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Posts Tagged ‘historia’

Neste vídeo eu explico porque o filme O Destino de Uma Nação é uma verdadeira aula sobre o principal dos princípios democráticos, a representação. Voegelin teria gostado.

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O 15 de novembro

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Há um número pequeno, mas crescente, de pessoas que lamentam o 15 de novembro. Será uma simples insatisfação com o momento atual? Não sei, desconfio de respostas simples. Só sei que quando vejo a imagem de D. Pedro II, vejo uma imagem trágica, de um homem de bem que foi vítima de seus próprios erros e acertos.
 
Nossa cultura é tão doente que até hoje não fomos capazes de produzir um livro ou filme que romanceie os acontecimentos que levaram à República, o que impede a formação de um imaginário sobre o que aconteceu. Sem imaginário, não há reflexão e ficamos presos aos lugares comuns, sem ter a menor idéia do que significou a data. Comparem com a quantidade de filmes de Hollywood sobre o 4 de julho, Dia D ou a Guerra Civil.

Desconfio que estamos presos a mentiras criadas pela própria República para se justificar. Sei que há pencas de livros de história, mas sem ficção eles são quase inúteis, versões para escolher a sua. Não acredito em ciência social que não comece pela literatura ficcional. Primeiro temos que ter o sentimento das possibilidades, tentar entender o espírito da época. Depois vamos aos livros de história. É muito mais fácil entender os livros sobre a revolução industrial depois de ler Dickens (e entender que Marx foi um charlatão).

A República foi um erro? Não tenho a menor idéia, faltam esses conhecimentos básicos que me permite refletir sobre esse acontecimento. Na base da opinião, acho que foi nosso grande erro histórico e civilizacional. Mas trata-se apenas de uma opinião sem fundamento, um puro achismo. Vale quase nada. E é assim que temos que tratar as opiniões sem fundamento, um mero palpite. Para começar a refletir com seriedade é preciso levantar a opinião dos sábios. O que dá um trabalho danado.

 

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Cristovão Buarque:

Não podemos simplesmente negar ao Paraguai o direito de pedir o reajuste. Nós não podemos esnobar o Paraguai. Até porque temos uma dívida com esse nosso país vizinho, já que há 138 anos matamos 300 mil de seus cidadãos [na Guerra do Paraguai]. Em proporção, seria como se matassem nove milhões de brasileiros.

Toda vez que alguém fala que o Cristovão Buarque era o melhor candidato em 2006, que infelizmente não tinha como vencer em um país que não se importa muito com educação eu penso aqui comigo, ainda bem. Porque este é um daqueles que simplesmente não me convence.

Primeiro porque é do PDT. Quem morou no Rio muito tempo, e é capaz de pensar um pouco, sabe o câncer que o partido foi para a cidade e o estado. É um partido que defende muitas das idéias mais retrógradas que existem por aí, estas que fracassaram no mundo inteiro.

Como ministro da educação foi um fiasco, sua principal realização foi acabar com o provão que estava vencendo as resistências e tornando-se um indicador de qualidade para as Universidades. Também se destacou na defesa dos privilégios absurdos das universidades públicas.

Recentemente saiu em defesa do gasto de meio milhão de reais para reforma do apartamento do reitor da UNB.

Agora resolve trair os milhares de brasileiros que tombaram na Guerra do Paraguai.

O mito

Nos anos 70, com o domínio cultural da esquerda na educação, os militares não davam muita bola para o que aconteciam nas escolas, e estão pagando por isso até hoje, surgiu uma versão da Guerra do Paraguai que perdura até hoje. Faz parte de todo um quadro que tenta pintar a América Latina como um pobre continente explorado até hoje pelos malvados imperialistas. A maior expressão deste pensamento é a obra de Eduardo Galeano chamada “As veias abertas da América Latina”.

Dentro deste quadro, a Guerra do Paraguai passou a ser pintada como uma guerra de extermínio. O Paraguai era uma espécie de oásis na América Latina, um país industrializado, sem analfabetismo, no padrão dos países europeus. O Brasil, instigado pela Inglaterra, promoveu juntamente com Argentina e Uruguai, uma campanha para acabar com aquele mal exemplo de independência no continente.

Foi um massacre contra os pobres paraguaios, com a morte de crianças e mulheres inclusive.

A verdade

Um trabalho muito sério e recente de Francisco Doratioto, que passou anos no Paraguai pesquisando as fontes primárias, mostra que não foi bem assim.

O Paraguai era sim o país mais independente das américas, mas devido a conjuntura e não a um desenvolvimento superior. Por não ter saída por mar e ser dependente de Buenos Aires para praticar comércio pelo Prata, o país voltou-se para dentro procurando ser auto-suficiente.

Este isolamento trouxe com ele a ditadura e o estatismo, o povo não vivia muito melhor que no resto das américas e ainda tinha que abrir mão de sua liberdade.

Mas não dá para viver isolado para o resto da vida e surgiu o sonho do Paraguai Maior. Os López, pai e filho, sonhavam com a saída para o mar e controle do estuário do Prata e começaram a organizar o exército e preparar-se para uma campanha militar.

Foi assim que as tropas paraguaias invadiram o Mato Grosso, a Argentina e o Rio Grande do Sul e o governo paraguaio declararou guerra ao Brasil e Argentina. Desta situação originou-se o Tratado da Tríplice Aliança, conseguindo romper com décadas de confrontos entre brasileiros e argentinos.

A campanha foi a mais sangrenta da América Latina. Milhares de brasileiros morreram nos campos de batalha e o custo foi altíssimo para a monarquia brasileira que viu o início de sua queda. Mas não havia outra alternativa, o país fora invadido.

Se a guerra foi até o final, cabe-se a dois motivos. O primeiro é inerente às ditaduras. Solano López levou seu país até as últimas conseqüências, resistindo quando sabia não ter mais condições de vencer. O segundo foi a recusa do ministério conservador de D Pedro II de aceitar a proposta de Caxias para encerrar a guerra com a conquista de Assunção. Queriam a cabeça de López.

O Brasil ocupou tudo o Paraguai. Fosse um país conquistador, poderia ter anexado o território. Retornou às fronteiras de antes da querra e reconheceu a independência do Uruguai e a soberania de seu povo. O Paraguai herdou uma dívida de guerra que nunca pagou e foi finalmente perdoada por Getúlio Vargas.

Na campanha eleitoral deste ano, mesmo nos momentos de maior ataque ao “imperialismo brasileiro”, nenhum candidato chegou a referir-se, mesmo de passagem, ao conflito. Eles sabem muito bem quem foi responsável pelo banho de sangue.

Que um jovem brasileiro tenha a versão propagada nas escolas é compreensível. Que um senador da república, ex-reitor de uma das maiores universidades do país, um intelectual, defenda esta versão é pura delinqüência. E o fato de ser um defensor público da educação torna o quadro ainda pior.

E uma traição à memória dos brasileiros que tombaram defendendo seu país.

Que vergonha senador!

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