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Toffoli no Supremo

outubro 1, 2009 por Marcos Junior

Em Hitler e os Alemães, Eric Voegelin mostra que o poder dado a Hitler fala mais sobre os alemães em sua época do que de si mesmo. Apenas uma nação de estúpidos poderia eleger um estúpido criminoso como líder.

A nomeação de José Antônio Toffoi, cuja maior característica e não ter nenhum predicado exigido na constituição para o cargo de ministro do Supremo, mostra mais sobre o brasileiro do que sobre o próprio estúpido que assumirá uma cadeira no STF. Fico pensando se algum dia alguém escreverá o livro “Lula e os brasileiros”.

Voegelin se referia ao conceito de Platão de sociedade como a extensão do indivíduo, o homem com “h” maiúculo. Para o falecido filósofo alemão, uma sociedade não poderia expressar uma moral mais elevada do que a média dos indivíduos que a compõe.

O papel do intelectual é iluminar a sociedade, mostrar o caminho correto para o vulgo. Julien Benda diagnosticou um dos males da modernidade, os intelectuais tinham simplesmente recusado este papel. Ao invés de procurar a verdade e mostrá-la, como fez Sócrates, deixaram-se levar pela vaidade e passaram a querer ter razão. O intelectual trocou dúvidas por certezas, o caminho inverso para quem deseja buscar sabedoria e ajudar a sociedade. O ativismo político dos intelectuais é a manifestação deste cruzamento de vaidade com orgulho.

Por que digo isso? Porque não considero o povo o maior responsável pelo que vai de errado no Brasil. A responsabilidade depende do grau de conhecimento de cada um. Certamente quem vota em políticos corruptos, sabendo desta condição, fez uma escolha e responde por ela. No entanto, uma massa de semi-analfabetos, que não acredita que possa existir um político honesto, tem muito pouca condição de escolher o melhor.

A culpa maior está naqueles que deveriam iluminar e apontar as incoerências. O problema do Brasil começa na elite intelectual e sua corrupção. Não falo de dinheiro, falo de outros tipos de corrupção, falo de corrupção ideológica, moral, enfim, da traição relatada por Benda, da estupidez mostrada por Voegelin e Ortega. O homem massa tomou o poder e vai levando toda a sociedade, incluindo ele, para o buraco. O problema do Brasil é Marilena Chauí, Antônio Cândido, Dalma Dallari, Chico Buarque e tantos outros. Mas o povo nem sabe quem são eles? Não, mas os formadores de opinião sabem e muito bem.

Aqui entra a grande maioria dos jornalistas, educadores, políticos, juizes e etc. Estes teriam condições de ver o absurdo das teorias destas sumidades e rejeitar estes pensamentos como impostura intelectual. Ao invés disso a espalham para o vulgo, acrescentando ainda importações como Chomsnky e Hobsbawn. Além dos finados Gramsci, Marx e tantos outros. O perfeito intelectual brasileiro considera Cuba um modelo de sociedade, China o futuro do capitalismo, Che uma alma pura, chama os meios de comunicação de mídia, odeiam o capitalismo (embora vivam dele), tem horror a idéia que vulgo possa pensar por si próprio, divide a humanidade em categorias, acham que tem a solução para tudo e adoram substantivos abstratos.

Como sair desta arapuca? Parece um ciclo vicioso, a estupidez alimentando-se da estupidez, a elite pensante alimentando a sociedade de falsas concepções e esta formando os futuros membros desta mesma elite. A esperança é que em todas as épocas da humanidade surgiram pessoas com liderança e força para desafiar o consenço e romper ciclos destrutivos como este que estamos vivendo. Como é possível o surgimento de gente assim? Parece milagre. Talvez seja. Acredito que o criador espera até o último instante para que resolvamos os problemas que nós próprio criamos; até que fica evidente que não teremos esta condição, ocasião que envia um espírio iluminado para nos guiar e colocar um pouco de ordem de volta ao mundo. Assim surgiram os grandes homens da história e assim continuarão surgindo.

Enquanto esta liderança não chega, as pessoas que conseguem enxergar nestas brumas de impostura, sofrem e agonizam. É assim que me sinto hoje. Angustiado com esta série de coisas que estão acontecendo e da nossa incapacidade de virar o jogo. Somos tratados como párias pelos iluminados progressistas de nosso tempo pois estes são os mensageiros da verdade, embora repitam a todo tempo não existir verdade. Pior, o fato de não acreditarmos no que acreditam é incompreensível para eles, uma afronta. Querem simplesmente a unanimidade.

Toffoli como pessoa é irrelevante. No entanto representa a corrupção moral e intelectual de quase toda a sociedade brasileira, do intelectual ao formador de opinião, deste ao vulgo. A sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal mostra que a constituição está mais fraca do que nunca pois faltam no Brasil homens dispostos a defender os verdadeiros ideais democráticos, que não se resumem a uma urna e um voto. A democracia exige cidadania (não esta defendida pelas ONGs), solidariedade (expontânea, nunca imposta), homens dispostos a trabalhar pelo bem comum (e não se servir dele), direito de minoria (o desejo da maioria não é soberano), e valores a serem defendidos. A nomeação de Toffoli é uma prova viva que não temos nada disso e que a democracia no Brasil é uma grande fraude.

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Publicado em Política, Sociedade e Cultura | 1 Comentário

Uma resposta

  1. em março 25, 2011 às 1:11 pm Laercio Pires

    Winston Smith, bom dia. Concordo com muitas coisas que você diz, não concordo com algumas. Mas, sabe, eu com meus 62 anos e ter ouvido prós e contras a tudo quanto é assunto fico a pensar: realmente uma coisa concordo com você, é que eu continuo ficando com Sócrates, que duvidava de tudo. Enfim se duvidamos de tudo, tenho que duvidar, ou questionar até mesmo os meus pensamentos e certezas. Devo fazer a crítica e a autocrítica constantemente sempre buscando a aproximação do que é bom, não apenas para mim, mas para toda minha familia (a família humana).
    Abraços fraternais



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