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Archive for 10 de agosto de 2017

 

Pelo menos em tese, mais importante que um curso em si é o aprendizado. Todas as técnicas, formalidades, meios, perdem importância se pensarmos que o grande objetivo da educação é aprender algo. Isso é ainda mais significativo se pensarmos na filosofia, talvez a mãe de todas as disciplinas. No entanto, no nosso mundo moderno, a universidade se tornou tão especializada, e burocratizada, que essa equação se inverteu. As universidades não são mais conhecidas pelo que de fato ensinam e formam, mas por toda estrutura e rituais que utilizam para formarem seus al20151116-olavo-de-carvalhounos. O principal produto de uma universidade é, ou deveria ser, o seu formando. Quanto melhor for este produto, mais eficiente e melhor será essa  universidade. No entanto, temos pouquíssimos exemplos práticos, considerando que existam, de como medir a qualidade desse produto.

O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho tem um curso de filosofia. Outro dia, um de seus críticos escreveu que se tratava de um esquema. Disse ele que o curso não dava diploma, era inteiramente feito por internet, não tinha prazo para conclusão e nem qualquer registo de currículo. À luz da Universidade Moderna sem dúvida uma excrescência, pois o curso do Olavo ignora todos os dogmas mencionados no primeiro parágrafo. Ele é o primeiro a dizer que a única forma de aprender a filosofar é ver um filósofo atuando. Foi assim com alguns dos maiores filósofos da história como Aristóteles, Platão, São Tomás de Aquino fizeram. Sem acompanhar um filósofo de verdade, o trabalho é muito mais complexo, pois partirá da absorção dos livros escritos por esses filósofos e um bom trabalho de imaginação para tentar reconstituir os passos que esses filósofos fizeram para produzir essas obras.

No entanto, se pegarmos o currículo de qualquer curso universitário de filosofia, praticamente só se estuda a história da filosofia e questões abstratas, ou seja, a filosofia pronta de diversos filósofos. No máximo, defende Olavo, chega-se a ter algum rudimento de cultura filosófica, o que é muito diferente de aprender realmente a filosofar. Não passa pela cabeça daquele crítico que o aluno do Olavo de Carvalho não esteja interessado em um diploma ou seguir um currículo, coisa que pode fazer muito bem nas melhores universidades brasileiras; não é tão difícil entrar para um curso de filosofia de uma universidade pública. Mas o aluno do Olavo está interessado em algo diferente, está interessado em aprender. Portanto, dizer que o curso de Olavo de Carvalho não atende aos cânones de universidade é algo que o próprio concordaria integralmente. Olavo é muito claro ao dizer que o seu curso não só não dará um diploma como não será aceito por nenhuma instituição brasileira. Portanto, para dizer seu curso é bom, a única forma é analisar o seu resultado, ou seja, o que seus alunos andam fazendo.

Poucos sabem que alguns dos seus mais aplicados alunos estão ocupando espaços na combalida vida intelectual deste país. Seja escrevendo em blogs ou livros, proferindo palestras ou cursos, alguns nomes passam a ser conhecidos no debate, tendo como reconhecidas suas capacidades de expressão oral e escrita, clareza de pensamento e, sobretudo, pelo acerto das suas previsões quando comparadas com a mídia tradicional. Esses alunos têm demonstrado uma capacidade de análise e entendimento da realidade que superam os tradicionais formadores de opinião. Não vou dizer seus nomes para manter um certo suspense e evitar os estereótipos, mas comecem a reparar a quantidade de livros bem fundamentados, com ampla pesquisa histórica, apoiados em uma filosofia clássica e numa continuidade com que melhor temos em nossa tradição.

Além disso, uma quantidade até algum tempo impensável de livros de autores até pouco tempo praticamente desconhecidos passaram a circular por diversas editoras. Esses autores passaram a ser conhecidos no país a partir de aulas e palestras proferidas pelo professor Olavo, embora alguns editores vão negar até a morte que a dica que receberam partiu dessa figura tão marginalizado da vida intelectual brasileira. O formador de opinião pública, também conhecido como intelectual porém idiota (IYI), vai se referir ao Olavo de Carvalho em tom pejorativo, ridicularizando-o, como uma espécie de guru que comanda uma seita a partir de uma pequena cidade do leste dos Estados Unidos. O que não vai conseguir explicar é como esse mesmo guru conseguiu formar uma geração de escritores e palestrantes que tratam com crescente intimidade nomes como os de Voegelin, Louis Lavelle, Roger Scrutton, Padre Sertillanges, Mortimer Adler, Northrop Frye e tantos outros. Também não vai conseguir explicar como seus alunos conseguem escrever livros tão bons e superar a retórica vazia e cansativa dos melhores professores universitários brasileiros. Nesse aspecto, Olavo de Carvalho é realmente um fenômeno.

Sim, o curso de Olavo não atende o rigoroso padrão estabelecido pelas universidades modernas. Pode-se até dizer mais, que ele é tudo aquilo que o seu professor universitário vai dizer que não é científico e nem rigoroso.  No entanto, paradoxalmente, ele vai trazer resultados muito superiores ao que uma universidade tradicional, mesmo das melhores, é capaz de fazer. Pelo menos seus alunos aprendem logo de cara que não devem criticar o que não conhecem profundamente; já o intelectual porém idiota vai se dar o trabalho de escrever artigo ridicularizando um curso  que não conhece, não sabe como funciona e nem quer saber. Esse intelectual provavelmente é dono de um respeitável currículo universitário, mas não tem  inteligência para entender que está dando razão ao Olavo de Carvalho.  Já estão sendo superados não pelo Olavo, mas por seus alunos, e nem entenderam ainda o que só começou a acontecer. 

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