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Archive for 8 de agosto de 2018

Depois de ter sido ignorado pela mídia por 4 anos, é impossível não reconhecer que o grande personagem desta eleição de 2018 é o Capitão Jair Messias Bolsonaro. Não me atrevo a dizer que será eleito, mas nenhum outro candidato reúne em torno de si tantas manifestações de amor e ódio quando ele. Não sei se é o favorito _ por enquanto lidera as pesquisas _ mas é certamente o nome a ser derrotado.

Curiosamente não são apenas os adversários políticos que trabalham para isso; na verdade, nem são os mais empenhados em derrotá-lo. Sua principal oposição organizada está em outro lugar, na mídia tradicional, que não por acaso agoniza em praça pública. São nas redações que o ódio ao Capitão é tão violento e irracional, a ponto de levar jornalistas a se exporem tão completamente, comprometendo até a isenção que fingem possuir. Na semana que passou tivemos a oportunidade de ver, ao vivo, dois tipos diferentes da trupe em ação. E que espetáculo!

Primeiro, o Roda Viva. O programa pertence a uma empresa estatal, bancada pelo governo de São Paulo, ou seja, pelo dinheiro do contribuinte, e é conhecida pelo traço de audiência, um dos inúmeros desperdícios que existem no Brasil. O Roda Vida é um programa que reúne jornalistas que pensamento ideologicamente alinhados, que tentam ser personagens principais no lugar do entrevistado. As perguntas são formuladas não para obter respostas de interesse público, mas para evidenciar como o jornalista que a faz é um intelectual preparado e iluminado. Atualmente, é comandado pelo jornalista Ricardo Lessa, que participou da luta armada e que assumiu o lugar do excelente Augusto Nunes porque este era, bem, excelente. Para entrevistar o Capitão reuniu um festival de subcelebridades do jornalismo impresso, todos de esquerda, embora travestidos de alguma isenção, mas que diante do entrevistado foram incapazes de se segurar e perderam completamente a compostura. Foi interessante observar como se comportam, na realidade, pessoas que só conhecemos por textos, e o resultado foi devastador. Foram todos para cima do entrevistado com o propósito evidente de destrui-lo e não de fazer o que se espera de um bancada de entrevistadores. Ninguém gosta de entrevista chapa-branca, mas se espera pelo menos um grau mínimo de respeito e preocupação em conseguir respostas. Parece que os sabidos jornalistas não sabem que o público quando percebe um ataque em manada contra uma pessoa costuma identificar-se com o que está sendo atacado. O resultado foi pavoroso. Viraram motivo de piadas pelos apoiadores do candidato e de irritação dos adversários. Desagradaram todo mundo e promoveram um espetáculo patético de boçalidade explícito onde sobrou afetação intelectual, expressões faciais ridículas simulando profundidade de pensamento, dedinhos empinados, canetas em riste. Quiseram humilhar e terminaram humilhados. Foi inacreditável ver o Ricardo Lessa citando wikipedia como fonte, uma jornalista dizendo que o eleitor sairia com o voto impresso da cabine e que Jesus Cristo era refugiado.

Para a turma de opositores do Capitão – evito o termo esquerda conscientemente – o grande problema foi a mediocridade dos jornalistas. Afinal, quem era aquele povo? Tirando o Bernardo Melo Franco, o resto era-me completamente desconhecido. Era como se tivessem convocado uma seleção de série B para arrasar uma adversário. Huge mistake. Um erro, disseram os adversários, que não seria cometido 4 dias depois na bancada da Globo News. Ali estava a nata dos jornalistas de Tupinicópolis. Miriam Leitão, Merval Pereira, Gerson Camarotti, Cristiana Lobo, Mario Sergio Conti, Andréa Sadi e ainda reforçados por Fernando Gabeira. Agora sim, o trabalho seria executado pela elite, pela nata da nata. Afinal, não dá para chamar de esquerdista gente como Merval e Camarotti, não é? Pelo menos seria uma bancada mais equilibrada do que o Roda Viva. Não cometeriam os erros primário de seus colegas menos famosos.
Nunca subestime a capacidade de um jornalista em dobrar a aposta no erro. Foi simplesmente patético ver a elite do jornalismo global repetir o desempenho desastroso da bancada da tv cultura. Perderam a compostura e repetiram até os mesmos erros da bancada anterior (Paulo Guedes pode ser abduzido?). Eles não se conformam que o Capitão reconheça que não entende de economia, que não participe do joguinho de cada eleição de fingir conhecimento citando números decorados em seções intermináveis com marqueteiros políticos. Os jornalistas tentaram provar um ponto que o candidato já concedeu desde o início e acham que assim poderiam destruir sua candidatura. Curioso que nunca exigiram o mesmo daqueles dois ignorantes que governaram o país recentemente. Aliás, o único economista a disputar as eleições, e que já foi ministro da fazenda, é dono das opiniões mais bizarras sobre o tema. O programa terminou em grande estilo, chegando a um ponto que nem o Roda Viva ousou, naquela nota de ponto que uma constrangida Miriam Leitão reproduziu, aparentemente sem acreditar no que estava acontecendo. Quem se explica por último acusa o golpe que sofreu. Além, claro, da covardia de em uma entrevista contraditar o candidato sem lhe dar oportunidade de responder. Coisa de moleque que leva a bola para casa porque está perdendo a partida.

Os dois episódios mostraram, sem deixar dúvidas, que o jornalismo brasileiro está no fundo do buraco, e não para de cavar. Observem que nem falei da performance do Bolsonaro, pois nem precisa. O comportamento dos jornalistas das duas bancadas foi de crianças mimadas, incultas, que não aceitam que as coisas não sejam como elas gostariam que fosse. Os homens massa denunciados por Ortega Y Gasset. A semana serviu também para chamar atenção para o comportamento dos adversários do Capitão, mas este é assunto para um próximo texto.

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