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Archive for the ‘Literatura’ Category

Notas sobre Henrique IV – Parte 2

Terminei ontem de ler Henrique IV, parte 2. Algumas notas:

  1. Juntamente com a parte I, a peça trata da transição do Príncipe Hal, que vive cercado de má influências, a começar por seu tutor Falstaff, em um dos grandes reis da Inglaterra, o famoso Henrique V.
  2. A parte 2 vai concluir esta jornada. Hal vai substituir como figura paternal o anárquico Falstaff pelo ponderado lorde juiz, um dos principais conselheiros de seu pai.
  3. Trata-se de uma aceitação de seu destino, que Hal vê claramente como um fardo que terá que carregar (a cena com a coroa é marcante).
  4. Muitos acham que ser de uma família real é ser um privilegiado. Hal comete todas as loucuras da juventude justamente porque sabe que um dia chegará ao fim e terá que viver um papel para o resto de sua vida. O próprio Henrique IV, em seu leito de morte, confessa ao filho que não foi feliz com a coroa.
  5. Henrique IV tornou-se rei de forma ilegítima. Por isso teve que lutar a vida inteira para manter a coroa e se desgastou até a morte.
  6. Quem trai um, trai outro.
  7. Falstaff é uma figura dionísica. Anárquico, com uma lei moral própria, mestre das trapaças, mas ao mesmo tempo generoso e capaz de realmente ter afeto. Em contraste, o Lorde Juiz é uma figura apolínia. Correto e ponderado, chegou a prender o príncipe Hal por desordem. Fiel a princípios, não muda de atitude com o novo rei. O predomínio do impulso dionísico faz parte da juventude, mas o homem maduro necessita de Apolo, ainda mais se tiver grandes responsabilidades.
  8. O afastamento, no fim, de Falstaffé necessário, mas nem por isso menos tocante.
  9. O Príncipe João é uma deformação do apolínio. Se o Lorde Juiz tem a reta razão como guia, João tem sua própria fonte de moral, como demonstra a forma como lidou com a rebelião. Eficiente e pragmático, evitou uma guerra, mas não se pode dizer que foi honesto.
  10. Henrique IV passou os últimos anos querendo conquistar Jerusalém sem saber que já a tinha em seu próprio palácio.
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Falstaff e o Lorde Juiz: Dionísio e Apolo

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Dica de Leitura 2

 

Sempre que terminar um capítulo, feche o livro e pense sobre ele. Tente resumir mentalmente o que leu, não recorra a anotações neste instante, pode voltar a elas depois.

Busque a essência. Como você explicaria o capítulo para alguém em poucas parágrafos?

Se quiser, escreva um parágrafo. Não mais do que um. Poucas frases. Guarde-o para guando terminar o livro e for refletir sobre ele como um todo.

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Dica de leitura 1

Quando terminar um livro, tente escrever um parágrafo descrevendo-o. Não mais que isso. Umas 3 ou 4 frases.

Se não conseguir, sinal que não entendeu. Se o livro for importante para você, leia novamente, reflita mais.

Se capaz de entender a essência de uma leitura é o grande teste de compreensão. Como já disse um grande escritor (não lembro quem): queria escrever um livro menor, mas não tive tempo.

Você só é capaz de sintetizar o que entende. Buscar a síntese te força a entender o texto.

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Terminei de ler A Mente Naufragada. Algumas notas:

  1. O autor parte da idéia de reacionário, que seria aquele que tem uma utopia no passado. Ou seja, enquanto o revolucionário deseja criar uma utopia, o reacionário acha que ela já existiu e depois o mundo se desviou do caminho.
  2. Por isso ele age como um náufrago, que navega em um rio vendo destroços do navio que é a própria civilização destruída.
  3. Ou seja, para o reacionário vivemos em uma época de decadência pois em algum momento cometeu-se um grande erro e a civilização, pelo menos a ocidental, se desviou de seu rumo.
  4. Inicialmente ele analisa três autores que apesar de não serem reacionários, tiveram sua idéias assimiladas por correntes reacionárias, oriundas da direita conservadora americana.
  5. Apesar de abundarem estudos sobre a mentalidade revolucionária, faltariam estudos sobre a mentalidade reacionária, ou seja, da mente naufragada. Lilla se propõe a estimular estes estudos.
  6. Acho que o maior talento do Lilla é de resumidor de livros. Praticamente ele passa do resumo de um livro para outro, com alguns comentários seus.
  7. No fim, ele conclui, sem dar nenhuma evidência, que o maior perigo hoje são os grupos reacionários, meio que deixando entender que a mentalidade revolucionária está em completa decadência. E que, inclusive, grupos de esquerda, desiludidos com o fracasso do socialismo, estão repaginando idéias reacionárias para manter os movimentos vivos.
  8. O livro tem pequenos estudos interessantes, como o feito sobre São Paulo que o coloca dentro de uma tradição revolucionária, sendo uma espécie de Lenin para Jesus (Marx). Felizmente Lilla discorda desta visão, apenas aponta como um exemplo da esquerda utilizando um mito da tradição para criar um mito próprio.
  9. Ele critica a utilização do passado, e da criação de mitos do passado, para justificar um projeto de futuro, mesmo que seja para restaurar um passado que nunca existiu, como é o caso do reacionário.
  10. O problema é que levando ao limite, qualquer coisa boa que já tenha existido no passado e seja referenciada como algo perdido, seria classificado por Lilla como mentalidade reacionária. E essas coisas existem! Nem tudo é mito e invenção para justificar projeto de poder.
  11. Sobre a mentalidade reacionária em si, João Pereira Coutinho já tinha chamado atenção para o problema em seu livro sobre o conservadorismo.

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Terminei de ler Cem Anos de Solidão. Minhas notas:

  1. Sobre realismo fantástico, sou bem mais Borges. Nos contos do argentino, elas tem uma função na estória. Em Cem Anos, parece mais um exercício de futilidade.
  2. A concepção da obra é excelente. Pena que não foi Érico Veríssimo a realizá-la.
  3. Houveram capítulos que me interessaram, mas na maior parte não me conquistou. Uma pena.
  4. O Coronel Aureliano é o melhor personagem. Também é interessante a matriarca da família, Úrsula.
  5. Agora que penso, será que Gabriel leu O Tempo e o Vento? Tem muitas semelhanças.
  6. O que mais chamou-me atenção no livro foi a completa ausência de Deus na estória. Nenhum personagem tem relação com o transcendente, de nenhuma forma. Não sei se o autor pensou nisso, mas faz todo o sentido. Sem Deus, o homem se entrega a toda sorte de falsos ídolos. No livro estes ídolos aparecem na luxúria, desejo de poder, política, fascinação com o dinheiro, com o misticismo, ciências, médicos imaginários. Ou seja, sem Deus o homem não consegue se conectar ao outro e nem ser feliz.
  7. O mundo sem Deus é o mundo do eterno retorno e do homem como prisioneiro do destino. É o que acontece em Cem Anos. Os arcos se repetem, o que é acentuado pela repetição dos nomes.
  8. Se o livro é também uma alegoria sobre a América Latina, como dizem, então faltou um elemento primordial para entender a história da região: o catolicismo de seu povo. Nenhum dos personagens do romance tem fé.
  9. Não vou dizer que o livro é ruim, mas confesso que me decepcionei um pouco. Não o leria novamente.

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De vez em quando nos deparamos com obras de arte que nos fazem mudar a forma de pensar. Esta é uma delas.

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Crônicas

Há um lugar comum que crônicas são textos leves sobre o cotidiano. Muitas vezes está correto, mas nem sempre; pode ser profundo também; pode ser bem triste.

Esta semana li e estudei uma crônica do Nelson Rodrigues. Faz parte de um conjunto que crônicas que escreveu sobre suas próprias memórias. A crônica que li, que ficou conhecida como A Menina, mas que não recebeu título do Nelson (é apenas a número 10 de seu livro de memórias), trata do nascimento de sua filha Daniela. É genialidade pura e destrói todo este lugar comum de texto leve sobre o cotidiano.

Obrigado ao professor Rodrigo Gurgel por tê-la apresentada em seu curso.


Para quem gosta de literatura, os cursos do professor são impagáveis. Confira em sua página.

 

 

 

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