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Archive for fevereiro \27\UTC 2018

Oscar 2018: Impressões

Minhas impressões sobre os filmes que vi até agora:

1. Dunkirk

A idéia é geniosa, usar três períodos temporais diferentes no mesmo espaço de tempo. O filme retrata muito bem o esforço do homem comum para salvar seus soldados e manter a esperança de uma vitória final. Só fiquei com a impressão que faltou um pouco de alma no filme do Nolan, algo que nos desse mais empatia com os personagens.

2. The Shape of Water

O filme é bonito e se você tiver na cabeça que ele é uma fábula sobre amar o feio para que se torne belo, uma estória eterna dos contos de fadas, é possível apreciá-lo. No entanto, se olhar pela chave do progressismo e perceber que o vilão é a caricatura que um liberal de Hollywood vê o cristão e que o sexo, desde que consensual entre as partes, tem que ser admirado como sagrado, vira uma bomba. Aliás, na primeira chave, o sexo estraga a estória. Del Toro pesou demais a mão no progressismo. Uma pena.

3. Darkest Hour

Em abril de 1940, muitas pessoas razoáveis consideravam seriamente a hipótese de fazer um acordo com Hitler e evitar a possível invasão à Inglaterra. O próprio Churchill flertou com a possibilidade e demonstra suas dúvidas no filme. O grande tema do filme é justamente este: devemos fazer um acordo com o mal para nos preservar? Quando Churchill consegue enxergar com clareza e centrar seu propósito vem a coragem para fazer o certo. Não importa o que as pessoas racionais digam, o mal tem que ser vencido. Custe o que custar.

4. The Post

Spielberg sabe contar uma estória e nos convencer do que estamos vendo, mas na parte final pesou demais ao retratar todos os jornalistas como pessoas com altos ideais que só querem vigiar o poder para proteger o povo americano. Uma passada de pano desnecessária para a imprensa quando poderia ter se concentrado mais discutir o dilema moral que realmente existiu. A divulgação dos documentos secretos do pentágono prejudicaria os Estados Unidos em uma época que estavam em guerra e soldados morrendo? Ao invés de responder com um sonoro não baseado na pureza da imprensa, poderia ter deixado a questão mais aberta. Seria, aí sim, um filme gigante.

5. Lady Bird

Pouca gente percebeu um detalhe importante do filme: Lady Bird não era católica. Você só percebe isso quando ela cruza os braços na hora da comunhão. A diretora Greta Gerwin poderia ter feito um filme fácil, criticando o colégio católico pelos problemas da heroína, mas fez justamente o contrário. O catolicismo do colégio foi um apoio em um momento difícil de amadurecimento e no fundo, a questão de Lady Bird é uma das principais do ser humano: aceitar-se. O fato de ter sonhos não significa abandonar tudo que você é para realizá-los. No fim, Catherine vence Lady Bird.

6. Three Billboard outside Ebbing Missouri

O filme se inspira claramente nos contos de Flannery O’Connor, que retrata o efeito da maldade na sociedade e a oferta da graça, geralmente recusada. Há uma expressão em inglês intraduzível chamda “single minded”, algo como mente fixada em um único pensamento. Ela quer vingança pela morte de sua filha, custe o que custar, sem se importar com ninguém no seu caminho, mesmo o filho e um homem bom morrendo de câncer. A desproporção de seus atos fica evidente em seu ato de terrorismo. Difícil ter empatia com ela, que no início parece até racional e simpática. Dixon, por outro lado, começa como o pior dos seres, mas aos poucos vamos criando empatia por ele ao perceber algo que apenas o xerife tinha percebido, há algo de bom nele querendo ir à tona. A graça aparece para ele na carta de Bill e acho que apareceu para Mildred na forma do anão. Infelizmente só um abriu as portas para ela.

 

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Eu vejo as discussões em torno da opinião dos espacialistas que estão nos jornais e programas de televisão e fico sinceramente escandalizado. São intelectuais porém idiotas, na definição proposta por Nassim Taleb. Como não tem a pele em jogo, e nunca são responsabilizados pelas bobagens que dizem, ficam livres para aumentar ainda mais a dose de tarja preta. A Globo News então é um festival de imbecilidade. É preciso lembrar que a Globo tem uma agenda que é a promoção do progressismo, com boa dose de grana do George Soros e similares.

Na ideologia do progressismo, o bandido é uma vítima de uma sociedade capitalista e machista, que não teve opção senão o crime. Ele é um doente que precisa ser curado, se possível com muito carinho. Na visão deles, as principais vítimas dos crimes são de classe média, justamente a classe que causa todo o problema por sua mentalidade burguesa. Desta forma, o crime é uma forma de justiça, uma afirmação dos excluídos.

Tenham santa paciência! É muito Focault misturado com maconha para chegar numa imbecilidade destas. O que falta aos especialistas, em primeiro lugar, é algo que um cientista deveria ter como norte moral absoluto: o respeito pela realidade.

A realidade do Rio de Janeiro hoje é uma cidade incrustada por criminosos violentos que não se detém com nada. Estão armados com fuzis automáticos e até mesmo granadas e explosivos. Estão em todos os bairros e as forças de segurança não possuem condições em pessoal, material e até moral de enfrentar esta turma. Os bandidos já não respeitam mais nada. Só quem está protegido é quem tem segurança particular armada. São os mesmos que defendem dia sim e outro dia também o desarmamento da população. Raça de víboras! Classe média? As principais vítimas são os próprios bandidos, as pessoas pobres que convivem diariamente com o crime e sim, também a maldita classe média.

Discutir, a esta altura do campeonato, os fatores que levam ao crime é uma bobagem. Essa discussão tem que acontecer, mas primeiro é preciso curar o doente. Seja de quem for a culpa, os bandidos estão soltos pelo Rio de Janeiro e são violentos. Só há duas maneiras de tirar um bandido das ruas, morto ou preso.

Se a sociedade prefere que sejam presos, então o judiciário tem que fazer sua parte. A começar por aquele bando de abutres que sentam-se nas 11 cadeiras do Olimpo. O bandido armado de fuzil não pode voltar para a rua, tem que ser retirado da sociedade por um bom tempo. Não serão recuperados, não podem voltar, é preciso entender isso. Nada de saída para dia dos pais, prisão domiciliar, semi-aberto. Para este tipo de marginal é inútil. Vou repetir: eles não são recuperáveis! Aceitem essa verdade que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso sabe instantaneamente, de experiência.

Existe uma parte influente da sociedade, das chamadas classes falantes, que entre o bandido e a pessoa comum escolheu o primeiro. Mais do que idiotas, são co-responsáveis pelo estado que chegou o Rio de Janeiro (e o Brasil não está muito atrás). Mas estas pessoas não têm a pele em jogo, não são responsabilizados. O desembargador que solta o vagabundo que no dia seguinte volta a matar, não é responsabilizado. O jornalista que faz matéria para denegrir polícia e faz com que policial tenha medo da agir, não é responsabilizado. O especialista que vai na globo news influenciar para que se relaxe o ridículo código penal que temos, não é responsabilizado. O deputado que fez esta constituição que protege marginal, não é responsabilizado. O ator que fica pedindo paz, mas compra sua cocaína como se não colocasse dinheiro na mão de vagabundo para comprar armas, não é responsabilizado. Ninguém é responsabilizado pela morte de 70 mil brasileiros por ano, isso é um escândalo!

O Brasil foi tomado por vagabundos morais e vai demorar para nos limparmos de tanta porcaria. Se é que um dia o faremos.

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Suicídio, dois grandes vilões

Com certeza existem diversos fatores que influenciam na decisão de cometer suicídio, mas ultimamente tenho pensado muito em dois deles, a depressão e a frustração.

O primeiro atinge muito os mais velhos, embora também aconteça aos mais jovens. Vejo muito nos aposentados, que acostumaram-se a ter suas vidas determinadas pelo trabalho. Quando, enfim, alcançam a sonhada aposentadoria, enfrentam um certo vazio. E agora? O que fazer? Durante um tempo, tudo é festa. Viagens, acordar tarde, ficar à toa, mas pode o homem viver só disso? Alguns conseguem, é certo, mas não todos. Isso já me indica que o homem tem que ter um sentido para a vida que vá além do trabalho.

A família também é um esteio importante, mas no momento que temos mais tempo para ela parece que ela tem menos tempo para nós. Os filhos já saíram de casa, possuem suas famílias e, muitas vezes, moram distantes, até em outra cidade. Com a globalização, até outro país.

Eu não vou fingir que sei como é a depressão pois nunca sofri dela. E nem quero, tendo em vista os efeitos devastadores que tenho visto. Só sei que ela conduz, muitas vezes, ao desespero e este ao ato final.

Outro vilão que tenho visto é a frustração. Esta atinge preferencialmente aos mais novos, particularmente da nova geração. Os jovens de classe média para cima, possuem uma riqueza que era inconcebível há um século atrás e nem percebem. Muitos sentem-se pobres por se comparar aos mais ricos, uma bobagem. Melhor faria se se comparassem ao passado, à época que o mais poderosos dos reis tinha que arrancar dente sem anestesia e não tinha luz para ler à noite.

O problema é que estes jovens são frutos de uma cultura que não admite que sejam frustrados. São protegidos contra tudo, até mesmo do trabalho. Um dia esta proteção desaparece e tem que se ver por si próprios. Soma-se isso ao natural exagero da adolescência e o quadro está formado. O jovem é capaz de se suicidar porque a namorada o trocou por outro.

Esta semana uma família conhecida está vivendo o drama de um suicídio. É muito triste de acompanhar, mesmo à distância. O suicídio sempre deixa uma marca nos que ficam. É um dos atos irreversíveis que tomamos na nossa vida. Não tem retorno.

Que Deus tenha misericórdia de todos os suicidas.

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Rio de Janeiro sob intervenção

A impressão que eu tenho é que passou do ponto. Houve um momento que uma intervenção federal poderia ter feito a diferença, hoje acho difícil.

A bandidagem do Rio de Janeiro cresceu sob a proteção de uma cultura implantada desde o nefasto domínio do Sr Leonel Brizola, que encontrou eco entre os intelectuais da cidade. Uma cultura de glorificação do marginal que se espalhou pela cultura brasileira pela mídia de massa.

Quando a presidente do STF diz que o problema da violência se combate com “capacidade de amar” ela mostra que está contaminada por esta cultura. Juízes, jornalistas, artistas, advogados, cientistas sociais, professores; todos acham que o bandido é vítima da sociedade. O pensamento esquerdistas dominante considera o banditismo uma espécie de justiça social, do pobre tirando do rico. No mundo de fantasia em que vivem, são pobres criaturas forçados a roubar (e matar) porque não têm outra alternativa. Para que a violência diminua, é preciso resolver o problema, segundo eles, da desigualdade social, este símbolo que culmina a insatisfação gnóstica que têm contra este mundo que vivemos.

Na realidade do Rio de Janeiro, o problema da violência não é um problema da classe média burguesa, mas das classes mais pobres. São eles que convivem diariamente com a brutalidade nas favelas, com os tiroteios, com os justiçamentos. Só na cabeça de sociólogo que a vida na favela é uma espécie de passeio idílico no território do bom selvagem.

Tem que mudar tudo. A glolificação das comunidades, a estética do funk, a demonização da polícia (que se corrompeu pelas décadas de convivência com a violência), as faculdades de ciências sociais. Enquanto toda a sociedade não colocar a vítima da violência como centro da preocupação, não acredito em solução. O povo precisa ser ensinado a se proteger e proteger o próximo. Tem que parar com essa palhaçada de não reagir. Tem que ampliar os limites da legítima defesa. Invadiu uma casa? Pode mandar fogo. Ah, o Rio de Janeiro vai virar uma guerra? Pois deixa eu te contar uma coisa senhor intelectual, já é! Só que uma guerra em que a população está morrendo como patos, sem possibilidade de legítima defesa, um dos direitos mais básicos de uma pessoa!

Décadas de esquerdismo só poderia dar nisso. Para resolver o problema da violência, primeiro precisa recuperar o bom senso, que é o mesmo que reverter o pensamento de esquerda. Precisamos de uma revolução cultural, coisa que leva pelo menos uma geração.

Enquanto isso temos que pelo menos segurar a escalada da violência. Fora isso, acredito que pouca coisa se possa fazer.

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Neste vídeo eu explico o que uma peça de Eurípedes de 430 A.C. tem a ver com o drama enfrentado por Wiston Churchill em maio de 1940.

 

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the-post-tom-hanksPoucas coisas são tão instrutivas do que escutar o jornalista falando de si mesmo. Buscar a verdade, policiar os governantes, informar o público, esteio da democracia e, minha favorita,  falar a verdade para o poder. Em uma era do discurso, uma cortesia da pós-modernidade, é difícil não admirar uma conjunto de pessoas com ideais tão nobres e dispostos a nos servir.

O problema é a tal realidade. Onde estavam estes jornalistas quando o quadrilhão comandado pelo ungido saqueavam o Brasil de norte a sul? Quando olhamos o que aconteceu, o jornalismo esteve sempre a esteio das investigações e denúncias. Roberto Jefferson procurou a jornalista da Folha para dar a entrevista que começou a expor o mensalão. Em seu depoimento na Câmara dos Deputados, ele foi dando as instruções para a imprensa: procurem a agência do banco rural no prédio tal, tem uma lista de deputados que sacavam o dinheiro, etc, etc. Quando veio o Petrolão, eram os depoimentos e coletivas do Ministério Público que pautavam o jornalismo. A impressão é que se não fosse a movimentação dos próprios políticos, PF e MP, nada teria aparecido. O jornalismo investigativo desapareceu. O que está sendo feito é controle de danos.

O filme The Post mostra o que seria um jornalismo de verdade. A grande pressão no filme é chegar na frente do concorrente e expor as vísceras do poder. É interessante que os papéis do pentágono atingissem tanto republicanos quanto democratas, embora o filme tenha colocado ênfase no Nixon e não nos maiores responsáveis pela lambança no Vietnã: Kennedy e Lyndon Johson, mas é preciso sempre pagar um pedágio em Hollywood. Pelo menos no filme, os jornalistas partem para a ofensiva, buscando as evidências para poder publicar, inclusive questionando o problema da amizade dos membros da imprensa com políticos. A única coisa que importa é o furo jornalístico.

Se o filme retrata a verdade, lamento dizer que isso é passado. O jornalismo norte-americano não está investigando a máquina montada no governo Obama para investigar adversários, está publicamente pedindo que as provas não sejam divulgadas. Isso mesmo, não querem saber. Já decidiram que aquilo é falso e estão mais preocupados em derrubar Donald Trump. Trata-se da corrupção intelectual denunciada por Flávio Gordon. Os jornalistas são prisioneiros de sua ideologia e a grande prova é que enquanto o povo divide quase igualmente seus votos entre conservadores e socialistas, a classe responsável pela informação vota 90% democrata. Basta comparar as análises com os press realease do partido: impossível notar diferenças. Até as expressões são as mesmas.

The Post é um filme muito bom, mas uma fantasia nos dias atuais. Eco de uma época que se foi, em que jornalistas não tinham pretensões intelectuais e não ligavam para as próprias reputações. Haviam os jornalistas engajados, mas eram a exceção. Hoje são a regra. Hoje não temos mais jornalismo de verdade, mas assessoria de imprensa. O jornais não estão morrendo, estão se suicidando.

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Neste vídeo eu explico porque o filme O Destino de Uma Nação é uma verdadeira aula sobre o principal dos princípios democráticos, a representação. Voegelin teria gostado.

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