles “rapazes”.

Bolsonaro está em outra chave. Ele entende que não basta agir politicamente, tem que furar os falsos consensos e mostrar a realidade para o povo brasileiro. E a realidade é aquela do vídeo que compartilhou. Gostem dela ou não.

Hitler e os Alemães: parte VIII

Mais um vídeo no Paideia sobre o livro de Eric Voegelin.

https://youtu.be/nO89JIpcOGE