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Archive for the ‘Sociedade e Cultura’ Category

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Não são nem oito da noite e estou aqui no Aeroporto do Galeão, no Erre Jota. Foi difícil conseguir um lugar para sentar. Com tão pouca gente é realmente complicado escolher. Preciso carregar o celular? Sem problemas. Tem tomada livre para tudo que é canto. Uma maravilha.

O problema é que essa brincadeira nos custou muito dinheiro, não é mesmo? Um dos problemas da solução keynesiana é que, cedo ou tarde, acabamos com elefantes brancos como esse. Como quase tudo que foi construído para os Jogos Olímpicos, aliás. Se até para usar o Maracanã está complicado, imaginem as demais arenas (no meu tempo, estádios). Ociosidade para tudo que é canto.

O importante é gerar emprego, dizem. Pois o Rio gerou, aos montes. Agora o estado está quebrado e a prefeitura anuncia que não consegue pagar salários a partir de outubro. Craqueiros e mendigos tomaram as esquinas e praças da cidade. Naturalmente o banheiro desse povo são as árvores e calçadas. O Rio virou isso, um grande banheiro ao céu aberto, com a violência crescendo sempre mais, o que o carioca, infelizmente, já aprendeu a conviver como se fosse um fato pitoresco. Transformam até em atração turística. Vamos passear na Maré?

O pior é que as pessoas parecem não ligar. Um preço a pagar para morar nesse estranho paraíso.

E o aeroporto, vazio. Dinheiro desperdiçado. Nosso dinheiro.

Mas valeu a festa, não é verdade?

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Eu não sei se há um aquecimento global como acredita a maioria das pessoas e, muito menos, se existir, que seja causado por nós humanos. Sócrates já advertia que a opinião da maioria não é critério seguro na busca da verdade. Acho a coisa muito fantasiosa e alarmista para realmente ser verdade, ainda mais quando vejo muitas pessoas que costumam estar erradas com quase tudo defenderem com afinco esta causa. Falta-me disposição para pesquisar a fundo a questão, mas não falta a quase todos que opinam com tanta segurança a respeito?

Independente da veracidade do aquecimento global, vejo um aspecto que nunca esteve em disputa, que é provado pela nossa experiência direta, o aquecimento local. Não sei se o pum das vacas ou o aerosol causam o aquecimento do planeta, mas tenho razoável certeza que a poluição das cidades fazem um mal danado para seus habitantes, inclusive tornando as cidades mais quentes.

Lembro que na minha juventude a preocupação com a poluição local era muito grande e as fábricas eram as grandes vilãs. É uma característica de nosso tempo que as causas globais mobilizem muito mais, especialmente financeiramente. Sem entrar no mérito do aquecimento global, creio que atacar localmente o problema da poluição não atrapalha e talvez até ajude. Mas quem se importa com o local em tempos de tanta importância?

O risco é, no afã de solucionar os grandes problemas, deixarmos de lado os que podemos realmente lidar de forma pragmática, os que estão realmente ao alcance de nossas mãos.

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A campanha de marketing lançada ontem pela Amazon br já foi para o vinagre. Imagino que esteja rolando um gerenciamento de crise nesse momento. Não sei se a idéia foi do pessoal do marketing ou de alguma executivo da empresa, mas capricharam na bobagem. Resolveram usar o nome da empresa para atacar o prefeito de São Paulo em uma iniciativa que ele tem amplo apoio popular, o combate à pixação.

Receberam uma resposta bem humorada do prefeito, que jogou a empresa contra a parede. De quebra, pelo menos três concorrentes estão usando a publicidade da própria amazon para fazerem propaganda. Olha, estão de parabéns!

Não é a primeira vez que uma marca resolve fazer lacração esquerdista para parte de seu público. No início do ano o presidente da Starbucks resolver seguir este caminho e terminou sofrendo campanhas de boicote. Agora foi a vez da Amazon br.

Esse pessoal não entendeu ainda que o vento está mudando. Que o público em geral cansou dessa baboseira progressista e que há muita revolta acumulada, querendo um motivo para extravasar. Quem apostar no lacre, vai dar com os burros n’água.

E ainda nem começaram os memes!

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Não é segredo  que a vitória de Trump nas eleições de 2016 foi um duro golpe para Hollywood. Da mesma forma que no jornalismo e na academia, a desproporção em favor dos liberais (como os americanos chamam a esquerda) é muito mais acentuada lá do que na média da população. O ator Mark Wahlberg, uma exceção, disse ano passado que Hollywood vivia numa bolha e não tinha noção da realidade do país. Mas, é verdade? Vive realmente Hollywood em uma bolha? Vive uma realidade à parte?

Eric Voegelin e a segunda realidade

O cientista político Eric Voegelin (1901-1985) estudou a fundo o problema da segunda realidade, tomando emprestado um termo criado pelo romancista Robert Musil. Ele identificou o fenômeno em que determinadas pessoas, incapazes de aceitar o mundo em que viviam, seja por revolta ou por tédio, criavam um mundo paralelo baseado em algumas premissas simples, que não poderiam ser contestadas. Peço ao prezado leitor que repare no termo tédio. Voltaremos a ele, em breve.

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Eric Voegelin

O mundo, tal como se apresenta, é a segunda realidade. As pessoas que não conseguem aceitá-lo sobrem de uma doença no nível espiritual, uma doença da alma (pneumopatologia). São doenças que não podem ser tratadas como psicológicas. O método de fazer a pessoa aceitar sua situação real pode ter consequências trágicas, como se verá.

 

O doente escolhe ou cria uma segunda realidade para viver, normalmente mais excitante e que confere um sentido a sua existência. Este fenômeno foi muito melhor descrito na literatura do que por cientistas sociais, que em geral não conseguem enxergar as coisas do espírito. Assim temos obras como O Homem Revoltado, de Camus, o Julien Sorel de O Vermelho e o Negro, e Raskolnikov em Crime e Castigo. Todos exemplos de segunda realidade. Mas é em Dom Quixote que Voegelin mostra o mecanismo em ação.

A Segunda Realidade em Dom Quixote

Don Quixote, entediado com o mundo em que vivia, criou uma segunda realidade em que é um cavaleiro andante. Sancho Pança, seu fiel escudeiro, vive na primeira realidade e enxerga os moinhos de vento enquanto Don Quixote vê gigantes. Sancho tenta fazer uma mediação entre as duas realidade, sem muito sucesso.

donquijoteysanchoEm uma de suas expedições, Don Quixote vai parar em uma corte, onde já sabem quem ele é. Esta corte, entediada, resolve participar do jogo e finge acreditar que ele realmente é um cavaleiro famoso. Ou seja, ela mergulha nas segunda realidade. Um estranho fenômeno então ocorre; a corte se diverte tanto com a segunda realidade que tem cada vez menos desejo de retornar à primeira. Ela mesma começa a acreditar na estória que criou.

A rendição à segunda realidade é simbolizada também pelo próprio Sancho, que acaba por acreditar nas recompensas prometidas por Dom Quixote, como ser governador de uma ilha. Ele descobre que acreditar na segunda realidade é muito mais interessante que viver na primeira.

Então temos o cura. O despropósito de Dom Quixote o atinge pessoalmente. Ao mesmo tempo que consegue ver corretamente a loucura do cavaleiro, falta-lhe a compaixão necessária para lidar com a situação. Como o irmão do filho pródigo, quer ter razão e provar seu ponto. Ele não aceita a felicidade de Dom Quixote e não descansa até mostrar a ele sua loucura. O cura age como o psicólogo moderno, tentando fazer o doente tomar consciência de sua situação. O problema é que a doença é espiritual, algo muito além da ocupação do nosso bom médico.

Dom Quixote finalmente aceita a realidade, mas cai em profunda melancolia e morre. O retorno à primeira realidade não resolveu o problema que o fez negar o mundo na primeira vez. Temos então, na pena de Cervantes, os tipo: Dom Quixote, Sancho, a corte, o cura. Voltemos a Hollywood.

Florence Foster Jenkins

O filme de Stephen Frears conta a estória, baseada em fatos reais, de Florence, uma rica herdeira, patrona da música em New York da primeira metade do século XX. É interpretada por Marylin Streep, um dos símbolos da alienação de Hollywood apontada por Wahlberg.

Apaixonada por música, pianista na infância, ela sofre de sífilis desde os 19 anos, contraída do primeiro marido. Em consequência, perdeu o movimento de uma das mãos e não pode se dedicar ao instrumento, canalizando sua atenção para o patronato. Mas não foi suficiente. Ela toma aulas particulares de canto, sob aplausos de toda uma rede que a protege e a impede de ver sua incrível falta de talento. Há um motivo bem prático para manter a farsa. Ninguém quer que ela se desiluda com a música e feche seu generosos talão de cheques.

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Florence e St Clair

Está criada, então, a segunda realidade, em que Florence é uma talentosa cantora amadora de ópera. Não se trata apenas de interesse financeiro. Como St. Clair, o segundo marido e principal mediador da segunda realidade, afirma ao pianista Cosmo, a vida de Florence é muito mais divertida e excitante. Novamente aparece o tédio como uma das razões para a segunda realidade. Como a corte em Dom Quixote, uma sociedade se forma em torno de Florence, pronta para bajular e aplaudir.

Cosmo é o Sancho Pança da estória. Ele tem perfeita consciência da inadequação da patroa, mas recebe muito bem para manter a farsa. É curioso que ele mesmo é um músico comum, sem talento especial, como exclamam atônitos  os pianistas que aguardavam para um teste em que foram preteridos, sem serem ouvidos, por Cosmo. Florence não só era incapaz de cantar, mas não tinha ouvido para distinguir a boa música da trivial. O mesmo acontecia com a corte que a bajulava.

O padrão se repete. Quanto mais a segunda realidade dura, mas as pessoas acreditam nela. É o que acontece com a loira fútil, que não se aguenta na primeira apresentação de Florence, caindo na gargalhada, mas que aos poucos aceita seu papel e termina condenando o mesmo comportamento  nos soldados que assistem ao espetáculo do Carnegie Hall. A rendição de Sancho se repete em Cosmo, que balbucia após o terrível espetáculo: “eu toquei no Carnegie Hall!”

O cura reaparece como o jornalista do Post, que pretendendo defender a verdade objetiva e faz uma crítica devastadora à Florence e sua corte. Também falta-lhe compaixão e quer apenas ter razão. Ele se julga melhor do que os outros, o que é sempre um grave pecado. Que o cura seja agora um jornalista, mostra a transição da classe intelectual no tempo.

A crítica do jornalista faz Florence retornar à primeira realidade, em que é apenas um velha senhora deformada e sem talento. Como Dom Quixote, ela não suporta a melancolia e morre. O despertar destas pessoas tem consequências trágicas. Como dizia T. S. Eliot, “o homem não é capaz de aceitar tanta realidade“.

Hollywood e o Oscar

O mergulho da segunda realidade de Florence e Dom Quixote se repete em Hollywood e sua corte. Artistas e profissionais do cinema abraçaram a visão liberal do mundo como poucos indivíduos o fazem, e chegam ao extremos de ignorar completamente a realidade econômica, a condição humana e a religiosidade do homem comum. Na segunda realidade de Hollywood, criticar um presidente significa um ato de coragem, milionários defendem o comunismo, abandonar Deus é um progresso e a paz é um problema simples de resolver. Por isso, Wahlberg está certo quando diz que Hollywood perdeu a sintonia com o povo americano. Em sua maioria, atores e diretores, não possuem idéia da realidade do americano comum e só o enxerga por esteriótipos.

89th Academy Awards - Oscars Awards Show

A corte

Tudo isso culmina no Oscar, que é também um mecanismo farsesco de auto-referenciação. Não se premia os melhores, mas uma visão de mundo. Não quer dizer que não vença também filmes conservadores, mas esse conservadorismo tem que estar de alguma forma escondido para que a corte não o perceba. O que, convenhamos, não é muito difícil de fazer levando em conta o nível de compreensão desse pessoal.

 

Hollywood é Florence Foster Jenkins. Ela acha que está representando a américa. Não está e cada vez mais o divórcio é escancarado. Vejam o exemplo de Marylin Streep. Uma atriz talentosa? Sem dúvida!, mas não o suficiente para ter 21 indicações, colocando-a em uma espécie de patamar superior de qualidade, acima de todas as demais. Foi aplaudida de pé no Oscar deste ano. Como Florence e sua corte.

A questão que fica é o que acontecerá ao fim de tudo. Hollywood sobreviverá ao choque de realidade? Terá o mesmo destino de Florence e Dom Quixote? Talvez já esteja acontecendo. Cada vez mais quem realmente tem algo a dizer está migrando para a televisão e a internet. A segunda realidade está se desfazendo e o público das redes sociais seja o novo cura.
Finalizando, fico a pensar se não estamos cometendo o mesmo erro do cura e do repórter. Será que não estamos muito preocupados em ter razão? Será que mais importante do que fazer a pessoas cair na realidade não seria fazê-la ver que a realidade merece ser amada para só então desfazer o feitiço? De que adianta salvar um paciente matando-o?

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Mortimer Adler ensinava que para concordar ou discordar de um autor é preciso primeiro entender o que ele defende. Não é novo, já era o método proposto por São Tomás de Aquino. Nessa entrevista do Ted Talks, o historiador Yuval Harari, autor do livro Sapiens, apresenta sua visão de mundo e a divisão política da atualidade entre globalismo e nacionalismo. Se entendi bem, esses são os pontos principais de Yuval na entrevista:

  1. Nos acostumamos com a idéia que a felicidade seria garantida com a globalização econômica e a liberalização política. Esse modelo é uma mentira pois não pode coexistir as duas coisas.
  2. A política tem que se tornar global para se tornar compatível com a globalização econômica. Não há como retornar a economia para o nível nacional-local.
  3. Os problemas atuais são globais.
  4. Os dois grandes problemas da humanidade hoje são:
    1. mudanças climáticas
    2. ruptura tecnológica
  5. A tecnologia é a grande ameaça ao emprego e não a competição entre países.
  6. Não existe uma narrativa cósmica para a existência do homem. O grande objetivo da humanidade deve ser vencer o sofrimento.
  7. Toda identidade é falsa pois é baseada numa ficção (mito, religião ou ideologia)
    É necessário um governo global para lidar com essas ameaças.
  8. Esse governo não se parecerá com uma democracia dinamarquesa. O provável é que se pareça mais com o antigo império chinês, onde uma governança forte terá que impor a solução dos problemas globais. É um preço que se deve pagar pois a alternativa é pior e causará mais sofrimento.
  9. A grande divisão da política atual, portanto, é entre globalismo e nacionalismo. Conceitos de direita e esquerda estão ultrapassados.
  10. Vivemos a melhor época da história.
  11. Abandonar as narrativas míticas é sinal de progresso.
  12. Não há uma visão clara de como deve ser a governança global, mas ela é necessária.

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Afinal, o que disse o papa?

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Leiam as matérias da grande mídia sobre o papa ter afirmado que era melhor ser ateu do que um católico hipócrita. Elas possuem um padrão, em nenhuma delas você vai encontrar um parágrafo inteiro da homília do papa Francisco. Basicamente eles pegam um parágrafo, dividem em várias frases e colocam comentários entre eles induzindo o raciocínio do leitor. Isso é o jornalismo brasileiro.

Afinal, o papa disse que era melhor ser ateu?

Não. Ele criticou sim a hipocrisia de muitos católicos, como Cristo fez com os judeus do seu tempo. Mas não fez comparação nenhuma com o ateísmo. Pelo contrário, ele disse que:

“Quantas vezes ouvimos dizer: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’. O escândalo é isso. Destrói. Joga você no chão”

Ele não disse que era melhor ser ateu, ele disse que o mau comportamento de muitos cristãos induziam a que dissessem que era melhor ser ateu, o que é muito ruim para a Igreja. Ou seja, ele disse o exato oposto ao que estão atribuindo a ele. O raciocínio do papa é simples: achar que ser ateu é melhor que ser um mau católico é um erro. O próprio comportamento dos maus católicos induzem a esse tipo de raciocínio. Logo, deve-se criticar esse tipo de comportamento. O escândalo é dizer que “ser católico como aquele, melhor ser ateu“.

Foi isso que o papa fez.

Ademais, em princípio todo católico é um mau católico porque somos imperfeitos. Cristo veio justamente para nos salvar porque somos todos pecadores. Até os santos pecaram, e muito!

Mas o jornalismo militante viu a oportunidade de tirar a frase do papa do contexto, picotá-la e inverter o sentido do que ele disse.

Raça de víboras! Até quando teremos que suportá-los?

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Quando o humorista Marcelo Madureira declarou em uma entrevista que levaria gerações para o Brasil se recuperar do estrago que o PT estava fazendo, acho que não tinha idéia do quanto estava certo. Não que os governos anteriores não fossem ruins, eram, mas a coisa tomou outra proporção com a chegada da religião política petista ao poder. A vocação para a corrupção já existia, mas o petismo trouxe algo muito pior para o país, a degradação cultural e política.

A agenda cultural do tucanato, alinhada com o globalismo e o progressismo, começou a corromper a educação, segurança pública, coesão social, o próprio espírito do brasileiro. A seita que os sucederam fizeram pior,  aceleraram essa agenda e ainda promoveram um assalto aos cofres públicos sem precedentes. A própria política chegou a um nível ainda mais baixo e basta comparar o Congresso de 2002, com todas as suas mazelas, com um Congresso comandado pela dupla Renan Calheiros e Eduardo Cunha ou Rodrigo Maia. A cada eleição o nível da representação popular foi caindo e é preciso ser muito alienado para não enxergar uma queda ontológica de um Clodovil para um Jean Willys.

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O Estado não cabe no Brasil

Mas problemas econômicos e políticos são possíveis de serem enfrentados no curto prazo; os culturais, não. Consolidou-se na opinião pública (que não é a opinião de maioria) a idéia de que a sociedade é responsável por todos os atos criminosos de seus integrantes, com a curiosa excessão dos atos contra o politicamente correto, esses passíveis até da guilhotina se fosse possível. As instituição foram aparelhadas, a educação destruída, a Igreja corrompida por valores contrários até à fé cristã. Isso não se corrige de uma hora para outra e daí a acurácia do comentário do Madureira; é trabalho de gerações.

O resultado de isso tudo é um país sem uma ordem moral de referência, sem responsabilidade individual, com um sistema político em câncer terminal e um estado impossível de ser sustentado. Ainda não temos a verdadeira percepção do problema. É impossível atender todas as demandas colocadas ao estado e ao mesmo tempo sustentá-lo. Para piorar, a solução tem sido aumentá-lo, gerando mais ineficiência, corrupção e incompetência. O estado é um gigantesco sistema, e sistemas não podem crescer indefinidamente, pois há um ponto que quando ultrapassado o corrompe.

Quando olhamos as reivindicações dos policiais, parecem justas. Assim como a dos professores, dos médicos, dos lixeiros, dos militares, dos aposentados e por aí vai. O problema não é de justiça ou de moral, é mais pragmático, é de prioridades. O problema econômico central do país é ter um estado que seja suportável pela população, que tenha um limite. Isso significa,  que temos que optar entre fazer algumas coisas bem feitas ou fazer todas pessimamente. Infelizmente temos escolhido sempre a pior opção.

No campo cultural eu diria que temos três principais problemas a serem resolvidos: somos um povo impaciente por resultados (sem paciência para construí-los), não assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e temos ressentimento do sucesso. Ainda vou escrever mais sobre essa minha tese, mas acho que estou no caminho. Essas são as raízes do nosso comportamento desordenado e, nos casos extremos, na opção pelo crime.

O problema é muito mais amplo do que segurança, saúde, educação, justiça, etc, etc. Tudo isso são sintomas de uma doença civilizacional, que muito se deve ao trabalho de 5 décadas da esquerda brasileira, que ainda está abraçada ao desejo de mudar a natureza da nossa sociedade pela força da imposição política. Seja na oposição ou no governo, ela nunca parou de empurrar tudo que não presta e mudar o senso comum do brasileiro médio, seguindo religiosamente os ensinamentos de Antônio Gramsci. O brasileiro vive um momento de desordem espiritual, e como ensinava Eric Voegelin, a sociedade reflete a ordem da alma de seus integrantes.

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Hobbes viu o futuro e achou que era o passado

O que está acontecendo no Espírito Santo é apenas um sintoma de nossa doença. Não é que tenhamos voltado para o estado da natureza de Thomas Hobbes, nós o criamos! Hobbes estava errado na crença que no princípio o homem era o lobo do homem. Essa visão é do final, a conclusão que as ilusões da modernidade irão nos levar. Petistas e tucanos, para ficar só nessa fauna, não são resultados do atraso, são produtos da modernidade. São a realização do ideal socialista, seja na linha fabiana ou marxista, todos apontando para um ideal de um paraíso utópico, mas que só consegue gerar o inferno na terra.

Como o Espírito Santo hoje.

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