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Algumas observações sobre o que vi no Rio de Janeiro nestes 4 anos que estou na cidade.

1. O carioca desistiu. Já não acredita que as coisas podem realmente melhorar, que há algum futuro. Não há esperança e Dante nos ensinou que inferno é justamente o lugar onde a esperança não entra.

2. A situação é de colapso generalizado. Todos os sistemas públicos faliram, incluindo segurança. A bandidagem está cada vez mais audaciosa, testando os limites e descobrindo que eles não existem.

3. Não me parece que o pior já passou. Creio vivemos uma espécie de antecipação de algo ainda muito ruim ainda por acontecer.

4. Não sei até que ponto pode-se dizer que o Rio de Janeiro é uma lupa ampliada dos problemas brasileiros. Não existe cidade hoje, pelo menos de médio ou grande porte, que não tenha problemas com violência. Se isso for verdade, podemos concluir que o Rio de Janeiro é a antecipação de problemas que ainda vão se tornar mais agudos em outros lugares.

5. Por muito tempo o Rio se beneficiou da exploração do petróleo. Essa época acabou com a divisão do royalties. Não voltará.

6. Sem indústria forte ou vocação empreendedora, o Rio tem como potencial a ser explorado o turismo e a cultura. O potencial turístico é afetado fortemente por fatores como violência urbana, falta de empreendedorismo, limpeza pública, organização, qualificação de mão de obra, infraestrutura e transporte urbano deficiente. Na base destes e outros problemas do Rio de Janeiro está a violência urbana. Não acredito que qualquer atividade econômica sustentável possa se desenvolver em um ambiente marcado por profunda insegurança.

7. A presença da Rede Globo no Rio de Janeiro é um forte fator para disseminação de uma cultura de glorificação de criminosos e da tese que a violência é consequência da pobreza e da desigualdade social. O mais nefasto desta tese é que conclui que não se deve combater o banditismo e sim eliminar a desigualdade social, o que resultará, em um passe de mágica, no fim da violência. A crença de que pobreza gera violência está consolidada. Acredito no contrário, que violência gera pobreza. Não imagino nenhuma solução para a cidade que não comece por eleger a segurança pública como ação principal.

8. Além disso, os programas populares da Rede Globo, como as novelas, reforçam condutas pessoais que, adotadas pelos mais pobres, produzem famílias rompidas, crianças sem proteção dos pais e perpetuação da pobreza. Pobre não tem psicólogo, clínicas de desintoxicação, condições financeiras de criar filhos sozinhos, etc. A família sempre foi a principal proteção dos mais pobres. Está em ruínas.

9. A cultura, que seria outro potencial do Rio de Janeiro, está tomada por uma classe de artistas que defendem o que existe de mais retrógrado na conduta humana e defendem, sem pedor, ideologias que nunca funcionaram em lugar nenhum e que, quando adotadas, só produzem multiplicação da pobreza. Trata-se de uma classe artística ignorante e bárbara, que não faz nada além de perpetuar sua própria ignorância.

10. O carioca não admite que falem mal da cidade. Relevam tudo para não macular o orgulho de achar que moram na cidade mais bonita do mundo. Já escutei frases como “violência tem em todo lugar”, “deu sorte, podiam ter te matado”, “é só não dar mole”. Essa atitude faz parte da cultura que vai transformando a cidade no que estamos vendo.

Em resumo, o Rio de Janeiro está beirando o caos e há uma sensação crescente que o pior ainda está por vir.

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Fragmentação

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Leituras cada vez mais fragmentadas, cheias de hyperlinks. Vídeos de youtube, palestras de 20 minutos, conversas por whatsapp, tudo caminhando para o máximo de consumo no mínimo de tempo.

Curiosamente, somando tudo, usamos cada vez mais tempo para nos ocupar de coisas cada vez mais fragmentadas. Não sei como articular bem o problema, e nem sei se é problema, mas jogo esses pensamentos para tentar achar alguma ordem geral nisso tudo

Se estamos nos ocupando cada vez mais de coisas fragmentadas, o que isso significa? Quais as consequências?

Reclamamos que não temos tempo para ver um filme de duas horas, e por isso ficamos vendo pequenos vídeos do youtube. Somando todos esses vídeos, passa fácil de duas horas. O mesmo vale para outras mídia. Nunca temos tempo e por isso vamos para o facebook, twitter, instagram, etc.

Estaremos nos ocupando de quantidade em detrimento de qualidade?

Por enquanto, apenas começo a perceber que talvez exista um problema sério na contemporaneidade.

Sócrates nos ensinou que a filosofia começa com o espanto, de algo que não conseguimos entender e que o senso comum não nos satisfaz.

Estou nessa fase.

Desabafo

Estou de saco cheio.

Existem pessoas que não admitem que você fale em civilizações mais avançadas do que outras. No entanto, se seu país não aceita que se mate bebês, idosos, ou que as pessoas possam se drogar na boa, você mora em um país atrasado. Os ditos países mais avançados do globo, segundo estes mesmos que dizem que todas as culturas são iguais, praticam algo muito próximo da eugenia, mas atrasado é você que defende conceitos superados como família, tradição e religião.

Estou sinceramente cansado de defender livre mercado contra pessoas que defendem o socialismo, ancorados em polpudos salários pagos pelo estado e com aposentadoria top. Nenhuma religião presta, desde que esta religião seja a de Cristo. Qualquer outra é sinal de avanço e progresso.

Liberdade de expressão? Claro. Desde que seja para dizer o que estes iluminados pensam. Falar em verdade é superstição, coisa de atraso. Mas tudo que estas pessoas falam é sinal de verdade. Você deve duvidar de tudo, dizem elas, menos o que eu estou te dizendo.

Eu não posso mais dizer algo que está escancarado, a vistas de todos, se esta realidade pode ofender alguém mais sensível. Mas se o ofendido for alguém ou algo identificado com alguma suposta perseguição do passado, tipo homem branco cristão, aí pode. Vale chamar de assassino, estuprador em potencial, desumano. Absolutamente tudo. 

Por isso parei de discutir publicamente sobre um monte de coisas. Estou de saco cheio. O mundo foi tomado por hipócritas e não vai mudar tão cedo.

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D Pedro I era um jovem voluntarioso, que tinha seus ideais de grandeza. Queria, como todo príncipe, ser um estadista, definir os rumos de uma nação.

Leopoldina era a herdeira de uma tradição. Ela tinha a perfeita noção do sentimento do dever, talvez o valor mais importante para um verdadeiro líder. Junto com Joaquim Nabuco, que representava os ideais de uma verdadeira democracia representativa, ela estava ao lado do Imperador para apontá-lo para o caminho certo.

Só que do outro lado, havia Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. Ela representava a sensualidade, o agora, a urgência, o sonho de grandeza sem esforço, a política dos protegidos, a falsidade do próprio título. Ela era a mais bela, a mais interessante.

D Pedro rejeitou Leopoldina, que morreu de desgosto por não ter mais influência sobre o marido. O dever é sempre chato e feito; o prazer é belo.

O Brasil foi fundado neste episódio e vive nele até hoje.

Somos D Pedro que eternamente escolhe a Marquesa de Santos em detrimento de Leopoldina.

A disputa do nada

A física nos ensina que onde há trabalho, há atrito. Essa lei é uma constante nos ambientes corporativos, especialmente quando se está realizando algo de relevante. Pensamos diferente, divergimos, disputamos espaço e temos soluções diferentes para os problemas. Muitas vezes esses atritos contribuem para soluções melhores, mas muitas vezes, não. Infelizmente temos em nosso coração uma certa dose de vaidade, o que é próprio da condição humana. A Bíblia chama isso de pecado original e quem achar que está livre desta marca ainda não começou a entender  o que somos.

É uma infelicidade quando duas pessoas, impulsionadas pela vaidade, se dedicam a querer provar que estão certas e a outra, errada. A tragédia é que trata-se de uma disputa em que ambos perdem. Vamos supor que eu prove que estou certo, o que acontece? A outra pessoa tem o orgulho ferido, o que só aumenta seu ressentimento. Eu fico com a euforia de ter provado minha superioridade e com o pior mal dos dois, o reforço da minha vaidade. Ao fim, nenhum de nós estará mais próximo do outro e ambos fracassaremos em algo muito mais importante do que essas disputas mesquinhas, e que nem imaginamos estarmos enfrentando, o eterno desafio de amarmos uns aos outros. 

É um espetáculo triste de ver, especialmente quando são pessoas que gostamos. Parece que nada que dizemos faz a menor diferença; estão cegos pelo ressentimento mútuo. Uma pena. 

O pior é que muito depois, quando entendermos a verdadeira perspectiva das coisas, perceberemos que tudo aquilo que parecia tão importante no momento era pequeno. Teremos aquela sensação de energia que foi gasta por tão pouco. 

Poucas coisas são realmente importantes na vida. Tragicamente gastamos grande parte do nosso esforço nas coisas que pouco importam, ou que não importam nada. Se me perguntarem a minha receita pessoal da felicidade eu responderei que começa por identificar o que realmente importa e jogar de lado tudo o mais. 

Enquanto isso não acontece, somos um bando de idiotas disputando o nada. 

Brasília, uma agressão

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Brasília é um atentado contra o indivíduo. Um monumento ao stalinismo, produto da mente de um comunista, que faz o homem se sentir pequeno diante do estado, para entender sua situação de dependência. É meu destino para o próximo ano, mas não sou obrigado a gostar, apesar do conforto relativo que nos proporciona.

Comparam com Washington; uma bobagem. Esta foi claramente inspirada em Atenas. Brasília, no inferno comunista. O homem sempre será uma formiga naquele pesadelo de concreto armado, onde não há lugar para aderência de uma cultura. É a rejeição à tradição; uma cidade construída de uma maneira que nunca mudará. Uma paisagem eternamente feia e opressora.

Tenho muitos amigos que a amam. Não duvido. O brasileiro também ama o estado, que o oprime o tempo todo, sem perceber. Brasília é um sucesso, pois consegue, como o estado, ser amada como se fosse uma grande protetora e não o sintoma de uma grande doença.

Brasília tem luz, Brasília tem carros
(Carros pretos nos colégios)
Brasília tem mortes, tem até baratas
(em tráfego linear)
Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas
(Servidores Públicos ali)
Árvores nos eixos a polícia montada
(polindo chapas oficiais)
Brasília, (Brasília)

(Plebe Rude)

Dizem os entendidos que duas condições são fundamentais para o impeachment de um presidente: perda do apoio no congresso e pressão popular. Estas duas estiveram presentes tanto no caso Collor quanto na queda da Dilma. Na verdade, é bem possível que no limite seja a pressão popular a fundamental, pois ela termina impactando especialmente nos deputados, bem mais sensíveis à opinião pública.

Longe de mim querer defender um sujeito como Temer, até porque ele e seu partido foram fundamentais para a continuidade do partido das trevas no poder, mas não deixo de observar que apesar de toda campanha da grande mídia, encabeçada pelas organizações Globo, as ruas estão vazias. Tirando os pelegos de sempre, o povo não está exigindo a saída do presidente. Esqueçam essas pesquisas fajutas, até porque as perguntas são colocadas de forma a induzir a resposta, o importante é que não existe nenhuma manifestação popular pedindo a cabeça do presidente.

Por que? As denúncias são graves, há evidências de má conduta do presidente, e a campanha dos formadores de opinião _ que não entenderam que formam cada vez menos opinião _ é inclemente, mas mesmo assim o povo observa tudo meio que em silêncio, desconfiado. 

Acho que a palavra correta é essa mesmo, desconfiança. As pessoas comuns sentem que tem algo errado na movimentação da PGR, na cobertura da mídia, na revolta dos partidos de extrema esquerda que só enganam universitários, o que prova que há um problema sério nas universidades, e os cidadãos do Projaquistão. O povo está desconfiado do mesmo jeito que alguém fica quando querem empurrar um carro usado de origem suspeita. Temer é inocente? Provavelmente, não. Mas o vendedor da tese é muito suspeito.

Meu palpite é que as pessoas comuns pressentem o caos. Jornalistas adoram a confusão, ganham audiência e cliques quando a coisa desanda. Já o João e José querem mesmo é um emprego e fazer supermercado. Sabem que Temer fica até ano que vem, o tempo para ir levando sem muitos sustos a economia. Ao contrário, quem desarrumou recentemente o coreto foi a denúncia irresponsável e sem apuração devida da Globo, que mostrou uma gravação que não continha o que tinha alardeado. 

Isso quer dizer que o crime é permitido desde que a economia vá bem? Claro que não, mas numa democracia é preciso de uma boa certeza antes de jogar o país no caos. Antes que comparem Dilma com Temer, a primeira foi muito além de uma corrupção comum. Desarrumou a economia do país para sustentar uma máfia no poder, usando para isso BNDES, taxa de juros, bancos estatais e festas irresponsáveis. Além disso, pretendeu uma hegemonia cultural contra tudo que o brasileiro acredita. Não dá para falar de agenda ideológica no governo Temer, nem de destruir a economia de um país em proveito de um projeto. O Brasil já estava no caos antes do impeachment, não podemos esquecer. 

O povo pode não entender nada de economia, mas sente que tem algo muito podre por trás do moralismo daqueles que durante 13 anos atuaram para proteger os novos donos do poder. Estão começando a ficar céticos, e isso é bom. Por isso Temer continua, a despeito do choro da raça de víboras, que tanto mal fez e faz ao Brasil.