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Archive for the ‘Filosofia’ Category

Eric Voegelin e a democracia

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Razão: cuidados ao usar

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Pascal, pensamento 183:

Excesso. Excluir a razão, não admitir senão a razão.

Os famosos pensamentos de Pascal são notas que ele foi redigindo para escrever um livro. Infelizmente, o grande filósofo morreu antes; mas as notas sobreviveram, foram reunidas por seus herdeiros e publicadas.

Neste pensamento, ele chama atenção para os dois problemas em relação à razão.

O primeiro é ignorá-la, como fazem, por exemplo, as religiões políticas. Não se deixem enganar, eles falam em nome da razão mas a ignoram o tempo todo. A começar por Marx, um trapaceiro intelectual de primeira.

O segundo erro é a ideologia da razão. Colocá-la como único juiz para o verdadeiro e falso. Ignora os limites da razão humana e evidencia o limite que o homem consegue caminhar sem Deus.

Desde o início, os cristãos perceberam que tinham que articular razão e fé. Foi o que fez São Paulo, Agostinho, Santo Tomás, entre muitos. Pascal pertence a esta tradição. Pode-se dizer que Pensamentos trata desta articulação o tempo todo.

O maior erro da modernidade foi romper esta tensão e proclamar a razão como soberana (uma das faces da morte de Deus de Nietzsche). A partir daí, o homem não consegue entender mais nada. Serve para a ciência natural e produção de tecnologia (até certo limite), mas para as ciências do homem, foi um desastre.

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Pascal e o divertimento

Todos os problemas do mundo são causados pelo fato do homem não conseguir ficar parado em casa.

E por que não consegue?

Pascal responde.

 

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Ensimesmado e alteridade

Que leitura densa e interessante fiz agora da primeira metade do capítulo 1 de O Homem e A Gente, do Ortega y Gasset!

O pensamento não é garantido no homem, temos que conquistá-lo. O homem não é um animal racional ou sapiens, é um homem que ignora. Que sabe poucas coisas, mas que tem a capacidade de conquistar o pensamento e agir racionalmente sobre o homem.

Para isso precisa ensimesmar-se, ou seja, afastar-se do mundo exterior buscando refúgio em seu interior para pensar e meditar. Só assim poderá agir.

Sem isso, o homem vive de sua alteridade, de uma reação não refletida com o mundo exterior. Ele não age, reage. Essa capacidade é própria dos animais, é tudo que eles possuem. O animal não pode ensimesmar-se, não pode se apartar do que lhe é diferente.

Para Ortega, o homem vive três fases:

1) Um náufrago no mundo, que não compreende e que lhe é muitas vezes hostil. Fase da alteridade.

2) Voltar-se para si mesmo e buscar o pensamento, as idéias.

3) Agir de acordo com o pensamento, ou seja, ele retorna para o mundo externo levando o si mesmo. É a verdadeira práxis.

Ortega também faz um alerta: o pensamento, por ser uma conquista, pode ser perdido. Sem o pensamento, o homem é alteridade, é como os animais, ou seja, perde sua própria humanidade. O tigre não pode deixar de ser tigre, mas o homem pode deixar de ser homem. Pode desumanizar-se.

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Quiet rebellion leads to open war

(Red Tide, Rush)

Dois de meus ensaios favoritos do maravilhoso livro Tremendas Trivialidades, do Chesterton, trata da relação do espírito com a matéria, ou do invisível com o visível.

Em “O Vento e as Árvores” ele faz uma interessante analogia. Uma criança pequena ao avistar os galhos de uma árvore balançando freneticamente em um vendaval pede ao narrador que faça elas pararem. Na cabeça do pequeno, eram as árvores que abanavam gerando o vento.

O homem moderno é como esta criança, que ao ver os galhos (a matéria) acredita que ela gera o vento (o espírito). A revolução francesa não foi a causa dos pensamentos revolucionários, mas o contrário. Antes da revolução, existe a filosofia e o pensamento. Ninguém jamais viu uma revolução, diz Chesterton, apenas seu final.

O invisível é a teologia, a filosofia, o pensamento. A matéria são as civilizações e as cidades. Tudo que conseguimos enxergar são os últimos e por isso achamos que são os mais importantes, que tudo explicam.

No segundo ensaio, “O Mundo às avessas”, Chesterton aprofunda o tema e chama atenção para a inversão que a humanidade faz, colocando a matéria como critério para o espírito. Assim, discute-se se dois empregados de um loja deveriam casar-se, ou seja, se o casamento dos empregados é conveniente para os negócios, quando o certo seria discutir se a loja é um local adequado para um casal trabalhar. Afinal, o casamento é uma das coisas espirituais da vida; os negócios, não.

Muitos cientistas sociais cometem este erro. Consideram a materialidade como explicação e causa de tudo. Daí o erro fundamental do marxismo, por exemplo. O homem não é governado pela economia, mas criador desta.

Mas o contraste preto-e-branco entre o visível e invisível, o sentido profundo de que a única crença essencial é a crença no invisível em oposição ao visível, reapareceu súbita e sensacionalmente na minha mente.

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Hoje de manhã, antes de ir à missa, fui reler um pensamento de Pascal. A primeira leitura foi em um uber, quando voltava do trabalho. Trata-se de um pensamento extenso, de algumas páginas, tratando da natureza do conhecimento.

Pascal divide as possibilidades em três. De um lado, os pirrônicos e acadêmicos (cépticos); do outro, os dogmáticos. Pirrônicos são os seguidores de uma corrente que surgiu no platonismo de cépticos, que duvidam de todo tipo de conhecimento. Foi muito influente na modernidade. Os acadêmicos são uma derivação que acredita que nunca conseguiremos saber nada. Pelo que pesquisei, os pirrônicos perseguem o conhecimento, enquanto os acadêmicos não acreditam que seja possível.

Os dogmáticos são os que acreditam na possibilidade do conhecimento pela fé.

Para Pascal, todo mundo tem que escolher entre uma das três seitas, pois não escolher significa ser pirrônico.

Só que todas estas posições são insuficientes. Existem conhecimentos, que são rejeitados pelos pirrônicos, que nos são fornecidos pela própria lei natural. Ou seja, é impossível ser pirrônico sem rejeitar a lei natural. O dogmático, por sua vez, acredita em dogmas que vão contra a razão humana.

Pascal entende que o problema vem da insuficiência do homem em entender o próprio homem. Estamos acima da nossa capacidade racional e por isso o conhecimento mais seguro é o revelado por Deus.

Somos marcados pelo pecado original. Só entendemos conceitos como verdade e felicidade porque nossos pais pecaram. Se tivessem continuado fiéis no paraíso, não conheceriam mentira ou falsidade. Nenhum desses conceitos faria sentido para eles porque felicidade seria nosso estado natural.

Que sejamos responsabilizados pelos pecados de Adão e Eva afronta a razão humana, mas, entende Pascal, sem este mistério o homem se torna incompreensível. Já aceitando o mistério do Pecado Original, tudo mais se torna mais claro.

Dessa forma, o homem se apresenta em carácter dual. No estado de nossa criação, e na graça, somos como Deus. No estado de pecado, nos tornamos animais como os demais.

O homem, resume ele, transcende o homem. Nosso conhecimento sempre será incompleto porque nossa razão não alcança nos entender completamente.

Trata-se de um tenso profundo e não estou seguro se foi realmente isso que Pascal queria dizer. Pretendo voltar algumas vezes e refletir sobre este pensamento de Pascal. Fiquei com a impressão que nessas linhas está condensada toda uma filosofia.

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Hoje é dia de Santo Agostinho, um dos gigantes do catolicismo. Na minha opinião, um dos cinco maiores filósofos que a humanidade produziu.

Depois dele, só surgiu mais um no mesmo nível.

O grande pensador que escreveu na transição da Idade Pagã para a Idade Cristã.

Foi um dos presentes que Deus nos deu.

O que é contra a verdade não pode ser justo.

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