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Archive for the ‘Cinema e Televisão’ Category

Ontem assisti Baby Doll (1956), dirigido por Elia Kazan e texto do Tennessee Williams. Três personagens fascinantes, retratos do mundo moderno.

Um homem fraco, constantemente humilhado, que perde o controle sobre seu destino por falta de capacidade pessoal para lidar com a modernização. Um posso de ressentimento que encontra no uso a violência sua válvula de escape.

Uma mulher que se recusa a crescer e acha que pode brincar de boneca a vida inteira. Ao finalmente encontrar uma adversário que se recusa a fazer seu jogo tem a oportunidade de enfim amadurecer.

Um homem racional, produto da modernidade, mas que diante da incapacidade do estado não pensa duas vezes em assumir a justiça nas próprias mãos. Falta-lhe piedade e empatia para lidar com o mundo.

Um panorama sobre a ruptura de uma antiga ordem para emergência de uma nova, de natureza científica mas desprovida de laços de amizade que constroem uma sociedade.

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mondayFiquei bem impressionado com essa produção original NETFLIX (Onde Está Segunda?, 2017). Trata-se de uma distopia. O mundo está superpovoado e uma mutação devido a manipulação de alimentos provoca um surto de nascimento de múltiplos gêmeos. A solução é instituir um programa de filhos únicos em que os demais irmão são congelados para que os cientistas resolvam o problema de alimentação e eles sejam descongelados no futuro, com o problema resolvido.

Acho impressionante como o fantasma malthusiano continua a assombrar muita gente e volta e meia surja um filme que trata do problema populacional. Confesso que quando viajo de avião, só vejo uma imensidão de espaços vazios, mesmo passando pelo Estado de São Paulo. Talvez o fato de grande parte do mundo ocidental estar vivendo em grandes cidades explique a sensação de um mundo super povoado.

De qualquer forma, o filme é muito bem feito, com grande dose de tensão ao mostrar a luta de sete irmãs gêmeas que conseguem a proeza de chegar aos 30 anos como se fossem uma só. O segrego é que cada dia da semana, só uma pode circular enquanto as demais ficam escondidas no apartamento. Só que algo dá errado e Segunda (cada uma tem um nome da semana) não retorna. Sem saber o que aconteceu, as demais começam a descifrar o enigma.

Sistemas totalitários se constroem com a destruição de laços de solidariedade construídos historicamente, como a família. Não é diferente neste filme, onde a união das irmãs é sua força contra o Estado, e a desunião sua fraqueza. Assistam e descubram o que aconteceu com Segunda.

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Terminei a segunda temporada da série The Good Place, do Netflix. Próxima só será lançada em outubro. Por que assistir esta série? Eis meus cinco motivos:

  1. A base da série é a filosofia moral. E sim, pode ser bem divertido.
  2. Reflexões sobre o bem e o mal? Céu e o inferno? Aqui tem uma boa metafísica também.
  3. Reviravoltas. Várias. Melhor ainda se não tentar advinhá-las e se deixar surpreender.
  4. Crítica da cultura pop com piadas inspiradíssimas e sem apelação. Sutileza é o tom.
  5. Personagens memoráveis. E a volta em grande estilo do Ted Danson.

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Apesar do título fazer referência aos Vingadores, Guerra Infinita é um filme sobre Thanos, o vilão cósmico que deseja eliminar metade das criaturas vivas pois acredita que o universo está desequilibrado, sem recursos para sustentar uma população tão grande, uma espécie de Malthusianismo cósmico. Ele acredita na racionalidade de sua solução e se coloca como aquele que tem coragem suficiente para implementá-la. Na maioria das vezes é simpático, bem articulado e sempre fala em nome do universo. Não surpreende que muitos o considerem interessante, que seu discurso “faz sentido”, pois ele ecoa, em muito, aqueles que tem o mundo como idéia, ou seja, que acham que o mundo é aquilo que acreditam ser, um produto de suas imaginações e não a realidade que se impõe.

Thanos é um símbolo de uma mentalidade que tomou conta do mundo a partir da modernidade, mas que encontra sua raiz nos movimentos gnósticos quem marcaram os primeiros séculos do cristianismo. Reduzindo bastante, o gnosticismo acredita que o mundo é uma criação imperfeita e tomada pelo mal. O homem é prisioneiro neste mundo e pode transformá-lo em um paraíso, bastando para isso o conhecimento de seus mecanismos. O gnosticismo foi considerado herético pela Igreja pois, na prática, nega a queda do homem. O mundo não seria um problema por causa do uso que o homem fez dele, mas porque foi criado de maneira imperfeita por Deus. A Igreja entendeu que o gnóstico queria simplesmente tomar o lugar de Deus para corrigir a criação.

Este é justamente o núcleo da motivação de Thanos. Thor percebeu muito bem e no início do filme diz a ele: você nunca será um deus. Mesmo concentrando todo o poder do universos, como o titã louco quer fazer, seu pensamento se baseia na maior ilusão de todas, o de tomar o trono de Deus. Essa mentalidade, que tanto anima as ideologias da modernidade, só é capaz de gerar o inferno, com muito sofrimento humano. “Mas as mortes são aleatórias, não distingue ricos e pobres!” dizem aqueles que justificam tudo em nome do igualitarismo. O filme acerta até nisso, pois como mostrou a experiência totalitária, o poder absoluto leva ao mal aleatório. Ninguém sabia quem Stálin mandaria matar a seguir. Poderia ser seu maior inimigo ou seu maior amigo. A morte se torna impessoal e por isso mesmo, aleatória.

Os heróis da marvel sabem que o homem é imperfeito e não possuem ilusões de um paraíso terreno. Tudo o que querem é lutar contra o mal, evitar ao máximo seu efeito destruidor. Para isso estão dispostos a qualquer sacrifício, como ir para o planeta de Thanos para evitar que a guerra se travasse na Terra. São humanos, e falhos. Por vezes deixam se levar pela hybris, como acontece com Peter Quin, o Starlord, e pagam caro por isso. Erram, sofrem, buscam a redenção. Essa é a epopéia de qualquer herói e por isso funcionam tão bem. No entanto, possuem um ponto em comum, recusam o pensamento utilitarista. Não aceitam trocar uma vida por milhões pois sabem que cada vida é um valor em si mesmo e aceitar uma troca destas significaria perder a alma, algo muito mais valioso do que a vida. Por isso Visão tem que viver; por isso o Doutor Estranho troca sua jóia pela vida de Tony Stark, que mal conhece.

Guerra Infinita apresenta o maior vilão da Marvel, alguém que representa o caos ordenado, o assassinato levado por uma mente fria e calculista, com pretensões científicas. Enfim, a mentalidade revolucionária de origem gnóstica. Não acredito que possa ser representado inteiramente por uma pessoa, mas seus traços estão presentes em gente e instituições que mostram uma máscara humanitária, de preocupação com o mundo, que precisa ser corrigido, mas que haverá um pequeno custo a pagar. Um custo que não será pago por eles, mas por nós que não acreditamos em suas pregações. Geralmente com nosso sangue pois o deles é precioso demais.

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Achei bem interessante as discussões acaloradas na internet sobre o melhor filme de 2017 (segundo Hollywood). Resolvi coletar as diversas opiniões para refletir sobre a questão que o filme levanta sobre qualidade artística.

  1. O filme é um desfile de minorias, todas vistas como pessoas boas no nível santidade.
  2. O vilão é uma caricatura que representa a visão da esquerda sobre o homem branco cristão. É machista, preconceituoso, com distúrbios sexuais e violento.
  3. Os que não gostam do filme é porque não aceitam que haja representatividade, que se dê voz às minorias.
  4. O filme é uma alegoria ao problema da aceitação do diferente. Rejeitar o diferente por ser diferente é tornar-se um monstro.
  5. O filme é um conto de fadas moderno que nos ensina o valor da tolerância.
  6. O filme apresenta a tese que qualquer relação sexual entre duas pessoas (?) tem que ser aceita sem restrições. Qualquer um que tenha reservas é porque tem algum problema moral.
  7. O filme é muito bonito, bem feito e interessante de assistir.
  8. O filme é bonito, mas vazio de conteúdo.
  9. O filme exige sensibilidade e capacidade imaginativa para ser apreciado.
  10. O filme abre caminho para a aceitação da zoofilia como natural.

 

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Neste vídeo eu explico o que uma peça de Eurípedes de 430 A.C. tem a ver com o drama enfrentado por Wiston Churchill em maio de 1940.

 

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