Feeds:
Posts
Comentários

 

Para mais vídeos como esse: http://bit.ly/PaideiaYoutube

O professor e crítico literário Rodrigo Gurgel recentemente gravou um vídeo com 12 dias para um escritor:

 

Reproduzo abaixo a lista e meu entendimento sobre as principais idéias que ele apresentou no webinário:

1. Escreva para um determinado leitor
Não tenha pretenção de escrever para todos. Imagine o leitor que você quer atingir, nem que seja você mesmo. É para ele que você vai escrever.

2. Escreva sobre o que você conhece
Quanto mais você conhecer sobre um assunto, uma situação, um sentimento, mais segurança você terá para escrever.

3. Tenha um ritual de trabalho
Temos uma ilusão romântica de que o escritor é 100% inspiração, que escreve apenas quando tem idéias. Não é bem assim, há trabalho duro envolvido e uma rotina facilita as coisas. Separe um horário para escrever todos os dias.

4. Não estabeleça metas impossíveis
Associada a uma rotina, há metas. Não procure o impossível. Se for 30 minutos por dia, que seja. O importante é uma meta que consiga alcançar.

5. Não se preocupe com os grande escritores
Não se preocupe se está parecido com os escritores que admira, nem se não conseguir escrever como eles. Sua voz vai aparecer naturalmente, apenas persista.

6. Não fique pensando nos seus limites
É fácil desistir se pensar demais nos seus limites. Não pense tanto neles e prossiga com o foco em suas qualidades.

7. Treine seu poder de observação
Um escritor está sempre atento ao que está acontecendo a seu redor. Seja em casa, na rua, nos jornais. Você nunca sabe quando vai surgir uma idéia para aproveitar.

8. Anote tudo, não confie na memória
Um escritor tem sempre um caderninho, ou um celular, em condições de anotar idéias, que costumam surgir a qualquer momento. Não confie que vai lembrar depois.

9. É preciso planejar o que escrever
Novamente, rejeite a idéia que um escritor é 100% inspiração. Planeje o que vai esconder; faça esquemas, desenhe. O importante é saber onde se quer chegar.

10. Não procure ser um literato
Infelizmente a crítica literária foi tomada por uma ditadura da novidade e da complexidade. Escritores, especialmente no Brasil, só querem escrever para outros escritores, trocando elogios em um ritual de enganação. Procure escrever uma boa estória, é isso que o público quer.

11. Não se sinta sozinho
Procure alguém que leia seu trabalho, que possa dar conselhos ou mostrar pontos que não conseguiu compreender. Pode dar uma luz sobre pontos que não pensou a respeito.

12. Leia sempre
Não existe bom escritor que não tenha sido um bom leitor. Leia sempre, mas leia com qualidade. Anote as soluções que os grandes escritores usam, entendam como resolveram suas dificuldades.

A luz de São Tomás

No Brasil tenho a impressão que não importa o que você faça, se você disser que está lutando por justiça social terá simpatia imediata. Ou seja, as ações substantivas valem muito menos que o discurso. Se este estiver correto, pode-se tudo. É a velha discussão de que os fins justificam os meios.

São Tomás de Aquino, que foi muito mais sábio que todos nós, até porque era mais humilde, ensinava que uma ação tinha que ser justa nos meios e nos fins. Toda sua filosofia teve como centro a questão substancial e por isso mesmo jamais se deixou enganar pelas aparências. Ele tinha uma profunda reverência pela realidade e isso era a raiz de sua absurda sanidade. Desde que nos interditaram de tentar saber como as coisas são em sua essência, vivemos nesse mundo de sombras, tateando no escuro.

Todo o gigantesco esforço dos medievais em nos tirar da caverna de Platão foi revertido pelos filósofos modernos, que não só nos trouxeram de volta para a caverna como trataram de nos acorrentar com ainda mais força para que não saíssemos de lá nunca mais. O homem medieval foi capaz de vislumbrar a luz fora da caverna enquanto o homem antigo achava que a fogueira era a luz. O homem contemporâneo, filho do homem moderno, foi convencido que não há luz; e não consegue entender porque vive em desespero.

Você sabia que no Livro Dom Quixote, o cavaleiro da triste figura realiza três expedições diferentes? Sabe o ensinamento que Eric Voegelin tirou dessas diferentes expedições?

Para mais sobre Voegelin, acompanhe no youtube: http://bit.ly/PlaylistVoegelin

 

os personagens

Quando esses três feras comemoraram em 2009 a escolha do Rio de Janeiro, imaginaram o palco perfeito para a glória de um projeto nefasto de poder. Nenhum dos três têm condições morais de sequer chegar perto do palco de abertura; são repudiados pela esmagadora maioria dos brasileiros.

Só por isso já vale as duas semanas de pão e circo que teremos a partir de hoje. Até porque só começamos a pagar o descalabro dos gastos públicos que sustentaram essa farra. Vai doer muito, ainda.

 

Conversando com Deus

pray-1492815_640

Os bons filmes não foram feitos para serem vistos, mas revistos. O motivo é simples: não há como darmos atenção para todos os detalhes que eles nos revelam. Por mais simples que sejam as estórias há nuances que nos exigem mais atenção que somos capazes de uma única vez. Por exemplo, há uma cena em Toy Story 3, o melhor da série, que um Andy adolescente, que há tempos não brincava com seus brinquedos, diante do encanto de uma garotinha, senta com ela e brinca, como se fosse novamente criança. Os filhos são uma oportunidade de recuarmos no tempo para relembrar o encanto que um dia tivemos.

Outro dia, assisti com minha filha de 12 anos um desses filmes guardados em algum escaninho da memória: o Feitiço de Áquila. Ela ficou encantada, mas para mim, que assistia o filme depois de tanto tempo, o olhar era outro: prestava atenção justamente no que me escapara anteriormente. E o que despertou minha atenção foi o ladrão Phillipe Gaston. Ou, sendo mais preciso, do diálogo dele com Deus.

Chega a ser curioso que um filme que tem a religião, ou a sua corrupção, como um dos temas centrais, as meditações mais significativas sejam justamente dele. Phillipe é um ladrão simplório, que tenta se virar em um mundo dizimado pela fome, mas que tem uma característica singular: fala o tempo todo com Deus. Mas não só isso, é sincero em sua conversa. Ele não tenta enganar ou iludir __ sabe que está pecando __ só espera que Deus seja misericordioso com ele no fim. Em outras palavras, ele O respeita.

Quantos de nós somos capazes disso? Eu não tenho um diálogo como o de Phillipe. De alguma forma esse pensamento me incomodou. De que adianta ter fé se não vivemos de acordo com ela? Acredito sinceramente que Deus está sempre presente conosco; mas, se realmente creio nisso, por que não converso com Deus como ele? Por que não sou tão sincero?

A grande transformação que acontece no filme é justamente a do jovem ladrão. Aliás, um trabalho excelente de Mathew Broderick. O Phillipe que começa o filme não é o mesmo que termina. Se no início era cheio de ironias para esconder suas culpas, vai se tornando cada vez mais humildade a ponto de chegar à prece mais sincera. E o que o levou a tamanha transformação? Minha resposta está justamente na abertura da alma que o diálogo com Deus nos leva. Ao se deparar com o drama de Navarre e Isabeau, o jovem se deixa levar pela beleza dela, mas logo se rende ao amor entre os dois. É uma relação que transcendeu o entendimento que ele tinha do mundo. Ao invés de rejeitá-lo como alguma bobagem sentimental, como o espírito muito moderno faria, ele se abre a essa realidade e sua própria vida ganha outra referência. Pela primeira vez ele deixa de ser o centro da sua existência, o ego, para entender que faz parte de um mundo que o envolve, e quando assim procede torna-se coadjuvante, o que lhe confere uma dimensão mais verdadeira de sua própria existência.

Se no início do filme ele só se interessa em ter vantagens, no final está disposto a se sacrificar para garantir a felicidade daqueles que ama. Não um amor egoísta, mas o amor de amizade que tanto falava Aristóteles. Se não nos abrirmos ao diálogo com a transcendência seremos egos que só conseguem enxergar o mundo a partir dos benefícios pessoais. O caminho da salvação passa pela sinceridade, pela coragem de afirmar aquilo que é. Essa lição simples é o primeiro passo para nos guiar no mundo de hoje, que esconde a verdade com camadas de impostura, muitas colocadas por nós mesmos.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 218 outros seguidores