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Notas de Sexta

Olá pessoal!
Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

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Filme que revi — Caçadores da Arca Perdida. Um clássico.

Um disco que estou escutando — The Blues is Alive and Well, do Buddy Guy. Lançando disco novo com 82 anos de idade! Isso deve ser algum recorde, não é possível.

Peça que terminei — Our Town, do Thorton Wilder. Impressionante. Uma meditação sobre a importância que cada dia tem em nossas vidas. Somos cegos.

No youtube
Quer saber algo sobre Eric Voegelin, maior cientista político do século XX? Vejam esta palestra do Martim Vasques da Cunha.

Citação que estou meditando

“Conhece-te a ti mesmo, em Deus”
Etiene Gilson

E aí, o que acharam? Deixem uma opinião nos comentários. Gostaria muito de saber algo interessante que anda fazendo. Aproveite este espaço!

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Ainda estou terminando o capítulo único que Gustavo Corção inseriu entre a parte que trata da Idade Antiga e da Idade Média em Dois Amores, Duas Cidades. O que ele coloca nestas páginas é absurdo em profundidade e clareza.

Ele trata essencialmente da relação do homem com o meio, assumindo a posição de que o homem cria o meio e é influenciado por ele, negando o determinismo social. Trata também da psicologia de Freud, e em como ela deixou de ver a envoltória espiritual da vida humana, negando que além do apetite pelos prazeres, o homem tem um forte impulso de ver realizar as suas idéias, uma dimensão da mentalidade humana.

Trata também dos mecanismos que usamos para obter certezas, seja pela observação direta (visão) ou pelos testemunhos (audição). E trata também das certezas errôneas. Basicamente temos nosso interior como fonte de confrontação com as idéias. Se este interior está desarrumado, só aceitaremos idéias que estejam em acordo com este interior. Aceitar algo diferente seria ser forçado a mudar interiormente, a metanóia dos gregos ou mudança por amor dos cristãos. Muitas pessoas estão tão desarrumadas interiormente que não querem confrontar seu interior. O que fazem? Buscam grupos externos de referência, em um processo aglutinador através de slogans ou palavras de ordem. E eu pergunto, não é o que vemos hoje?

Ainda estou na primeira leitura, mas terei que estudar profundamente este capítulo. Corção era um gênio e este livro TEM que ser re-editado. Urgente!

Depois de ter sido ignorado pela mídia por 4 anos, é impossível não reconhecer que o grande personagem desta eleição de 2018 é o Capitão Jair Messias Bolsonaro. Não me atrevo a dizer que será eleito, mas nenhum outro candidato reúne em torno de si tantas manifestações de amor e ódio quando ele. Não sei se é o favorito _ por enquanto lidera as pesquisas _ mas é certamente o nome a ser derrotado.

Curiosamente não são apenas os adversários políticos que trabalham para isso; na verdade, nem são os mais empenhados em derrotá-lo. Sua principal oposição organizada está em outro lugar, na mídia tradicional, que não por acaso agoniza em praça pública. São nas redações que o ódio ao Capitão é tão violento e irracional, a ponto de levar jornalistas a se exporem tão completamente, comprometendo até a isenção que fingem possuir. Na semana que passou tivemos a oportunidade de ver, ao vivo, dois tipos diferentes da trupe em ação. E que espetáculo!

Primeiro, o Roda Viva. O programa pertence a uma empresa estatal, bancada pelo governo de São Paulo, ou seja, pelo dinheiro do contribuinte, e é conhecida pelo traço de audiência, um dos inúmeros desperdícios que existem no Brasil. O Roda Vida é um programa que reúne jornalistas que pensamento ideologicamente alinhados, que tentam ser personagens principais no lugar do entrevistado. As perguntas são formuladas não para obter respostas de interesse público, mas para evidenciar como o jornalista que a faz é um intelectual preparado e iluminado. Atualmente, é comandado pelo jornalista Ricardo Lessa, que participou da luta armada e que assumiu o lugar do excelente Augusto Nunes porque este era, bem, excelente. Para entrevistar o Capitão reuniu um festival de subcelebridades do jornalismo impresso, todos de esquerda, embora travestidos de alguma isenção, mas que diante do entrevistado foram incapazes de se segurar e perderam completamente a compostura. Foi interessante observar como se comportam, na realidade, pessoas que só conhecemos por textos, e o resultado foi devastador. Foram todos para cima do entrevistado com o propósito evidente de destrui-lo e não de fazer o que se espera de um bancada de entrevistadores. Ninguém gosta de entrevista chapa-branca, mas se espera pelo menos um grau mínimo de respeito e preocupação em conseguir respostas. Parece que os sabidos jornalistas não sabem que o público quando percebe um ataque em manada contra uma pessoa costuma identificar-se com o que está sendo atacado. O resultado foi pavoroso. Viraram motivo de piadas pelos apoiadores do candidato e de irritação dos adversários. Desagradaram todo mundo e promoveram um espetáculo patético de boçalidade explícito onde sobrou afetação intelectual, expressões faciais ridículas simulando profundidade de pensamento, dedinhos empinados, canetas em riste. Quiseram humilhar e terminaram humilhados. Foi inacreditável ver o Ricardo Lessa citando wikipedia como fonte, uma jornalista dizendo que o eleitor sairia com o voto impresso da cabine e que Jesus Cristo era refugiado.

Para a turma de opositores do Capitão – evito o termo esquerda conscientemente – o grande problema foi a mediocridade dos jornalistas. Afinal, quem era aquele povo? Tirando o Bernardo Melo Franco, o resto era-me completamente desconhecido. Era como se tivessem convocado uma seleção de série B para arrasar uma adversário. Huge mistake. Um erro, disseram os adversários, que não seria cometido 4 dias depois na bancada da Globo News. Ali estava a nata dos jornalistas de Tupinicópolis. Miriam Leitão, Merval Pereira, Gerson Camarotti, Cristiana Lobo, Mario Sergio Conti, Andréa Sadi e ainda reforçados por Fernando Gabeira. Agora sim, o trabalho seria executado pela elite, pela nata da nata. Afinal, não dá para chamar de esquerdista gente como Merval e Camarotti, não é? Pelo menos seria uma bancada mais equilibrada do que o Roda Viva. Não cometeriam os erros primário de seus colegas menos famosos.
Nunca subestime a capacidade de um jornalista em dobrar a aposta no erro. Foi simplesmente patético ver a elite do jornalismo global repetir o desempenho desastroso da bancada da tv cultura. Perderam a compostura e repetiram até os mesmos erros da bancada anterior (Paulo Guedes pode ser abduzido?). Eles não se conformam que o Capitão reconheça que não entende de economia, que não participe do joguinho de cada eleição de fingir conhecimento citando números decorados em seções intermináveis com marqueteiros políticos. Os jornalistas tentaram provar um ponto que o candidato já concedeu desde o início e acham que assim poderiam destruir sua candidatura. Curioso que nunca exigiram o mesmo daqueles dois ignorantes que governaram o país recentemente. Aliás, o único economista a disputar as eleições, e que já foi ministro da fazenda, é dono das opiniões mais bizarras sobre o tema. O programa terminou em grande estilo, chegando a um ponto que nem o Roda Viva ousou, naquela nota de ponto que uma constrangida Miriam Leitão reproduziu, aparentemente sem acreditar no que estava acontecendo. Quem se explica por último acusa o golpe que sofreu. Além, claro, da covardia de em uma entrevista contraditar o candidato sem lhe dar oportunidade de responder. Coisa de moleque que leva a bola para casa porque está perdendo a partida.

Os dois episódios mostraram, sem deixar dúvidas, que o jornalismo brasileiro está no fundo do buraco, e não para de cavar. Observem que nem falei da performance do Bolsonaro, pois nem precisa. O comportamento dos jornalistas das duas bancadas foi de crianças mimadas, incultas, que não aceitam que as coisas não sejam como elas gostariam que fosse. Os homens massa denunciados por Ortega Y Gasset. A semana serviu também para chamar atenção para o comportamento dos adversários do Capitão, mas este é assunto para um próximo texto.

Bergman, silêncio III

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Semana passada assisti o terceiro filme da trilogia de Bergman sobre o silêncio de Deus. O Silêncio (1963), conta a estória de um dia na vida de duas irmãs, a intelectual Ester e a sensual Ana. Diante de um ataque de bronquite crônica de Ester, elas interrompem uma viagem de trem e se hospedam em um hotel em uma cidade não nominada, que vive a expectativa de uma guerra.

Minhas notas iniciais:

  1. Onde está o silêncio de Deus neste filme? Ao contrário dos dois outros filmes, nenhum das personagens formula indagação sobre Deus.
  2. Talvez a solução esteja no entendimento dos dois primeiros mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo.
  3. Se o foco de Luz de Inverno está na relação direta com Deus, O Silêncio tem seu centro na relação entre as pessoas.
  4. Se o padre encontra o silêncio de Deus talvez por sua incapacidade de se comunicar com as pessoas, a situação aqui parece invertida. As irmãs talvez falhem em se comunicar pela ausência de uma preocupação com Deus. Ambas se entregam a seus ídolos (sexo e vida intelectual).
  5. No fundo, as irmãs são iguais. Só muda o foco da atenção delas. Não sabem lidar com o amor entre elas e tudo vira uma oportunidade para agressão e causar dor.
  6. Quem mais fala no filme é o estranho camareiro, que parece se preocupar genuinamente com o sofrimento de Ester.
  7. O filho de Ana está entediado, pois é ignorado pelas irmãs pela maior parte do tempo. Talvez represente o futuro, que é sempre sacrificado quando nos deixamos levar por nossas intemperanças.
  8. Desta vez o filme não tem uma abertura para alguma otimismo. O destino das irmãs parece fadado à infelicidade. O que fica evidente é a falta de comunicação real entre elas. Mesmo quando conversam, se deixam levar pelo ressentimento e não abrem espaço para um entendimento verdadeiro.
  9. Como no primeiro filme, novamente Bergman sugere a questão do incesto. Por que? O que deseja comunicar?

Notas de Sexta

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

Filmes — Assisti a trilogia do Ingmar Bergman sobre silêncio de Deus: Através do Espelho (1961), Luz de Inverno (1962) e O Silêncio (1963).

Uma música que estou escutando —It Make’s no Difference (The Band). A voz do Rick Danko nesta música é algo fora do normal. Emoção pura.

Livro que comecei — 50 Crônicas Escolhidas, do Rubem Braga

No youtube

Comecei a ver a série sobre a Marvel do Bunker do Dio.

Citação que estou meditando

“I don’t argue”

The Barber, da Flannery O’Connor

E aí, o que acharam? Deixem uma opinião nos comentários. Gostaria muito de saber algo interessante que anda fazendo. Aproveite este espaço!

Li hoje meu segundo conto da Flannery O’Connor. The Barber (1946) conta a estória de um professor (Rayber) que se envolve em uma discussão política com seu barbeiro sobre a eleição que se aproxima. Como bom intelectual, ele tem uma posição progressista, em torno de um candidato que defende o fim das leis raciais. O barbeiro, de espírito conservador, defende o candidato oposto.

O conto mostra os limites da discussão política e o fracasso de desejar vencer discussões sem tentar entender a outra parte, especialmente quando se imagina em uma posição superior, tanto moral quanto intelectualmente. Ficou para mim o alerta de um antigo professor de Rayber: “eu nunca discuto”.

Ainda vou tratar mais deste conto.

Bergman, silêncio II

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Assisti o segundo filme da trilogia Silêncio, do Ingmar Bergman. Trata-se de Luz de Inverno (1962). O tema é um dia na vida de um padre que perdeu a fé, e por isso mesmo se torna incapaz de ajudar sua paróquia. O Padre Tomás se angustia com o que ele considera o silêncio de Deus, que não responde suas súplicas. Ele tem um romance com uma professora, motivo de fofoca na pequena cidade em que vive.

Minhas notas:

  1. Por mais que esteja confuso, e seja um pecador, seus sacramentos continuam válidos. É um dos mistérios da Igreja que ela não depende da santidade de seus sacerdotes para prosseguir em sua missão.
  2. Seu coração esvaziado reflete a comunidade ao seu redor ou é o contrário? A Igreja vazia é um símbolo do vazio interior do pobre Tomás.
  3. De todos os personagens, ninguém é mais enfadado com tudo aquilo do que o organista da igreja.
  4. O sacristão deficiente físico, que no início do filme aparece como um incômodo para os demais, no final aparece como o verdadeiro cristão, que a despeito de tudo reflete sobre as escrituras e tenta buscar uma orientação de como interpretá-las corretamente.
  5. O casal que busca auxílio para a depressão do marido com o padre é a representação das pessoas comuns, que sofrem os problemas da existência humana. Recorrendo a platitudes inicialmente, e depois desabafando seus próprios problemas, o padre é incapaz de ajudá-lo.
  6. A esposa é a representação da mulher pragmática, que leva um lar a frente a despeito de todas as dificuldades.
  7. A depressão e o suicídios provocam danos irreparáveis a quem fica. Principalmente os que realmente amam.
  8. Luz de inverno. Ela é rara, mas quando surge ilumina com força. Essa é a metáfora para a resposta de Deus no mundo. Creio que Ele age principalmente através das pessoas. É no outro que vamos encontrar as respostas que procuramos.
  9. Quando Padre Tomás resolve rezar a missa exclusivamente para Marta, que é tratada como ninguém pelo organista, ele se coloca realmente como um instrumento de Deus. Trata-se de um ato de amor.
  10. Não seria a fala do sacristão uma resposta de Deus a Tomás?