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Archive for 13 de setembro de 2018

Esse fim de semana revi um dos filmes da minha adolescência, Footloose. Aproveitei para apresentar à minha filha.

O filme poderia facilmente ter caído nos esteriótipos. Um pastor intolerante, a mocinha rebelde, o garoto que vem de fora ensinar os caipiras. Felizmente foi na direção oposta.

O pastor é mostrado com sensibilidade, como um homem que ama sua família e sua comunidade, e justamente por causa deste amor passa do ponto. Ele comete um dos maiores pecados para alguém em sua posição: ele retira o livre arbítrio das pessoas.

É a grande tentação totalitária. Para que as pessoas não pequem, ele as impede de pecar. Ele constrói uma rede de proteção sobre toda a cidade. O símbolo dessa rede é a proibição de festas e danças.

Além de ser uma violência contra a liberdade, na prática é inútil e perigoso. Ariel, a filha, comete um ato de absoluta irresponsabilidade no início do filme que choca até suas colegas. Aos poucos descobrirmos algo de suicida na menina. Provavelmente terminaria morta em algum acidente, que encobriria sua irresponsabilidade.

O pastor, interpretado brilhantemente por John Lithgow, não é um vilão. Não quer poder e controle; quer apenas que não aconteça com os outros o que aconteceu ao próprio filho. É paciente, bondoso. Mas está perdendo a batalha que não tem como vencer, a batalha pelas almas da cidade.

No fundo, ele quer desfazer a lei divina. Por algum motivo, Deus nos quis livre, inclusive para negá-Lo. Se o próprio Senhor nos deixou livre para pecarmos, como pode um pastor querer nos limitar desta forma?

O ser humano tem sua natureza pervertida pelo pecado original. Tem a tendência ao pecado, mas também tem a graça para ajudá-lo a ser bom. O pastor quer ser a própria graça divina, e isso é impossível.

Felizmente ele entende a tempo que precisa confiar, que a liberdade é um bem preciosos demais porque é base para a própria alegria. Sem liberdade somos taciturnos, tristes, incapazes de amar.

Footloose é um grande filme. Em muitos aspectos. Um deles é nos mostrar o problema de retirar a liberdade, mesmo que seja para seu bem _ ou especialmente se for para o seu bem. Nascemos para sermos livres e a tentação de nos proteger de nós mesmos viola profundamente nossa natureza.

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