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Archive for the ‘Política’ Category

Depois de ter sido ignorado pela mídia por 4 anos, é impossível não reconhecer que o grande personagem desta eleição de 2018 é o Capitão Jair Messias Bolsonaro. Não me atrevo a dizer que será eleito, mas nenhum outro candidato reúne em torno de si tantas manifestações de amor e ódio quando ele. Não sei se é o favorito _ por enquanto lidera as pesquisas _ mas é certamente o nome a ser derrotado.

Curiosamente não são apenas os adversários políticos que trabalham para isso; na verdade, nem são os mais empenhados em derrotá-lo. Sua principal oposição organizada está em outro lugar, na mídia tradicional, que não por acaso agoniza em praça pública. São nas redações que o ódio ao Capitão é tão violento e irracional, a ponto de levar jornalistas a se exporem tão completamente, comprometendo até a isenção que fingem possuir. Na semana que passou tivemos a oportunidade de ver, ao vivo, dois tipos diferentes da trupe em ação. E que espetáculo!

Primeiro, o Roda Viva. O programa pertence a uma empresa estatal, bancada pelo governo de São Paulo, ou seja, pelo dinheiro do contribuinte, e é conhecida pelo traço de audiência, um dos inúmeros desperdícios que existem no Brasil. O Roda Vida é um programa que reúne jornalistas que pensamento ideologicamente alinhados, que tentam ser personagens principais no lugar do entrevistado. As perguntas são formuladas não para obter respostas de interesse público, mas para evidenciar como o jornalista que a faz é um intelectual preparado e iluminado. Atualmente, é comandado pelo jornalista Ricardo Lessa, que participou da luta armada e que assumiu o lugar do excelente Augusto Nunes porque este era, bem, excelente. Para entrevistar o Capitão reuniu um festival de subcelebridades do jornalismo impresso, todos de esquerda, embora travestidos de alguma isenção, mas que diante do entrevistado foram incapazes de se segurar e perderam completamente a compostura. Foi interessante observar como se comportam, na realidade, pessoas que só conhecemos por textos, e o resultado foi devastador. Foram todos para cima do entrevistado com o propósito evidente de destrui-lo e não de fazer o que se espera de um bancada de entrevistadores. Ninguém gosta de entrevista chapa-branca, mas se espera pelo menos um grau mínimo de respeito e preocupação em conseguir respostas. Parece que os sabidos jornalistas não sabem que o público quando percebe um ataque em manada contra uma pessoa costuma identificar-se com o que está sendo atacado. O resultado foi pavoroso. Viraram motivo de piadas pelos apoiadores do candidato e de irritação dos adversários. Desagradaram todo mundo e promoveram um espetáculo patético de boçalidade explícito onde sobrou afetação intelectual, expressões faciais ridículas simulando profundidade de pensamento, dedinhos empinados, canetas em riste. Quiseram humilhar e terminaram humilhados. Foi inacreditável ver o Ricardo Lessa citando wikipedia como fonte, uma jornalista dizendo que o eleitor sairia com o voto impresso da cabine e que Jesus Cristo era refugiado.

Para a turma de opositores do Capitão – evito o termo esquerda conscientemente – o grande problema foi a mediocridade dos jornalistas. Afinal, quem era aquele povo? Tirando o Bernardo Melo Franco, o resto era-me completamente desconhecido. Era como se tivessem convocado uma seleção de série B para arrasar uma adversário. Huge mistake. Um erro, disseram os adversários, que não seria cometido 4 dias depois na bancada da Globo News. Ali estava a nata dos jornalistas de Tupinicópolis. Miriam Leitão, Merval Pereira, Gerson Camarotti, Cristiana Lobo, Mario Sergio Conti, Andréa Sadi e ainda reforçados por Fernando Gabeira. Agora sim, o trabalho seria executado pela elite, pela nata da nata. Afinal, não dá para chamar de esquerdista gente como Merval e Camarotti, não é? Pelo menos seria uma bancada mais equilibrada do que o Roda Viva. Não cometeriam os erros primário de seus colegas menos famosos.
Nunca subestime a capacidade de um jornalista em dobrar a aposta no erro. Foi simplesmente patético ver a elite do jornalismo global repetir o desempenho desastroso da bancada da tv cultura. Perderam a compostura e repetiram até os mesmos erros da bancada anterior (Paulo Guedes pode ser abduzido?). Eles não se conformam que o Capitão reconheça que não entende de economia, que não participe do joguinho de cada eleição de fingir conhecimento citando números decorados em seções intermináveis com marqueteiros políticos. Os jornalistas tentaram provar um ponto que o candidato já concedeu desde o início e acham que assim poderiam destruir sua candidatura. Curioso que nunca exigiram o mesmo daqueles dois ignorantes que governaram o país recentemente. Aliás, o único economista a disputar as eleições, e que já foi ministro da fazenda, é dono das opiniões mais bizarras sobre o tema. O programa terminou em grande estilo, chegando a um ponto que nem o Roda Viva ousou, naquela nota de ponto que uma constrangida Miriam Leitão reproduziu, aparentemente sem acreditar no que estava acontecendo. Quem se explica por último acusa o golpe que sofreu. Além, claro, da covardia de em uma entrevista contraditar o candidato sem lhe dar oportunidade de responder. Coisa de moleque que leva a bola para casa porque está perdendo a partida.

Os dois episódios mostraram, sem deixar dúvidas, que o jornalismo brasileiro está no fundo do buraco, e não para de cavar. Observem que nem falei da performance do Bolsonaro, pois nem precisa. O comportamento dos jornalistas das duas bancadas foi de crianças mimadas, incultas, que não aceitam que as coisas não sejam como elas gostariam que fosse. Os homens massa denunciados por Ortega Y Gasset. A semana serviu também para chamar atenção para o comportamento dos adversários do Capitão, mas este é assunto para um próximo texto.

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STF: desânimo nacional

Meus caros,

Confesso que ontem fiquei bastante desanimado com a decisão da famigerada segunda turma em absolver Gleisi Hoffman da acusação de corrupção. Confesso que não sei se a acusação foi inepta, se o problema foi no MP, ou se foi a disposição dos ministros em passar pano da cúpula do PT. Que tenhamos sempre a pior suposição sobre a idoneidade dos ministros já é um mal terrível para todos nós.

Quando a fonte da moral se confunde com a fonte legal, que na democracia liberal representativa se manifesta em último nível na constituição, temos um problema gigante de filosofia política. Um texto escrito permite muitas interpretações e o tal estado democrático de direito resolveu o problema com a constituição de um forum reduzidíssimo de juízes para dar a interpretação correta. A meu ver, isso quebra a independência dos poderes e coloca as supremas cortes acima dos demais poderes.  Apesar de ser do judiciário, ela na prática funciona acima de todos e faz o que quer, sem prestar contas e ser responsabilizada por nada.

É a receita para o desastre. Levou tempo, mas perceberam que ter os juízes certos permitiria avançar qualquer legislação e bloquear também o que quiserem, como podemos constatar com o veto ao voto impresso e a instituição do casamento gay. A própria adoção do aborto nos EUA se deu por decisão da suprema corte e não por representantes eleitos. Além disso, em países como o Brasil, jogar o foro privilegiado para praticamente todos os políticos, garante que só esse reduzido grupo pode permitir que a lei os alcance. E não precisa todos, apenas uma minoria simples. No nosso caso, 6 ministros que ninguém elegeu pode fazer as aberrações que quiserem e só nos resta espernear.

Como sair desse buraco? O que fazer quando o STF se volta para o mal e passa a agir sistematicamente contra a sociedade? Costa que o advogado de Gleisi é advogado de Gilmar Mendes e professor em seu instituto. Ele se declarou impedido? Claro que não. Toffoli era advogado do próprio partido que Gleisi é presidente. Declarou-se impedido? Também não. Fachin está no supremo por força do PT do Paraná, onde Gleisi e Paulo Bernardo, além de José Dirceu, dão as cartas. Impedido? Também não. Vejam o tamanho do absurdo: dependemos que um dos ministros se declare impedido para que não participe de um julgamento! Não tem como isso dar certo, e não está dando.

Resumindo: a ordem em uma democracia representativa liberal depende da suprema corte defender a constituição, fonte última de todas as leis. Quando a suprema corte é perdida, tudo mais vai ruir pois não se sustenta. Pior, não há saída dentro da ordem legal para resolver a situação. A impressão é que chegamos em um beco sem saída.

 

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Ruminando no twitter

Noite passada, depois de umas cervejas, resolvi ruminar no twitter (@jotaramone). Eis o que saiu (não digo que as coisas sejam assim, foi mais um exercício livre de pensamentos fragmentados):

  1. Pensamentos da madrugada, que não sei como articular direito, mas vamos lá. Se o Kim quiser sair do totalitarismo, como fazer? O risco é grande. Mandou matar gente, pode pagar com a cabeça.
  2. Um tribunal internacional destes pode condená-lo por crimes contra a humanidade. Um general pode matá-lo ao menor sinal de fraqueza. É um problema dos totalitarismos que poucos entendem.
  3. Para que um ditador totalitário abandone o poder ele tem que receber garantias que não será responsabilizado pelos crimes do regime depois. É injusto? Claro que é. Mas se não for assim, por que ele abandonaria o poder?
  4. Há muito ressentimento represado, pronto para vir à tona ao menor sinal de fraqueza de um regime. Pode ter guerra civil e gerar outra ditadura totalitária. (Não é redundância falar ditadura totalitária)
  5. Vejam o regime militar no BR. Era ditadura? Pode até ser, no limite. Mas não era totalitarismo. Os militares não tentaram impor um pensamento único ou uma ideologia na população.
  6. Ao contário, abominavam ideologias. Apesar de, sem saberem, serem influencidados por uma das piores, o positivismo. Não eram positivistas, mas eram tecnocracistas. Achavam que tudo se resolve com o técnico.
  7. De qualquer forma, as pessoas seguiam suas vidas. Só combatiam a luta armada e ataques diretos ao regime. Deixaram a esquerda dominar as universidades e o jornalismo.
  8. Quando pensaram em sair do poder, fica o mesmo dilema de Kim. E se forem perseguidos depois? E se forem processados e presos? Acharam talvez a melhor das soluções. A famosa anistia.
  9. Anistiaram todos da luta armada e garantiram a anistia para si mesmos. Foi a melhor solução. Os Generais poderiam deixar o poder e o país seguir sua vida. Mas isso em um regime autoritário.
  10. Totalitarismo é coisa muito mais séria. O ressentimento é muito maior pois o sofrimento vai muito além do que conseguimos imaginar. Destrói a pessoa. Vejam A Vida dos Outros.
  11. No Brasil, os esquerdistas fazem piadas de como enganavam a censura, de como os burocrataseram muitas vezes toscos e ignorantes.

 

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Trump, os globalistas e a foto

Uma imagem vale mais que mil palavras, certo?

Talvez um dos lugares comuns mais falsos da história, como prova esta foto. Dependendo de suas preferência política, vai interpretar de maneira totalmente diferente seu significado.

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Há os que verão uma mulher forte, liderando o mundo contra um homem intransigente

Há os que verão um homem no domínio da situação, que contempla calmamente seus adversários que perdem a cabeça.

 

 

 

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Parece que passou a fase de negação e os formadores de opinião estão se obrigando a lidar com uma realidade: Bolsonaro tem chances de ganhar as eleições. Estavam todos esperando que em algum momento ele despencaria das pesquisas assim que a população soubesse das suas opiniões e se esforçaram para transmiti-las, da pior forma possível, claro. Não adiantou. Ele só cresce. Agora começa aquela fase em que tentam arranjar uma explicação para o “fenômeno Bolsonaro”.

Besteira. A explicação é mais simples do que parece. Desde 1989 que o brasileiro não tem uma opção que não seja de esquerda para votar. Em qualquer país, a população vai mais ou menos se dividir entre dois impulsos básicos: conservar e mudar. Estes impulsos estão na origem da posição à esquerda ou à direita em questões políticas. Desde 2002 que, devido à polarização entre PT e PSDB, o eleitor de direita tem votado nos tucanos por pura falta de opção. Eu sempre soube que no dia que aparecesse um candidato com uma pauta de direita, estaria no mínimo no segundo turno. Pois está aí. Jair Bolsonaro é este candidato.

Não importa se seja bom ou ruim, é o único no campo da direita. O PSDB resolveu brigar pelo espólio da esquerda. Estão todos disputando a mesma fatia do eleitorado, menos Bolsonaro que está sozinho no outro campo. Enquanto estiver lá, vai nadar de braçadas. Não sei se é o suficiente para ganhar o segundo turno contra uma união das esquerdas, mas é o suficiente para disputar em segundo turno. Vença ou não, terá mostrado que há um eleitorado de direita em busca de candidatos. Já será um enorme serviço ao país.

Não estou aqui declarando nenhuma preferência, apenas mostrando o óbvio. Quando um país tem apenas partidos e candidatos de esquerda, está lutando contra a realidade. O mesmo aconteceria se só houvesse direita. São dois impulsos que existem em todas as sociedades, mudar e manter, não tem como fugir, é como a lei da gravidade. Retirar a possibilidade de expressão política de um dos lados, como aconteceu no Brasil na nova República, é criar condições para uma sociedade doente.

Isso é só o começo. Candidatos de direita abrirão caminho para partidos de direita. Quem resolver superar o medo dos formadores de opinião (mídia-intelectuais-artistas) e se colocar claramente como um partido de direita só terá a ganhar. Se for sozinho, conseguirá em pouco tempo uma boa representação no Congresso, de no mínimo 1/3. Sim, vão apanhar dia sim e dia também na Rede Globo, mas no fim terão seu prêmio. Basta ter coragem.

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Em Momentos Estrelares da Humanidade, Stefan Zweig escreve sobre o último discurso publico de Cícero, logo depois do assassinato de Júlio César:

O domínio exercido pela força viola qualquer direito, argumenta. A verdadeira harmonia em uma república só se pode produzir se o indivíduo, em lugar de tratar de tirar proveito pessoal de um cargo público, antepõe os interesses da comunidade aos privados. Somente se a riqueza não se desperdiça em luxos e na dissipação, senão que se administra e se transforma em cultura espiritual, artística, somente se a aristocracia renuncia a seu orgulho, e a plebe, em lugar de deixar-se subornar pelos demagogos e de vender o Estado a um partido, exige seus direitos naturais, somente então pode restabelecer-se a república.

Interessante que na República existe obrigações de todas as partes, ricos, aristocratas e plebe. Não se trata de democracia, a vontade da maioria não é soberana. Na república, prevalece os interesses da sociedade e não os dos indivíduos. O povo não pode “deixar-se subornar pelos demagogos e de vender o Estada a um partido”.

O Brasil tem que superar tudo isso para ter realmente uma república e não essa democracia perversa que nos transformamos.

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Uma das vantagens de resolver não opinar sobre o que não sabe, é poder aguardas e observar os acontecimentos. Não sei o que move a chamada greve, ou lockout, nem o que pretende. Também não confio na imprensa para saber por ela. Ou seja, estou no escuro, como acho que quase todo mundo está. É libertador não ter que automaticamente ficar do lado ou contra qualquer coisa que aconteça.

Entretanto, sinto algo de diferente neste movimento. Não creio que tenha sido arquitetado por sindicados ou movimentos de esquerda. Acho que eles estão tão confusos quanto nós. Talvez este movimento seja o início. Mas de que?

Bem, do enfrentamento da sociedade ao poder avassalador, e um tanto ilusório, do estado. Em 1985 iniciamos a Nova República. Seu mito fundador é que os militares era os vilões e, agora, com a democracia plena, simbolizada pelas eleições diretas para presidente, iniciava-se uma nova era. A direita não existia neste concerto, apenas como espantalho. Todos os partidos, que começariam a se multiplicar como coelhos, seriam de esquerda. Diante do silêncio envergonhado da direita, passamos a ter décadas de discurso único nas universidades, imprensa e cultura em geral. Criou-se o clima para que duas pessoas completamente inadequadas fossem aceitas como presidentes, mesmo que tivessem valores e idéias completamente opostas da maioria da população.

Se existe uma coisa que liga todos os governos da Nova República foi a crescente imposição de impostos nos três níveis da administração. O resultado é uma economia que se acredita ser praticamente dominada direta ou indiretamente pelo estado. Tecnicamente estamos em uma economia fascista ou bem perto dela. O espírito do brasileiro desceu ao nível mais baixo de sua história. Ninguém mais acredita que seremos algo melhor do que somos, o ressentimento aflora cada vez mais, a indiferença e melancolia crescem a cada dia. A relação do brasileiro com a seleção talvez seja a melhor evidência deste estado de coisas. Nunca o Brasil foi tão apático para uma Copa do Mundo, um evento que literalmente parava o país.

Pois a Nova República chegou no limite. Não sei o que vai acontecer, mas acho que uma hora todo este espírito mortificado da nossa sociedade vai se rebelar de vez, como ensaiamos em 2013 e 2016. Não sei se o resultado; nada garante que ficaremos melhor. A Revolução Francesa transformou a maior país da europa em um ditadura para depois entrar em uma sucessão de crises políticas que ainda não terminou. Por outro lado, a revolução americana e inglesa construíram duas grandes nações. Não creio que tenhamos estadistas para o desafio; pelo menos não ainda.

A greve mostrou que o governo é poderoso, mas se sustenta por pilares frágeis, sendo o principal o espírito submisso do brasileiro perante o estado. Sempre dá para empurrar mais uma safadeza, mais uma lei apertando o controle. Diante da paralisação dos caminhoneiros, o governo ficou perdido e a classe política não sabe nem o que pensar, quanto mais o que deve ser feito. O grande perigo dessa greve é o brasileiro entender que deve assumir o destino de seu país e se rebelar. Aí, não terá quem segure.

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