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Posts Tagged ‘Brasil’

Não me envolvi nas discussões sobre o julgamento do senado sobre o afastamento do Sr Aécio Neves porque, para variar, o ambiente de discussão está tão contaminado pelos lugares comuns que teria de ter uma limpeza antes de qualquer coisa. A coisa foi colocada como uma disputa sobre impunidade, do senado protegendo um dos seus.

Pode até ter esse componente, mas não é o principal. O maior é colocar um limite ao ativismo judicial. Sim, nossa constituição é uma aberração, feita justamente para proteger os políticos. Mas não é de competência do STF mudá-la e sim cumpri-la.

O senador só estava afastado por uma interpretação para lá de elástica das previsões penais. Tenho muito mais medo do STF do que do restante da política brasileira. Aliás, me chama atenção que achem que o STF não é uma corte política, que seus membros são escolhidos por sua competência.

Esse diálogo de A Man For All Seasons resume muito bem a questão. O futuro genro de Thomas More defende que ele prenda um sujeito imoral sem ter previsão legal. More se recusa pois ele não infringiu, ainda, nenhuma lei.

William Roper: So, now you give the Devil the benefit of law!

Sir Thomas More: Yes! What would you do? Cut a great road through the law to get after the Devil?

William Roper: Yes, I’d cut down every law in England to do that!

Sir Thomas More: Oh? And when the last law was down, and the Devil turned ‘round on you, where would you hide, Roper, the laws all being flat? This country is planted thick with laws, from coast to coast, Man’s laws, not God’s! And if you cut them down, and you’re just the man to do it, do you really think you could stand upright in the winds that would blow then? Yes, I’d give the Devil benefit of law, for my own safety’s sake!

 

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Quando o humorista Marcelo Madureira declarou em uma entrevista que levaria gerações para o Brasil se recuperar do estrago que o PT estava fazendo, acho que não tinha idéia do quanto estava certo. Não que os governos anteriores não fossem ruins, eram, mas a coisa tomou outra proporção com a chegada da religião política petista ao poder. A vocação para a corrupção já existia, mas o petismo trouxe algo muito pior para o país, a degradação cultural e política.

A agenda cultural do tucanato, alinhada com o globalismo e o progressismo, começou a corromper a educação, segurança pública, coesão social, o próprio espírito do brasileiro. A seita que os sucederam fizeram pior,  aceleraram essa agenda e ainda promoveram um assalto aos cofres públicos sem precedentes. A própria política chegou a um nível ainda mais baixo e basta comparar o Congresso de 2002, com todas as suas mazelas, com um Congresso comandado pela dupla Renan Calheiros e Eduardo Cunha ou Rodrigo Maia. A cada eleição o nível da representação popular foi caindo e é preciso ser muito alienado para não enxergar uma queda ontológica de um Clodovil para um Jean Willys.

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O Estado não cabe no Brasil

Mas problemas econômicos e políticos são possíveis de serem enfrentados no curto prazo; os culturais, não. Consolidou-se na opinião pública (que não é a opinião de maioria) a idéia de que a sociedade é responsável por todos os atos criminosos de seus integrantes, com a curiosa excessão dos atos contra o politicamente correto, esses passíveis até da guilhotina se fosse possível. As instituição foram aparelhadas, a educação destruída, a Igreja corrompida por valores contrários até à fé cristã. Isso não se corrige de uma hora para outra e daí a acurácia do comentário do Madureira; é trabalho de gerações.

O resultado de isso tudo é um país sem uma ordem moral de referência, sem responsabilidade individual, com um sistema político em câncer terminal e um estado impossível de ser sustentado. Ainda não temos a verdadeira percepção do problema. É impossível atender todas as demandas colocadas ao estado e ao mesmo tempo sustentá-lo. Para piorar, a solução tem sido aumentá-lo, gerando mais ineficiência, corrupção e incompetência. O estado é um gigantesco sistema, e sistemas não podem crescer indefinidamente, pois há um ponto que quando ultrapassado o corrompe.

Quando olhamos as reivindicações dos policiais, parecem justas. Assim como a dos professores, dos médicos, dos lixeiros, dos militares, dos aposentados e por aí vai. O problema não é de justiça ou de moral, é mais pragmático, é de prioridades. O problema econômico central do país é ter um estado que seja suportável pela população, que tenha um limite. Isso significa,  que temos que optar entre fazer algumas coisas bem feitas ou fazer todas pessimamente. Infelizmente temos escolhido sempre a pior opção.

No campo cultural eu diria que temos três principais problemas a serem resolvidos: somos um povo impaciente por resultados (sem paciência para construí-los), não assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e temos ressentimento do sucesso. Ainda vou escrever mais sobre essa minha tese, mas acho que estou no caminho. Essas são as raízes do nosso comportamento desordenado e, nos casos extremos, na opção pelo crime.

O problema é muito mais amplo do que segurança, saúde, educação, justiça, etc, etc. Tudo isso são sintomas de uma doença civilizacional, que muito se deve ao trabalho de 5 décadas da esquerda brasileira, que ainda está abraçada ao desejo de mudar a natureza da nossa sociedade pela força da imposição política. Seja na oposição ou no governo, ela nunca parou de empurrar tudo que não presta e mudar o senso comum do brasileiro médio, seguindo religiosamente os ensinamentos de Antônio Gramsci. O brasileiro vive um momento de desordem espiritual, e como ensinava Eric Voegelin, a sociedade reflete a ordem da alma de seus integrantes.

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Hobbes viu o futuro e achou que era o passado

O que está acontecendo no Espírito Santo é apenas um sintoma de nossa doença. Não é que tenhamos voltado para o estado da natureza de Thomas Hobbes, nós o criamos! Hobbes estava errado na crença que no princípio o homem era o lobo do homem. Essa visão é do final, a conclusão que as ilusões da modernidade irão nos levar. Petistas e tucanos, para ficar só nessa fauna, não são resultados do atraso, são produtos da modernidade. São a realização do ideal socialista, seja na linha fabiana ou marxista, todos apontando para um ideal de um paraíso utópico, mas que só consegue gerar o inferno na terra.

Como o Espírito Santo hoje.

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Todos felizes e unidos

Venho chamando atenção para o poder dos símbolos. Eike é mais um desses símbolos que estão sendo destruídos pela realidade. Foi há pouco tempo que esteve  na capa das principais revistas e jornais do país, como exemplo do grande empresário brasileiro. Pior, foi associado a um novo tipo de empresário, o que trabalha com ética.

Querem saber? Eike é mais um episódio que deveria cobrir o jornalismo brasileiro de vergonha. Não houve investigação, não houve crítica, não houve questionamento. Dentro da metafísica petista, era preciso celebrar o símbolo da associação do estado com o empresário do bem. Quando o Ignorante e a Incapaz levantaram publicamente a mão do escolhido, foi a senha. Jornalistas correram para as redações para enaltecê-lo, ganhar pontos na suas carteirinhas de bem pensantes. Poucas vozes ousaram levantar e fazer a pergunta essencial: afinal, o que Eike de fato produzia?

De um lado, o Eike careca, indo para a cadeia; mas ninguém acredita realmente que vai ficar muito tempo por lá. De outro, o Rio de Janeiro, arrasado, destruído pela combinação macabra de rapinas que saquearam os cofres públicos. Pior que isso, deixaram que a criminalidade tomasse ainda mais conta da cidade. A mídia? Estava ocupada exaltando o Beltrame com sua genial política de segurança que avisava os bandidos para mudarem de morro para que a polícia pudesse se instalar, com toda tranquilidade, e passar uma sensação de segurança para uma sociedade de crédulos. Perguntem para o povo de Niterói como ficou a cidade depois da instalação das UPP.

Eike foi mais um ídolo de barro produzido pela religião política do petismo. Um grande ritual macabro que participaram empresários, burocratas, militantes, jornalistas, acadêmicos e artistas. Todos celebrando a farsa, todos se achando muito inteligentes. Todos unidos pelo completo desprezo às pessoas comuns e pela sensação de estar acima do bem e do mal.

A Igreja chama isso de satanismo.

 

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A prisão brasileira

O momento da infâmia

O momento da infâmia

Quando olhamos para a constituição norte-americana, exemplo para um mundo livre, percebemos que se trata de um texto liberal. Significa que seu propósito é limitar o governo, e manter a liberdade das pessoas. Infelizmente a sua interpretação tem sido flexibilizada, especialmente pelo ativismo judicial, o que tem permitido ao governo dos EUA crescerem e se fortalecerem além do que pretendiam não só os pais fundadores, mas o próprio povo americano da época da independência. O segredo era o fortalecimento dos governos locais. Ela definia um core de assuntos que era de competência federal, e deixava todo o resto livre para os estados tocarem suas vidas. Daí seu símbolo inicial “nós o povo”. Sua força liberal ainda é grande, pois toda interpretação socialista-progressista é baseada na deformação de seus princípios, o que lhe dá uma fragilidade intríseca. Como dizia São Tomás, a verdade é filha do tempo.

A constituição de 88 vai na direção oposta da norte-americana. Ela foi feita para garantir o poder do governo, que pode praticamente tudo. Concentra os tributos nas mãos do governo federal e transforma os estados e municípios em pedintes, dependentes da boa vontade do governo de plantão. Não se deixem enganar pelos direitos do cidadão. São tantos que para garanti-los é preciso que o governo tenha poderes ilimitados, justamente o propósito da coisa toda. Não importa quem seja eleito, a constituição é socialista. Privilegia o governo em detrimento dos indivíduos.

Eu não tenho a menor idéia de como escapar da armadilha que fizeram para nós. A Assembléia constituinte agiu de forma criminosa, estabelecendo as bases para uma escravidão psicológica que só poderia gerar o que gerou. Uma concorrência entre socialistas e corruptos, muitas vezes as duas coisas juntas, pelo poder. O povo, inerme, depende do governo para tudo e só serve mesmo para dar legitimidade ao regime criminoso estabelecido no país, ao votar de dois em dois anos entre participantes desse teatro de absurdos.

O Brasil precisa se livrar da constituição de 88. O problema é como fazer isso, e como gerar um novo texto constitucional. O problema só pode ser resolvido no longo prazo, e creio que o primeiro passo é criar uma elite realmente liberal, capaz de conduzir esse processo. As idéias da liberdade perante o governo só agora começaram a circular entre as elites, e acreditem, já estão fazendo um estrago danado. Com um ambiente favorável ao liberalismo político, podemos começar a pensar em uma verdadeira mudança e o fim dessa desgraça que foi criada para nós, a constituição cidadã, ou seja, a constituição socialista do Brasil.


Já conhece a minha página do facebook?

Só clicar: Paideia

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Diálogo verdadeiro (ou quase)

_ Se você pudesse escolher um único ato da política brasileira para anular, qual seria?

_ Qualquer um?

_ Qualquer um. Proclamação da República, deposição do Jango, renúncia do Janio Quadros, impechment do Collor, eleição do Lula, pode escolher.

_ A declaração da independência.

_ Mas aí não haveria Brasil!

_ Exatamente.

_ Seríamos colônia de Portugal!

_ Sim.

_ Você sabia que nós rompemos com Portugal porque as cortes portuguesas queriam retirar os deputados brasileiros?

_ Perfeitamente.

_ Nós seríamos colônia e não teríamos nem membros no parlamento!

_ Pois é.

_ Onde eu assino?

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Na série The Crown tem uma cena antológica em que Elizabeth tem que dar uma senhora bronca em Churchill. Ela explica a ele a essência da constituição (não escrita) da Inglaterra. A Coroa representa o poder significante e o governo o poder eficiente. Cabe ao governo governar, mas sua fonte de autoridade está fora dele, está na Coroa, que lhe dá significado. A relação entre Coroa e governo tem que ser baseada na confiança, para que ambos exerçam seu papel.
Quando me falam que a Coroa tem apenas poder simbólico, eu pergunto logo: e você acha isso pouco? Você tem noção do poder de um símbolo? Vale mais que mil Churchill.
Mas isso os filhos do iluminismo nunca vão entender. Quando o Brasil perdeu D Pedro II, não perdeu apenas seu velho imperador, perdeu o símbolo de sua unidade e fonte de autoridade. O que veio foi a república velha, a ditadura Vargas e até hoje não tivemos uma verdadeira estabilidade, pois no fundo nosso governo não tem uma fonte legítima de autoridade, apenas um símbolo vazio que é a constituição de 88, uma carta criada apenas para protegê-los de qualquer controle.
Cada vez fica mais patente que os nossos políticos não representam ninguém mais do que si mesmos, aproveitando da ignorância de nosso povo e da decadência moral e intelectual de nossas elites. Eu sinceramente não vejo nenhuma solução para nossos problemas enquanto não formos capazes de elevar nosso nível cultural e moral, especialmente das elites, e encontrar uma fonte de autoridade verdadeira para o exercício do poder.

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Na calada da noite

Pois é, a Câmara dos Deputados não decepcionou e votou ontem medidas para tentar conter a lava jato. O desespero deve estar realmente grande para fazerem o que fizeram publicamente.

Eu confesso que nunca me entusiasmei muito pelas 10 medidas, principalmente porque não sou muito fã do ministério público e porque não concordo de forma alguma que corrupção seja crime hediondo. Acho isso uma afronta às famílias que tiveram entes queridos assassinados, torturados, sequestrados e violentados. Preferia ver todo esse esforço voltado para controlar a violência do país, esse sim um flagelo que nos atinge a todos.

A legislação que temos é  mais que suficiente, com alguns retoques, para punir corruptos e a própria lava jato é um exemplo disso. Mas os sábios resolveram aproveitar a oportunidade para acuar o congresso e aumentar os próprios poderes. Era melhor ter deixado quieto, e só depois do fim da lava jato, apresentar o pleito à sociedade através do legislativo, como deve ser.

Mais uma vez constato que se você quer que algo seja feito com rapidez, haja devagar.

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